O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificou como “ousada” a meta resumida do Plano Nacional de Adubos (PNF) de reduzir, até 2050, a dependência externa do país desses insumos dos atuais 85% para algo entre 50% e 55%. .
“A reconfiguração (do PNF) é importante porque o objetivo é muito ousado. 2050 está chegando e 96% do cloreto de potássio é importado, 72% do fosfato é importado e nosso nitrogênio não é competitivo com o gás internacional”, disse Fávaro em entrevista coletiva nesta quarta-feira (14), após a primeira reunião do Conselho Nacional de Adubos (Confert), órgão gestor do PNF. O PNF foi lançado em março de 2022 pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e agora será analisado pela Confederação.
Na avaliação do ministro, a Petrobras terá um papel muito importante na redução da dependência externa do país em fertilizantes.
“O governo passado estava inclinado a discutir a privatização da Petrobras. Isso não passa pelo atual governo, que quer fortalecer a Petrobras, inserindo-a nas grandes discussões estratégicas do país, como tem feito. A Petrobras já teve um papel importante em fertilizantes”, apontou o ministro.
Entre 2016 e 2020, a empresa fechou e arrendou três de suas quatro fábricas de fertilizantes nitrogenados (fafens) – processo iniciado pelo governo Temer, que decidiu deixar a estatal do setor. A atual gestão suspendeu a venda da Fafen de Três Lagoas (MS).
Para Fávaro, essa abordagem dos governos anteriores para retirar a Petrobras do mercado de fertilizantes foi um dos fatores que contribuíram para aumentar a dependência internacional do país em fertilizantes.
“O objetivo (do PNF) é ousado. Para conseguir a redução para 50% da dependência externa nacional, temos que ampliar o leque de atores e a Petrobras com certeza é muito importante”disse ele ao comentar a entrada da empresa na Conferência.
O ministro também comentou sobre a reconfiguração da Conferência, que será comandada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
“A Petrobras, por exemplo, não tinha mais a política de fertilizantes em suas atribuições. A diretoria (da empresa) mudou isso e ela agora faz parte da Confert. Por isso (a Conferência) precisava de ajustes, porque é um novo modelo de gestão e uma nova estratégia para o governo do presidente Lula”observado.
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