Como manter estabilidade na produção?

Como manter estabilidade na produção?

Sumário

Identifique as seções principais

1. Introdução

2. Oferta da dieta e desempenho dos animais

3. Principais pontos para se ter um bom manejo alimentar

4. Tipo de vagão misturador

5. Tempo de mistura

6. Ordem de carregamento

7. Posição de carregamento

8. Sobrecarga do vagão

9. Manutenção por causa do desgaste das peças

10. Outros fatores

Introdução

Quando abordamos o tema alimentação e nutrição de vacas de leite, é comum focar no valor nutricional da dieta, mas muitas vezes esquecemos da importância do manejo alimentar. Este artigo explora alguns pontos críticos relacionados à confecção e oferta da dieta para garantir um bom manejo alimentar nas fazendas.

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Quando abordamos o tema alimentação e nutrição de vacas de leite, muito se fala sobre o valor nutricional da dieta, como por exemplo quais ingredientes são os mais utilizados, quais são os nutrientes necessários para cada categoria animal e na maioria das vezes pouca importância se dá para a confecção e oferta da dieta para os animais.

Entretanto, de nada adianta a dieta deter de uma excelente formulação se os animais de fato não a comem.

Sabemos que a dieta formulada pelo nutricionista no computador, pode nem sempre ser a que chega na boca da vaca, e esse caminho percorrido pode ser um desafio que a fazenda enfrenta relacionado com o manejo alimentar.

O manejo alimentar compõe pontos críticos para que a dieta formulada seja corretamente preparada pelos colaboradores e misturada pelo vagão forrageiro, devidamente oferecida aos animais, prontamente consumida pelos mesmos e aproveitada de forma eficiente pela vaca.

Por isso, é desejável que se tenha constância na confecção e oferta da dieta para os animais da fazenda, com o intuito de que essa dieta esteja corretamente disponibilizada para as vacas e com a máxima qualidade possível.

Nesse artigo, traremos de forma sintetizada alguns pontos críticos relacionados principalmente ao vagão para que se tenha um bom manejo alimentar, onde dentre esses pontos podemos citar: o tipo do vagão misturador, o tempo de mistura, a ordem de carregamento, a posição de carregamento, o impacto da sobrecarga do vagão, a importância de deter de uma rotina de revisão e manutenção de peças, e a calibração da balança.

 

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Oferta da dieta e desempenho dos animais

A variação da confecção e oferta da dieta pode prejudicar o desempenho dos animais, e os vagões, que têm papel fundamental na mistura e entrega dos alimentos, são peça chave neste “quebra-cabeça”.

Desta forma devemos atuar sempre checando se essas máquinas estão entregando uma dieta homogênea e bem processada.

Para checar se isso realmente está acontecendo, é possível fazer uma mensuração através da peneira “Penn state”, onde após análise conseguimos ter o coeficiente de variação de vários pontos do cocho dos animais, o que aumenta a chance de identificação de alguma falha no processo de mistura.

Fazemos isso coletando 10 amostras da dieta disposta na linha do cocho após o vagão forrageiro distribuir o alimento, onde a porcentagem de cada peneira é contabilizada no final da análise.

Em seguida, é calculada a média, desvio padrão e com isso o coeficiente de variação das amostras. Quanto menor for o coeficiente de variação, melhor está sendo a mistura no vagão. A meta é trabalhar com menos de 5% de variação entre as amostras.

Teste da peneira Penn State sendo realizado. Fonte: Milkpoint

Caso haja uma variação muito grande dentre os pontos do cocho, significa que a dieta não está homogênea, e algo no manejo alimentar não está saindo como esperado.

Desta forma, devemos nos atentar a alguns pontos críticos, que nos ajudam a compreender melhor como aprimorar o manejo alimentar dentro da propriedade.

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Principais pontos para se ter um bom manejo alimentar

Tipo de vagão misturador

Basicamente temos dois tipos de misturadores, os misturadores verticais e os misturadores do tipo horizontal, que se diferenciam quanto à mecânica, capacidade de mistura, processamento e mistura de fibra longa na dieta e também na potência.

Vagões tipo verticais

Os misturadores verticais que possuem o eixo da rosca sem fim na vertical. Esses podem ter uma como também duas ou mais roscas para auxiliar no processo de mistura.

A mistura deste vagão é mais agressiva se comparado aos vagões horizontais. Estes, podem facilmente processar fardos de feno quadrado, fardos de feno de bola, forragens picadas e grãos.

