Pelo terceiro ano consecutivo, a estiagem prejudica a produção agrícola do Rio Grande do Sul. Estimativa do segundo levantamento da safra de verão da Emater/RS-Ascar, divulgada nesta terça-feira (7), na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, indica uma perda de 26,91% no volume de grãos produzidos pelo estado, projetando em uma colheita de 24,73 milhões de t. As maiores quebras são nas culturas de milho, de 40,05%, e de soja, de 31,10%.
A seca prolongada fez com que a previsão da safra de verão gaúcha recuasse em 9,11 milhões de toneladas em relação à primeira estimativa da Emater. Inicialmente, a empresa de assistência técnica e extensão rural e social projetava uma colheita de 33,84 milhões de toneladas.
O milho é a cultura mais afetada pela estiagem. “A Emater visitou 458 municípios com o cultivo e apurou que dos 6,10 milhões de toneladas estimados em setembro do ano passado para a safra de verão devem ser colhidos 3,59 milhões de toneladas”, informa o site do Correio do Povo. A área plantada com o grão também diminuiu, de 831,78 mil hectares para 810,38 mil hectares.
Perdas na soja
De acordo com a Emater, a safra de soja – principal cultura plantada no estado – deve cair de 20,56 milhões de toneladas para 14,16 milhões de toneladas. “Segundo o diretor técnico da Emater, Claudinei Baldissera, os dados da soja ainda podem sofrer alteração, já que a colheita da oleaginosa é incipiente, em razão do atraso no plantio, provocado pela falta de umidade em dezembro passado”, relata o CP.
“A área plantada com a oleaginosa no Rio Grande do Sul se manteve praticamente inalterada em relação à projeção inicial, ficando em 6,51 milhões de hectares, contra os 6,58 milhões de hectares estimados em setembro de 2022”, acrescenta o CP.
Apesar do cenário adverso, os índices de perdas estimados neste ano são menores que os da safra 2021/2022, quando a Emater calculou quebra de 53,2% na produção de milho e 52,1% na de soja.
Arroz e feijão
No caso do arroz, a queda estimada em relação aos dados iniciais é de 2,91%, de 7,09 milhões de toneladas para 6,88 milhões de toneladas. A área plantada com o cereal ficou acima do estimado em 3,14%, fechando 889,54 mil hectares, contra 862,49 da primeira projeção. “O arroz é uma cultura que sofre tradicionalmente menos com a estiagem, uma vez que se dá, em maioria, nos terrenos irrigados pela várzea”, observa o CP.
“O produtor de feijão deve colher 49,55 mil toneladas na primeira safra, 4,67% menos que o estimado. Na segunda safra, o desempenho tende a ser melhor, com uma colheita de 28,12 mil toneladas, contra 20,43 mil projetadas em setembro passado”, diz o site.
Agricultura familiar
O presidente da Emater/RS, Christian Lemos, ressaltou que a agropecuária do RS é desempenhada principalmente pelo agricultor familiar, principal público da assistência técnica prestada pela empresa. De acordo com Lemos, os produtores familiares produzem 83% do leite, 52% da proteína animal, 50% do feijão e 46% do milho gaúchos. ” Dos nossos 16 mil associados, 85% são pequenos produtores.”
Lemos enfatizou também que a prioridade da Emater é difundir entre agricultores e pecuaristas do estado a “cultura da irrigação”, para que possam tomar a decisão de investir não apenas para plantar bem, mas também para garantir a colheita.
