A escolha certa do capim para o tipo de clima, relevo, solo e finalidade de sua fazenda pode promover um salto significativo no resultado por hectare do pecuarista de corte. Quem falou sobre o assunto foi o pesquisador da Embrapa Cerrados Marcelo Ayres Carvalho, que tem mestrado em agronomia e doutorado pela Universidade da Flórida.

“Esse é o grande diferencial da nossa pecuária. É uma pecuária a pasto, o que nos coloca em posição privilegiada em relação aos grandes produtores de carne bovina do mundo. Um produto diferenciado, produzido a pasto e com menor custo”, apresentou Carvalho.

A pesquisadora lembrou que desde a década de 1980, a Embrapa desenvolve programas de melhoramento genético com o objetivo de selecionar cultivares mais produtivas e tem, ao longo dos anos, disponibilizado gramíneas e leguminosas tropicais de diversos gêneros, tendo lançado mais de 20 cultivares no mercado nacional gado. que podem ser utilizados em diferentes condições, que se desenvolvem melhor ou pior dependendo das ofertas ambientais e sistemas de produção: intensivo, criação, acabamento, etc.

A pesquisadora também valorizou o pacote tecnológico que contribui para melhorar o resultado da atividade. “Assim como nossa agricultura, nossa pecuária também vem ganhando produtividade e eficiência. Hoje temos um rebanho de quase 214 milhões de cabeças em uma área de pastagem de pouco mais de 180 milhões de hectares. […] Nosso taxa média de enchimento ganhou um aumento de quase 40%, o que mostra que a atividade vem se profissionalizando a cada ano, os produtores estão utilizando cada vez mais as técnicas de que dispõem, tanto do ponto de vista genética animalbem como do ponto de vista sanidade e finalmente o nutrição. Este grande tripé que é a base da produção pecuária no Brasil. Aqui no Brasil falamos muito sobre biodiversidade e outras coisas, que na verdade temos que valorizar, e o grande paradoxo é que promovemos o encontro dos gramíneas africanas com nosso carne indiana para produzir um dos animais mais eficientes do mundo. E pecuária a pasto, produzindo nosso boi verde”, analisou.

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Portanto, plantar a cultivar específica para cada tipo de fazenda pode aumentar significativamente a renda do produtor. Os dados nacionais de aumentos de produtividade por unidade de área já apontam para essa tendência.

“Nossa pecuária vem, a cada ano, ganhando eficiência e se tornando mais produtiva. Este gráfico (veja abaixo) começa em 1994. A linha verde representa a pecuária e a temos durante todo esse período até 2019 – estamos falando de 25 anos – um aumento de produção em torno de 78% e um aumento de produtividade em torno de 24%, confirmando o que temos dito: aumentando a eficiência, nosso produtor usando mais tecnologia e também produzindo de forma sustentável.

Essa é uma questão muito importante, hoje temos tecnologias disponíveis para produzir com sustentabilidade. É por isso que continuamos com ofertas constantes de produtos, exportando cada vez mais, e também permitindo que nossos cidadãos tenham acesso a alimentos baratos.

O Brasil é o maior exportador de carne do mundo, exportamos nossa carne para mais de 150 países e isso contribui não só para o setor, mas para toda a economia, já que o PIB do Agronegócio e o PIB da Pecuária crescem a cada ano. Em 2019, o PIB da Pecuária foi responsável por 8,4% do PIB do Brasil”, afirmou.

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aumento produtividade pecuaria brasileira 1994 2019

Posteriormente, Carvalho comparou o resultado que o produtor pode ter ao trocar uma variedade de pastagem mais antiga por uma mais moderna que passou por um processo de seleção mais moderno (veja o slide abaixo).

“No Cerrado, temos a Brachiaria brizantha cv Marandu, que foi desenvolvida pela Embrapa em 1984. É uma cultivar que ocupa mais ou menos 25 milhões de hectares no país. Posso dizer com segurança que não há cultivar no mundo, de qualquer cultivo, que ocupe uma área dessa magnitude. E depois temos outras cultivares mais produtivas e mais modernas que podem estar contribuindo. Estamos aqui fazendo uma comparação entre o Marandu e Piatã, que é uma cultivar mais moderna que a Embrapa lançou. E aqui apontamos para aquela questão do custo da semente”, apresentou.

“Marandu realmente tem um custo de semente mais barato por quilo, estamos falando de R$ 8,00 o kg para Marandu contra R$ 12,00 o kg para Piatã, eles usam a mesma taxa de semeadura para nós por hectare, ou seja, oito quilos, o que significa que para formar um hectare de Marandu, gastarei R$ 64,00 em semente e, com Piatã, R$ 96,00. Porém, quando olhamos os rendimentos que podemos alcançar com a melhor técnica, estamos falando lá no Marandu com teto de 150 quilos por hectare ano, ou seja, 10 arrobas, enquanto no Piatã posso chegar até 172,5 quilos, ou 11,5 arrobas”, calculou.

“Arredondando a arroba para R$ 260,00, você vai ver que Piatã vai te dar uma diferença de quase R$ 400,00”, ressaltou.

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resultado por hectare pecuaria de corte uso capim certo 2

“Isso é um acre! Imagine isso em uma área de 100 hectares, 1.000 hectares – os números são ainda maiores, o que traz uma vantagem ainda mais importante para Piatã e para Paiaguás e tantas outras cultivares modernas que temos por lá”, projetou.

A pesquisadora também mencionou riscos da monocultura dentro do portão. “Como mencionei, o Marandu ocupa 25 milhões de hectares, ou seja, temos uma área grande com a mesma cultivar e esse é um risco que estamos enfrentando, que o pecuarista está enfrentando. Sempre pregamos a diversificação de pastagens, ou seja, dentro de uma mesma propriedade posso ter diferentes cultivares porque elas vão me dar respostas diferentes”, sugeriu.

“Então eu posso usar um que seja mais adequado para ser usado no período seco, outro que eu tenha uma largada maior quando a chuva começar, então poderei usar com mais eficiência e outro material que eu possa usar mais para o meio do período seco, posso deixar reservado […]. Nós temos esse portfólio, a Embrapa desenvolveu esse portfólio e aqui eu gostaria de registrar que quase 90% das cultivares que estão no mercado foram desenvolvidas pela Embrapa. Então temos uma grande contribuição que está sendo dada à pecuária nacional”, reconheceu.

Para ajudar os produtores na tomada de decisão, Carvalho lembrou ainda o lançamento do Aplicativo Pasto Certoque pode ser baixado nas lojas de aplicativos para smartphones com sistema Android ou iOS e ainda pode ser consultado no site pastocerto. com.

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“Temos esse aplicativo, o Pasto Certo, que também pode ser acessado pelo site. É um aplicativo que você pode baixar no seu celular que usa o sistema operacional iOS e também no Android, ou seja, está lá para Apple, Samsung e todos os outros que o utilizam. […] Lá você tem todas as características das cultivares, você pode fazer uma comparação, você consegue entender o quanto vai produzir, como precisa ser manejado porque a gente precisa lembrar: pasto é uma cultura”, concluiu.

Adaptado de Giro do Boi

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