O desafiador cenário da cadeia produtiva do leite em 2024

Com duas guerras em andamento no mundo, desempenho fraco das grandes economias globais e juros elevados, os pesquisadores e analistas do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa (CILeite) não esboçam muito otimismo para a cadeia láctea em 2024.

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O analista José Luiz Bellini acredita que este será um ano desafiador para produtores e laticínios. “Depois de um ano difícil, 2024 ainda não será o ano da recuperação e continuaremos observando a exclusão de produtores menos eficientes e de pequenos laticínios, como tem ocorrido nos últimos anos”, lamenta Bellini.

Somado à complexa conjuntura global, o recuo das importações chinesas têm mantido os preços internacionais estáveis, mas abaixo da média histórica.

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Subtítulo 1

O cenário global é complexo, com duas guerras em andamento e desempenho fraco das principais economias, o que impacta diretamente na cadeia produtiva do leite em 2024.

Subtítulo 2

Este ano será desafiador para produtores e laticínios, com a pressão das importações e preços internacionais abaixo da média histórica, mantendo a produção de leite reduzida.

Subtítulo 3

Apesar do bom desempenho da economia interna, o consumo de lácteos continua baixo, comprometendo a rentabilidade dos produtores e gerando desestímulo à produção.

Subtítulo 4

As importações significativas supriram a queda na produção interna, resultando em uma oferta de leite per capita maior devido à competitividade do mercado externo.

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Subtítulo 5

A desvalorização do leite nacional diante dos preços praticados por países exportadores levou a uma pressão que resultou em desvalorização dos derivados lácteos no mercado interno, impactando também as margens de lucro das indústrias e dos laticínios.

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Desafios do Setor Lácteo em 2024

Enfrentar um cenário econômico desafiador e a queda das importações é a grande missão para produtores e laticínios no ano de 2024. Uma das possíveis soluções é a diversificação e criatividade, além de se especializar de acordo com as tendências de consumo. A produção de leite artesanal pode se tornar uma alternativa viável para muitos produtores em meio a esse panorama incerto.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo
# Análise da Cadeia Produtiva do Leite em 2024

Com as condições econômicas e políticas globais atuais, a perspectiva para a cadeia produtiva do leite em 2024 é desafiadora. Tanto produtores quanto analistas esperam um cenário difícil para o próximo ano. No entanto, há algumas nuances que valem a pena destacar.

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## FAQs

### 1. Quais são os principais desafios para a cadeia láctea em 2024?
Os principais desafios incluem o desempenho fraco das grandes economias globais, juros elevados e a diminuição das importações chinesas, mantendo os preços internacionais do leite abaixo da média histórica.

### 2. Como a conjuntura interna impacta a produção de leite no Brasil?
Apesar do crescimento do PIB e outros indicadores econômicos positivos, o consumo de lácteos continua baixo no Brasil, comprometendo a rentabilidade dos produtores.

### 3. Quais fatores têm contribuído para a estagnação da produção de leite?
A relação de troca do produtor, o grande volume de importações e a desvalorização do leite nacional têm impactado negativamente a produção de leite, resultando em estagnação nos volumes produzidos anualmente.

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### 4. Como as importações afetam o mercado lácteo brasileiro?
As importações têm pressionado os preços internos dos derivados lácteos, resultando em desvalorização de produtos como leite UHT e muçarela.

### 5. Quais são as sugestões para enfrentar o cenário desafiador em 2024?
Os analistas sugerem criatividade, diversificação e especialização tanto para produtores quanto para laticínios, buscando alternativas como a produção de leite artesanal e a diversificação de produtos de acordo com tendências de consumo.

## Introdução

Com economias globais instáveis, desafios políticos e a perspectiva de um ano difícil para a cadeia produtiva do leite em 2024, surge a necessidade de compreender os fatores que afetarão a produção e o mercado lácteo. Neste artigo, exploraremos os desafios enfrentados pelos produtores e laticínios, as influências internas e externas que moldarão o cenário do leite em 2024 e as possíveis estratégias para enfrentar um mercado desafiador.

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Ao analisar a conjuntura global e os impactos locais, será possível compreender as expectativas e ações necessárias para enfrentar os desafios iminentes. Acompanhe as análises e sugestões de especialistas para entender o que está por vir no mercado do leite em 2024.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

Com duas guerras em andamento no mundo, desempenho fraco das grandes economias globais e juros elevados, os pesquisadores e analistas do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa (CILeite) não esboçam muito otimismo para a cadeia láctea em 2024.