Devido sua capacidade, este vagão consegue processar dietas com alta inclusão de fibra longa sem prejuízos na mistura e seleção pelos animais.

Tratomix Ipacol misturador

Tratomix Ipacol misturador. Fonte: Ipacol

Vagões tipo horizontais

Os vagões forrageiros horizontais, os quais possuem o eixo da rosca sem fim posicionado na horizontal, são geralmente de dois tipos:

Misturador de dieta para vacas leiteiras

Misturador JF Mix 6000 PA (6m³). Fonte: JF Máquinas

  • Rotormix: Vagão horizontal que tem a mecânica de sua mistura por tombamento. Neste vagão, não conseguimos trabalhar com fibra longa na dieta sem ter prejuízos na mistura, ou seja, não é um vagão que suporta alta inclusão de feno na dieta, por exemplo. São ótimos vagões para pequenos volumes, e tem um gasto menor de potência comparado a outros vagões.

Misturador Rotormix

Vagão misturador Casale Rotormix 110. Fonte: MF Máquinas

  • Totalmix: Vagão com geralmente 4 roscas sem fim com eixo direcionado a horizontal. Nesta máquina, pode-se trabalhar com mais fibra longa se comparado ao Rotormix, mas ainda devemos nos atentar ao prejuízo na mistura, trabalhando com até 20% de feno no volumoso da dieta. Ademais, esse vagão possui maior capacidade por metro cúbico devido sua mecânica.

Misturador Totalmix

Vagão de trato misturador – Casale Totalmix 25. Fonte: MF Máquinas

Tempo de mistura

Considerando uma potência do vagão entre 1700 a 2000 rpm, podemos sugerir para vagão tipo totalmix (sem as facas repicadoras) uma mistura de 5 minutos e para vagões do tipo verticais e rotormix de 3 a 5 minutos. Entretanto, esses valores podem variar de fazenda para fazenda por diversos fatores.

Dessa maneira, deve-se atentar, se há qualidade de mistura para aquela faixa de tempo utilizada.

Ordem de carregamento

A ordem de carregamento depende de diversos fatores, tais como o tipo do vagão, tipo do ingrediente quanto a densidade e tamanho, nível de inclusão e localização dos ingredientes pensando em logística.

No entanto, uma boa sequência de carregamento pode seguir a seguinte ordem:

  1. Alimentos de menor densidade e maior tamanho, um bom exemplo é a silagem de milho.
  2. Alimentos com maior matéria seca e maior densidade, um exemplo são as rações comerciais.
  3. Alimentos com maior umidade, exemplo o resíduo úmido de cervejaria.
  4. Os líquidos.

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Posição de carregamento

Além de sabermos quais alimentos são sugeridos ser adicionados primeiro e quais adicionados depois, é importante saber onde no vagão ele deve ser colocado para garantir ainda mais qualidade na nossa mistura.

Dessa forma, temos:

  • Rotormix – Alimento colocado sobre a rosca no centro do vagão.
  • Totalmix de 1 a 4 roscas – Alimento colocado no centro do vagão.
  • Verticais de 1 rosca – Alimento pode ser colocado de ambos os lados.
  • Verticais de 2 roscas – Alimento colocado entre as roscas.
  • Verticais de 3 roscas – Alimento colocado em cima da rosca do meio.

Sobrecarga do vagão

É de suma importância se atentar a capacidade do vagão e a demanda que os animais da fazenda têm por alimentação.

Muitas vezes a capacidade do vagão é superestimada pelo tamanho de rebanho que há na propriedade e o vagão não suporta a quantidade de alimento para processar e misturar e acabamos encontrando falhas na mistura.

A sugestão para carga no vagão é de:

  • Rotormix – 75% de sua capacidade;
  • Totalmix 3 ou 4 roscas – Até cobrir as roscas ou tendo uma boa movimentação e mistura aos olhos.
  • Vagões verticais – De 30 a 50 cm acima do topo das roscas. Para vagões verticais com baixa carga, é necessário o cuidado para que os alimentos fiquem dispostos sobre a rosca e não misturem na dieta.

Essas recomendações devem ser validadas na própria fazenda a depender do vagão, para isso pode-se usar a peneira “Penn State” para observarmos o coeficiente de variação ao longo do cocho. 

Manutenção por causa do desgaste das peças

O desgaste das peças do vagão, são causas inerentes ao seu uso, e dependem do tamanho do rebanho da fazenda, da quantidade de feno e palha na dieta, e da rotina de manutenção estabelecida.

