Plantio de trigo começa cercado de incertezas

Plantio de trigo começa cercado de incertezas

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#sou agro | Com o fim da safra de grãos de verão, os produtores do Rio Grande do Sul agora se voltam para as lavouras de inverno. O plantio do trigo, que já começou na Região das Missões, deve ganhar força no restante do estado a partir de junho, segundo a Emater/RS-Ascar. Este ano, a semeadura começa cercada de incertezas quanto à oferta de recursos para financiar a safra, os impactos adversos do clima e as perspectivas de rentabilidade na comercialização do cereal.

O assessor técnico da Emater, Célio Alberto Colle, conta que a empresa ainda está levantando informações para estimar a área total cultivada com trigo neste ano – em 2022, a lavoura semeada com o cereal no Rio Grande do Sul somou 1,48 milhão de hectares, a maior extensão em 42 anos. Uma das preocupações no ciclo de 2023 é a provável volta do El Niño.

Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno deve começar em julho e, no caso do Rio Grande do Sul, a expectativa é de chuvas intensas. “Não é possível afirmar que haverá aumento de área. Existe esse medo de chuva depois, na (fase da) colheita, que pode atrapalhar”, diz Colle.

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Outro fator de apreensão são os preços do cereal, que caíram de patamares em torno de R$ 100 a saca em maio do ano passado para os atuais R$ 68, segundo pesquisa semanal da Emater. “A relação de troca foi muito alta. As condições têm que ser perfeitas para você conseguir colher e pagar o custo (da produção)”, destaca o assessor técnico, referindo-se à estimativa da quantidade de sacas de trigo necessárias para a compra de uma tonelada de insumos utilizados na lavoura, como fertilizantes.

Assim como no ano passado, que também foi marcado pela estiagem no verão, os produtores gaúchos veem na próxima safra de inverno uma oportunidade de compensar parte das perdas sofridas na produção de soja e milho por conta da falta de chuvas. “Temos o cenário positivo, que é de um produtor em busca de renda novamente. Os custos para formar a lavoura são (menores), o problema é que o produtor está sem capital”, observa o coordenador da Comissão do Trigo da Federação Estadual da Agricultura (Farsul), Hamilton Jardim.

Segundo o dirigente, a falta de crédito com juros subsidiados para investimentos e custeio da safra dificulta os planos de expansão das lavouras, já que os recursos do Plano Safra 2022/2023 para os pequenos produtores se esgotaram antes mesmo do fim do atual ciclo. “Isso leva o produtor que já está plantando a reduzir sua tecnologia, porque não tem certeza de que o financiamento sairá em tempo hábil”, diz Jardim.

Em ano de riscos climáticos, os seguros agrícolas também preocupam. Na safra 2021/2022, o governo desembolsou cerca de R$ 5 bilhões em indenizações aos pequenos agricultores do Proagro – a contratação de seguro é obrigatória para quem toma empréstimos nas linhas do Pronaf e Pronamp e, no caso de propriedades para empresas de menor porte, cobertura anual está limitado a R$ 335.000. Com a grande procura, o governo federal elevou as taxas cobradas nas operações. “O prêmio é muito caro. No caso da indenização, a cobertura é muito baixa”, diz Jardim.

O gerente de pesquisa da cooperativa CCGL, Geomar Corassa, destaca que o cenário do El Niño exige estratégias de manejo diferentes das adotadas nos últimos dois anos, marcados por invernos mais secos. “Doenças que eram um problema em outras lavouras podem não ser tão relevantes agora. Este ano tende a ter mais problemas como manchas foliares no início do ciclo (crescimento vegetativo) do trigo”, explica. O assessor técnico da Emater recomenda que os agricultores busquem orientação profissional para o plantio. “Mesmo que você não tenha um projeto de crédito, passe na Emater, veja a questão do zoneamento, das variedades. Este é um ano para observar questões técnicas, justamente por essas questões de risco”, alerta Colle.

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(Com abrigo)

(Emanuely/Sou Agro)



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