Ondas de Calor Impactam Pecuária e Avicultura

Ondas de Calor Impactam Pecuária e Avicultura

Impacto do Calor na Produção Pecuária e Avícola no Brasil

As ondas de calor intenso têm impactado significativamente a produção brasileira de leite, carne bovina e aves. Com o maior rebanho bovino do mundo, o Brasil é afetado pelo estresse calórico que impacta a saúde e a produtividade dos animais. Até mesmo a produção de ovos é afetada, causando perdas significativas. Neste artigo, exploraremos os principais impactos e as medidas que os produtores estão adotando para tentar reverter esse quadro preocupante.

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Impacto na Produção de Carne e Leite Bovino

O médico veterinário Alexandre Rossetto Garcia, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, alerta para a concentração de 80% da produção brasileira de carne e leite na faixa intertropical, onde os efeitos das ondas de calor são mais intensos. Mesmo o gado adaptado ao clima quente sofre com o estresse calórico, afetando sua saúde e produtividade. A qualidade dos pastos e a fertilidade das fêmeas também são impactadas, mostrando a gravidade da situação. Os pesquisadores da Embrapa estão apostando em sistemas de produção integrada para proporcionar conforto térmico e reduzir o estresse dos animais.

Impacto na Produção de Aves

As altas temperaturas afetam o equilíbrio metabólico das aves, levando a perdas de desempenho e até mesmo à mortalidade em casos severos. O aumento nos custos de produção, devido ao maior consumo de energia nos aviários de corte, é uma preocupação adicional para os produtores. A produção de ovos também sofre com o calor, levando a queda na produção e no tamanho dos ovos. Os avicultores estão enfrentando desafios significativos para manter a saúde e a produtividade de suas aves.

As ondas de calor intenso afetam também a produção brasileira de leite e carne. O País tem o maior rebanho bovino do mundo, com 234 milhões de cabeças, e é também o principal exportador de carne bovina. De acordo com o médico veterinário Alexandre Rossetto Garcia, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, 80% da produção brasileira de carne e leite estão concentrados na faixa intertropical, onde os efeitos das ondas de calor são mais intensos.

Mesmo o gado zebuíno, como o nosso nelore, adaptado ao clima mais quente, sai da zona de conforto quando a temperatura passa de 28 graus. “Sob alta temperatura, em condições de estresse calórico, o animal para de se deslocar para comer a fim de preservar sua energia, e acaba aumentando o estresse, que pode impactar sua saúde”, disse. Animais criados em pleno sol também vão 23% mais vezes ao bebedouro do que os da sombra, gastando energia nesses deslocamentos.

Estudos conduzidos por Garcia com gado em pastos sombreados e bois em áreas sob sol pleno mostraram que o boi da sombra descansa durante à noite. “Aquele que ficou no sol precisa andar à noite para se alimentar e passa mais tempo ruminando, o que gera mais calor, por isso começa o dia mais cansado. A produtividade deles é menor”, disse.

Invaldo Weis diz que a situação é grave, pois com o calor e pouca chuva, o pasto não se desenvolveu Foto: Fabio Vinicius Plefka/Estadão

Ele pesquisa há 25 anos a exposição do gado às altas temperaturas. Um dos estudos já apontou que a radiação solar intensa pode afetar até a fertilidade das fêmeas. “Fizemos experimentos em vacas doadora de embriões e aquelas criadas em ambientes sombreadas tinham uma qualidade embrionária mais alta do que as que viviam em ambiente de pleno sol”, disse. As vacas criadas em condições de temperatura mais amenas, com melhores condições de termorregulação, também produziram leite de melhor qualidade.

O pesquisador Ricardo Pezzopane, também da Embrapa, lembrou que a onda de calor impacta também a qualidade dos pastos. “Se tiver chuva, o impacto do calor é neutralizado. Este ano, porém, entre setembro e outubro, tivemos duas ondas de calor no Sudeste em período seco, afetando bastante o potencial das pastagens com braquiária.” Os pastos que alimentam o gado podem ser impactados também de forma indireta, quando as condições do clima atrasam lavouras que entram na integração com a pastagem, como a soja e o milho.

Para reverter esse quadro, os pesquisadores da Embrapa apostam no uso de sistemas de produção integrada, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), para proporcionar conforto térmico e diminuir o estresse dos animais em sistemas convencionais. “Quando um animal sente desconforto devido ao calor, ele produz mais hormônio ligado ao estresse. Reduzir o risco de estresse é proporcionar bem-estar ao animal”, disse Garcia.