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O analista José Luiz Bellini acredita que este será um ano desafiador para produtores e laticínios. “Depois de um ano difícil, 2024 ainda não será o ano da recuperação e continuaremos observando a exclusão de produtores menos eficientes e de pequenos laticínios, como tem ocorrido nos últimos anos”, lamenta Bellini.

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Somado à complexa conjuntura global, o recuo das importações chinesas têm mantido os preços internacionais estáveis, mas abaixo da média histórica.

Embora demonstrasse uma ligeira alta de 1,6% em relação ao evento anterior, no leilão de 05/12 da Global Dairy Trade (GDT) a média de preços das negociações foi de US$ 3.323/tonelada (valor que já esteve acima de US$ 5.000/tonelada, em março de 2022). “Esses são dados que corroboram para a produção de leite acanhada dos maiores exportadores de lácteos”, afirma o analista.

Mas se o cenário internacional é motivo de preocupação, o ambiente interno traz notícias positivas. O crescimento do PIB em 2023 desafiou as previsões iniciais de 0,5% e superou a marca dos 3%. A inflação está controlada e o desemprego, em queda.

“No entanto, esse bom desempenho da economia ainda não repercutiu na cadeia produtiva e o consumo de lácteos continua baixo”, argumenta o pesquisador Glauco Carvalho. A edição de dezembro da Nota de Conjuntura Econômica do CILeite aponta que a fraca demanda interna também é um dos fatores que comprometem a rentabilidade dos produtores.

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“Em vários estados, pequenos produtores estão recebendo menos de R$1,80 pelo litro de leite, o que é insuficiente para remunerar a produção”, avalia Carvalho.

Desde julho do ano passado, a relação de troca do produtor (Índice de Preços Recebidos IPR/Índice de Preços Pagos – IPP) é menor que a média dos últimos sete anos. A consequência da baixa rentabilidade dos produtores é o desestimulo à produção. Já há alguns anos, o volume de leite produzido no Brasil está estagnado em 34 bilhões de litros anuais.

Um fator que também contribuiu para descapitalizar o produtor foi o grande volume de importações ocorridas no ano passado, principalmente no período da entressafra, quando o preço do leite ao produtor fica mais atrativo.

“A queda da produção na entressafra foi suprida pelas importações, aumentando a oferta de leite no mercado”, diz Bellini. O analista informa que até setembro do ano passado o volume de leite produzido pelo Brasil cresceu 1,4% em relação ao mesmo período de 2022 e a oferta de leite per capita subiu 5,3% por conta das importações, que superaram dois bilhões de litros de leite equivalente ao longo do ano.

“Mesmo com a desvalorização do leite nacional, as importações se mantiveram motivadas pela grande competitividade externa”, diz Carvalho. Na muçarela, por exemplo, a diferença de preços praticados no Brasil e nos países exportadores chegou 45,8% e no leite em pó integral, 31,5%.

Argentina e Uruguai, os principais países exportadores de leite para o Brasil possui preços historicamente mais competitivos devido a uma eficiência média no setor superior à realidade brasileira. Enquanto o preço médio do litro de leite no Brasil está a 39 centavos de dólar, o leite argentino custa 35 centavos de dólar e o uruguaio, 36. No fim do ano passado, o Governo Federal anunciou duas medidas para incentivar a atividade.

O CILeite aponta que a pressão das importações fez com que os principais derivados lácteos no mercado atacadista nacional registrassem desvalorização de preços ao longo do ano. No leite UHT, as cotações caíram 18,6% de maio a novembro chegando a R3,76/litro.

Na muçarela a queda foi de 15,6%, chegando a R$26,88, no mesmo período. “Não é só no campo; nas indústrias, as margens também foram ruins, com diversos laticínios contabilizando prejuízo no ano que se inicia”, afirma Carvalho.

Perguntado aos pesquisadores e analistas do CILeite o que produtores e laticínios devem fazer para enfrentar um ano que se anuncia difícil, eles sugeriram criatividade e diversificação. A produção de leite artesanal, por exemplo, está em ascensão e pode ser uma saída para muitos produtores. O Analista Lorildo Stock, por sua vez, disse que o produtor precisa se especializar.

“A atividade leiteira é complexa e permite fragmentar a produção em setores como volumosos, recria de animais e leite. Pode ser que o pecuarista tenha maior vocação em alguma dessas áreas e ao se especializar, otimiza a produção”. Quanto à indústria, a pesquisadora Kennya Siqueira diz que os laticínios devem diversificar seus produtos de acordo com a tendência do consumo, que aponta para alimentos saudáveis, funcionais e sustentáveis.

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