No entanto, muitas propriedades negligenciam a rotina de manutenção, e encontramos vagões com bordas abauladas, distâncias das facas e roscas comprometidas, menor capacidade de corte, ou pior, o não funcionamento.

As roscas de um vagão geralmente estão reguladas para trabalhar de 0,3 a 0,9 cm de distância da caixa do vagão, ou seja, havendo um desgaste consequentemente é comum observar uma dieta mal misturada e desigual para cada animal.

Visto isso, é de grande importância elaborar um plano de revisões e manutenções de acordo com cada vagão.

Roscas de misturador desgastadas

Roscas desgastadas. Fonte: VI Máquinas

Outros fatores

A balança destes vagões forrageiros pode-se destacar talvez como a peça mais importante para um bom manejo alimentar.

E devido isso, esta deve ser sempre calibrada, pois não adianta nada termos um bom potencial de mistura se as quantidades e proporções dos ingredientes estiverem erradas, por isso sua calibração deve ser realizada periodicamente.

Da mesma maneira, deve-se atentar ao desnível do vagão na hora de seu carregamento. Esta máquina, deve ser carregada com os ingredientes da dieta e um terreno mais plano possível, a fim de diminuir os riscos de erros na pesagem e mistura, contribuindo para uma dieta desigual para os animais.

Conclusão

Todos os pontos críticos elencados nos ajudam a entender melhor como aperfeiçoar o manejo alimentar na nossa propriedade, pois dessa maneira podemos entregar uma dieta mais coerente com a formulada pelo nutricionista e maximizar resultados como:

Dessa maneira, torna-se de suma importância nos atentarmos ao manejo alimentar nos pontos que se refere a carga, processamento e descarga dos alimentos.

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A importância do manejo alimentar na dieta de vacas leiteiras

Quando falamos sobre a alimentação e nutrição de vacas de leite, é comum focar no valor nutricional da dieta e nos ingredientes utilizados. Porém, nem sempre damos a devida importância à confecção e oferta da dieta para os animais. De nada adianta uma dieta bem formulada se os animais não a consomem de fato.

O manejo alimentar é fundamental para garantir que a dieta seja preparada corretamente, misturada adequadamente no vagão forrageiro e oferecida aos animais de forma eficiente. Por isso, é essencial ter constância na confecção e oferta da dieta, garantindo que ela esteja disponibilizada corretamente e com alta qualidade para as vacas.

Neste artigo, abordaremos os principais pontos críticos relacionados ao manejo alimentar, com foco especial no vagão forrageiro. Alguns desses pontos incluem o tipo de vagão, o tempo de mistura, a ordem de carregamento, a posição de carregamento, a sobrecarga do vagão, a manutenção das peças e a calibração da balança.

A oferta da dieta e o desempenho dos animais estão diretamente relacionados. A variação na confecção e oferta da dieta pode afetar o desempenho dos animais, e os vagões forrageiros desempenham um papel crucial nesse processo. É importante garantir que essas máquinas entreguem uma dieta homogênea e bem processada.

Uma maneira de verificar se a mistura está sendo feita corretamente é utilizando a peneira “Penn State”. Essa análise permite medir o coeficiente de variação em vários pontos do cocho, o que ajuda a identificar possíveis falhas no processo de mistura. É importante coletar várias amostras da dieta no cocho após a distribuição do alimento pelo vagão forrageiro e calcular a média, o desvio padrão e o coeficiente de variação. Quanto menor o coeficiente de variação, melhor é a mistura no vagão. O objetivo é trabalhar com menos de 5% de variação entre as amostras.

Caso haja uma variação significativa entre os pontos do cocho, significa que a dieta não está homogênea e algum aspecto do manejo alimentar não está ocorrendo como o esperado. É essencial prestar atenção a pontos críticos que ajudam a melhorar o manejo alimentar na propriedade.

Um dos principais pontos para um bom manejo alimentar é o tipo de vagão misturador. Existem basicamente dois tipos: os verticais e os horizontais. Os verticais possuem o eixo da rosca sem fim na vertical e podem ter uma ou mais roscas para auxiliar na mistura. Esses vagões são ideais para processar dietas com alta inclusão de fibra longa sem prejudicar a mistura e seleção pelos animais. Já os vagões horizontais têm o eixo da rosca sem fim na horizontal e são divididos em dois tipos: o Rotormix, que não é adequado para fibra longa, e o Totalmix, que permite uma maior inclusão de feno na dieta.