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O pecuarista Invaldo Weis, da Fazenda Esperança, em Santa Carmem (MT), vê os efeitos do calor acima de 30 graus afetando o rebanho bovino de 3,7 mil cabeças. “A situação é grave, pois com o calorão e pouca chuva, mesmo com adubação o pasto não desenvolveu. Estou tratando no cocho com silagem e milho triturado, mas o gado está perdendo peso. Se não diminuir o calor, vai ficar complicado”, disse. A maior parte do rebanho é de matrizes com bezerros que começam a desmamar este mês. “Para tirar o bezerro do pé da vaca com esse calor, não dá. Minha esperança é a chuva”, disse.

Principais impactos no rebanho bovino:

  • Calor excessivo e pouca chuva afetam a qualidade das pastagens e o gado emagrece;
  • Boi se alimenta menos e se desloca mais para o bebedouro, consumindo energia;
  • A radiação solar afeta a qualidade dos embriões das fêmeas;
  • Temperatura muito alta produz estresse, prejudica a produção de carne e leite e afeta o bem estar animal.

Frango de corte não engorda e galinha põe menos ovos

No caso dos frangos de corte e dos suínos, a analista Juliana Ferraz, do Cepea, lembra que a maior parte da produção está concentrada na região Sul do País, onde as temperaturas são mais amenas. “Não costuma haver impactos muito significativos nesses mercados, mas podem acontecer se as ondas de calor se intensificarem muito”, disse.

Temperaturas acima de 38 graus afetam o equilíbrio metabólico das aves e leva a perdas de desempenho, em um primeiro momento, e mortalidade de aves em casos severos, segundo o pesquisador Paulo Giovanni de Abreu, da Embrapa Aves e Suínos. A alta temperatura exige que o avicultor acione com mais frequência os equipamentos de ventilação e nebulização, sobretudo em aviários de corte, o que demanda maior consumo de energia e eleva os custos de produção.

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As aves aglomeradas nos aviários de corte também emitem calor no ambiente. A faixa ideal para o desenvolvimento das aves, segundo ele, é de 20 graus. Frangos e galinhas abrindo o bico é um dos primeiros sinais do estresse térmico. Em Brasiléia, no interior do Acre, o avicultor Rosildo Freitas perdeu 1.070 frangos de corte devido à onda de calor que atingiu o Estado na primeira semana de novembro deste ano. O aviário não tinha sistema de exaustores e a temperatura chegou a 42 graus no interior da granja.

Em Cascavel, no Paraná, o avicultor Altamir Gomes perdeu 700 frangos em dois dias de temperatura em 38 graus.

A produção de ovos também é afetada. “A galinha sofre muito, mesmo com ventilador ligado. Come menos e diminui a produção e o tamanho dos ovos”, disse o avicultor Geraldo Filho, produtor de ovos caipiras, em Pereiras, no interior de São Paulo. De acordo com o Cepea, por ser um alimento perecível, os produtores também podem registrar perdas de ovos, se não houver escoamento rápido.

  • A ave deixa de se alimentar e há redução de peso corporal e queda na produção de ovos;
  • Níveis de fertilidade mais baixo nas matrizes;
  • Maior risco de surgimento de doenças;
  • Aumento na mortalidade das aves e na perda de ovos em razão do calor excessivo;
  • Impacto indireto com a redução da produção de grãos que compõem sua alimentação.

1. Qual a importância do conforto térmico na produção de leite e carne bovina?
Resposta: O conforto térmico é crucial para o bem-estar dos animais e para a qualidade da produção de leite e carne bovina. As altas temperaturas afetam o comportamento, saúde e produtividade do gado, impactando diretamente a indústria pecuária.

2. Como o estresse calórico afeta a fertilidade das fêmeas bovinas?
Resposta: O estresse calórico causado pela radiação solar intensa pode afetar a qualidade embrionária das fêmeas bovinas, resultando em níveis mais baixos de fertilidade. Isso demonstra a importância de condições térmicas adequadas para garantir a reprodução saudável do rebanho.

3. Quais são os principais impactos do calor intenso na produção de aves?
Resposta: O calor excessivo afeta o equilíbrio metabólico das aves, levando a perdas de desempenho, redução na produção e fertilidade, maior risco de doenças e até mortalidade em casos severos, afetando assim a produção de carne e ovos.

4. Como os avicultores lidam com o estresse térmico das aves em épocas de calor intenso?
Resposta: Os avicultores precisam acionar com mais frequência os equipamentos de ventilação e nebulização, o que demanda maior consumo de energia e eleva os custos de produção. Além disso, monitoram o comportamento das aves e adotam medidas para minimizar os impactos do calor.

5. Qual a importância da integração lavoura-pecuária-floresta na redução do estresse térmico dos animais?
Resposta: A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) é uma estratégia para proporcionar conforto térmico aos animais e diminuir o estresse causado pelo calor. Reduzir o risco de estresse é uma forma de proporcionar bem-estar aos animais e garantir a sustentabilidade da produção.

Impacto das ondas de calor na produção de leite e carne

As ondas de calor intenso têm afetado a produção brasileira de leite e carne, impactando o maior rebanho bovino do mundo, com 234 milhões de cabeças, e o principal exportador de carne bovina. O médico veterinário Alexandre Rossetto Garcia, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, afirma que 80% da produção brasileira de carne e leite está concentrada na faixa intertropical, onde os efeitos das ondas de calor são mais intensos.

Impacto nas condições de bem-estar animal

O gado zebuíno, como o nelore, adaptado ao clima mais quente, também sofre com as altas temperaturas. Estudos conduzidos pelo pesquisador mostraram que o estresse calórico, causado pelo calor, afeta a produção de carne e leite, além de impactar a saúde do animal de forma geral.

Impacto na qualidade das pastagens e na fertilidade das fêmeas

Ricardo Pezzopane, pesquisador da Embrapa, ressalta que as ondas de calor também impactam a qualidade dos pastos. Além disso, o calor intenso afeta a produção de leite, já que pode reduzir a qualidade dos embriões das fêmeas, afetando a fertilidade do rebanho.

Impacto no conforto térmico dos animais

Para reverter esse quadro, os pesquisadores da Embrapa apostam no uso de sistemas de produção integrada, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), para proporcionar conforto térmico e diminuir o estresse dos animais em sistemas convencionais.

Impacto no rebanho bovino e nas condições de criação de frangos e suínos

O calor excessivo afeta a qualidade das pastagens, o bem-estar animal, a produção de carne e leite, além de afetar a criação de aves, como frangos e suínos. A alta temperatura exige que os produtores acionem equipamentos de ventilação e nebulização com mais frequência, o que também aumenta os custos de produção.

Impacto na produção de ovos e mortalidade das aves

A produção de ovos também é afetada, pois as galinhas diminuem o consumo e a produção, além de haver aumento na mortalidade das aves. A ave deixa de se alimentar adequadamente e há redução de peso corporal e queda na produção de ovos.

Impacto no cenário geral da produção agrícola

Além dos impactos diretos na produção animal, as ondas de calor afetam indiretamente a produção de grãos que compõem a alimentação dos animais, gerando um efeito cascata na produção agrícola como um todo.

Com base nas informações fornecidas, é evidente que as ondas de calor têm impactos negativos significativos na produção animal e agrícola, exigindo a implementação de estratégias e tecnologias inovadoras para mitigar esses efeitos.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

Perguntas Frequentes sobre os Impactos das Ondas de Calor na Produção de Carne e Leite

Como as ondas de calor afetam a produção de carne bovina e leite?

As ondas de calor afetam a produção de carne e leite, pois o estresse térmico gerado pelo calor excessivo faz com que os animais se alimentem menos, se desloquem mais para o bebedouro e emitam mais calor no ambiente. Isso resulta em redução na produção de carne e leite, além de afetar o bem-estar animal.

Quais são os impactos no comportamento do gado?

Em condições de estresse calórico, o gado para de se deslocar para comer a fim de preservar sua energia, o que acaba aumentando o estresse e impactando sua saúde. Além disso, animais criados em pleno sol consomem mais energia nos deslocamentos e podem chegar a gastar até 23% mais tempo nos bebedouros em busca de água.

Como a onda de calor afeta a qualidade das pastagens?

A onda de calor impacta a qualidade dos pastos, especialmente em períodos de pouca chuva. Isso compromete o desenvolvimento das pastagens e afeta a alimentação do gado, levando a uma redução na qualidade das pastagens e, por consequência, uma redução na produção de carne e leite.

As ondas de calor intenso afetam também a produção brasileira de leite e carne. O País tem o maior rebanho bovino do mundo, com 234 milhões de cabeças, e é também o principal exportador de carne bovina. De acordo com o médico veterinário Alexandre Rossetto Garcia, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, 80% da produção brasileira de carne e leite estão concentrados na faixa intertropical, onde os efeitos das ondas de calor são mais intensos.

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