Outro aspecto importante é o tempo de mistura. Recomenda-se misturar a dieta no vagão entre 3 e 5 minutos para os vagões verticais e o Rotormix, e cerca de 5 minutos para o Totalmix. No entanto, esses valores podem variar de acordo com a fazenda e outros fatores.

A ordem de carregamento também é relevante. Ela depende do tipo de vagão, do tipo de ingrediente, da densidade, do tamanho, do nível de inclusão e da logística. Em geral, recomenda-se carregar alimentos de menor densidade e maior tamanho primeiro, seguidos por alimentos com maior matéria seca e maior densidade, alimentos com maior umidade e, por fim, os líquidos.

Além disso, é importante considerar a posição de carregamento no vagão. O local onde cada alimento deve ser colocado varia de acordo com o tipo de vagão, mas é essencial garantir uma mistura de qualidade. No Rotormix, por exemplo, o alimento é colocado sobre a rosca no centro do vagão, enquanto no Totalmix, ele é colocado no centro do vagão, cobrindo as roscas.

A sobrecarga do vagão também é um fator crítico. É necessário atentar-se à capacidade do vagão e à demanda dos animais por alimento. Muitas vezes, a capacidade do vagão é superestimada e ele acaba não suportando a quantidade necessária de alimento, resultando em falhas na mistura. É recomendado carregar o vagão de acordo com suas especificações, garantindo uma mistura adequada.

O desgaste das peças do vagão é normal e depende do tamanho do rebanho, da quantidade de feno e palha na dieta e da rotina de manutenção. No entanto, muitas propriedades negligenciam a manutenção, o que pode comprometer a mistura adequada da dieta. É essencial estabelecer um plano de revisões e manutenção de acordo com cada vagão, verificando o desgaste das roscas, facas e outras peças.

Por fim, a calibração da balança é crucial para um bom manejo alimentar. Ela garante que as quantidades e proporções dos ingredientes estejam corretas. A balança deve ser calibrada periodicamente para garantir sua precisão.

Em resumo, o manejo alimentar desempenha um papel fundamental na dieta de vacas leiteiras. É importante considerar diversos aspectos, como o tipo de vagão, o tempo de mistura, a ordem e posição de carregamento, a sobrecarga do vagão, a manutenção das peças e a calibração da balança. Essas práticas garantem uma dieta homogênea, bem processada e oferecida de forma eficiente aos animais, melhorando seu desempenho e produtividade.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

Conclusão

Em suma, o manejo alimentar é um aspecto crucial para garantir a eficiência na nutrição das vacas de leite. A oferta adequada e homogênea da dieta é fundamental para o desempenho dos animais. Neste sentido, é importante considerar o tipo de vagão misturador utilizado, o tempo de mistura, a ordem e posição de carregamento, a sobrecarga do vagão, a manutenção das peças e a calibração da balança. Todos esses pontos são essenciais para assegurar a qualidade da dieta fornecida às vacas e promover uma melhor performance dos animais.

Perguntas e Respostas

1. Qual a importância do manejo alimentar na nutrição das vacas de leite?

O manejo alimentar é fundamental para garantir a eficiência na nutrição das vacas de leite, pois influencia diretamente no desempenho e na saúde dos animais.

2. Qual a função dos vagões misturadores na oferta da dieta?

Os vagões misturadores têm o papel de misturar e distribuir os alimentos de forma homogênea, garantindo que os animais tenham acesso a uma dieta balanceada.

3. Como é possível mensurar a qualidade da mistura realizada pelo vagão?

Uma forma de mensurar a qualidade da mistura é utilizando a peneira “Penn state”, que analisa a variação da dieta nos pontos do cocho. Quanto menor for o coeficiente de variação, melhor está sendo a mistura no vagão.

4. Qual a importância da manutenção das peças do vagão?

A manutenção das peças do vagão é fundamental para garantir um bom funcionamento da máquina e evitar problemas na mistura da dieta. O desgaste das peças pode comprometer a qualidade da mistura e afetar o desempenho dos animais.

5. Por que a calibração da balança é tão importante?

A calibração da balança é importante para garantir que as quantidades e proporções dos ingredientes estejam corretas na dieta oferecida às vacas. Uma balança descalibrada pode levar a erros na formulação da dieta e prejudicar a nutrição dos animais.

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