Bovinos de Corte • 19 de janeiro de 2024 • 8 min de leitura

Por que você já teve prejuízo com berme ?

Por que você já teve prejuízo com berme ? Confira os números e as projeções do agronegócio.

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-O berne é uma pequena larva da mosca berneira que enfraquece os animais, diminui a produção de leite e carne e estraga o couro. Para prevenir a instalação da larva é necessário fazer o combate das moscas, limpando os pastos, currais e o local onde os animais bebem água.

 

Além disso, é recomendado retirar diariamente o esterco do curral para evitar o aparecimento das moscas e desinfetar o vasilhame usado no manejo do animal. Caso o animal já esteja com berne é necessário limpar o local onde a larva está instalada no animal e passar pomadas ou pastas bernicidas para matá-los. Os bernicidas sistêmicos são mais eficientes e podem ser injetados ou usados sobre o couro dos animais ou ainda ministrados via oral.

 

É importante também matar todos os bernes que caírem ao chão, pois eles podem se transformar em novas moscas berneiras.

 

-O berne é uma ectoparasitose causada pela larva da mosca Dermatobia hominis, comum no Brasil. O aparecimento dos bernes está relacionado a regiões arborizadas com temperaturas moderadamente altas durante o dia e relativamente frias durante a noite, chuvas moderadas a abundantes, vegetação densa e um número razoável de animais.

 

Os danos causados aos animais são decorrentes da fase parasitária com o desenvolvimento de nódulos subcutâneos (processo inflamatório), irritação (dor e desconforto), infecções secundárias bacterianas (abscessos) e sangramentos (bicheiras).

 

As perdas estão relacionadas à redução no ganho de peso, diminuição da produção leiteira, gastos com mão de obra, medicamentos, desvalorização do couro e predisposição a outras doenças, bem como às bicheiras.

 

-O ciclo da mosca berneira exibe uma particularidade curiosa: as fêmeas não depositam seus ovos diretamente nos bovinos. Ela captura uma mosca de outra espécie durante o vôo e deposita seus ovos no abdômen da mosca capturada. As moscas capturadas são verdadeiros vetores de seus ovos e também são chamadas de foréticos. Os principais vetores são a mosca-dos-chifres, mosca-dos-estábulos e mosca doméstica.

 

Estudos da EMBRAPA relatam que animais com 20 a 40 bernes podem perder de 9 a 14% de peso e os couros, com 10 a 20 perfurações em sua região nobre, perdem de 30 a 40% do seu valor comercial. Calculando uma infestação média anual de 20 bernes, com uma perda de 19,7 kg/animal/ano, a perda total nos cerrados seria de 1,3 milhões de toneladas de peso vivo.

 

-O combate ao berne é um dos mais complicados entre todos os ectoparasitos, pois a própria mosca D. hominis não se aproxima dos possíveis hospedeiros e sim utiliza outras moscas para distribuírem seus ovos. Portanto, o controle do berne implica no controle de um grande número de insetos. Por isso, na maioria dos casos, o combate ao berne restringe-se ao tratamento das larvas presentes no corpo do animal. É importante salientar que existe uma grande preocupação do uso indevido de inseticidas, pois pode causar a seleção de cepas resistentes de insetos foréticos, as quais podem causar um aumento no número dos casos e nos níveis de infestação.

 intensidade parasitária no bovino pode variar em função da época do ano, pelagem (cor e tamanho do pêlo), região corpórea, região geográfica, tipo de vegetação e o relevo de cada propriedade. Embora as larvas sejam sensíveis aos inseticidas sistêmicos, a rápida mudança de gerações e a falta de sazonalidade requerem que qualquer sistema de controle envolva tratamentos repetidos.

 

-O controle efetivo deve ser implantado por meio de dois tipos de tratamentos, o “Controle Estratégico Parasitário e Tático” no rebanho bovino da propriedade (OLIVEIRA et al., 1999). O Controle Integrado deve ser realizado aproveitando as oportunidades de manejo (por exemplo, manejo para a vacinação contra a febre aftosa), em épocas onde as infestações ainda não são expressivas ou no início do programa de Controle Estratégico. Quando as infestações já estão altas o recomendado é o Ataque Múltiplo, que não descarta as demais medidas de controle.

É fundamental adotar medidas de manejo como a remoção e tratamento dos estercos, piscinas de decantação ou biodisgestores no controle de outras moscas. Mesmo que a mosca berneira não faça a postura de ovos em fezes frescas, vale lembrar que existem vetores em parte de seu ciclo e que muitos desses vetores utilizam as fezes para multiplicarem-se. Portanto, se controlarmos a população dos vetores, estaremos automaticamente controlando a população de moscas berneiras.

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O controle da mosca do berne deve ser local e sempre que possível realizado em todas as propriedades vizinhas, o que resulta em resultados mais eficientes e duradouros.

 

Barreiras para o controle efetivo do berne:

1.    Grande diversidade de animais alternativos (silvestres, selvagens e domésticos) facilitando a reprodução dos bernes;

2.    Grande número insetos transportadores dos ovos da mosca do berne;

3.    Sistemas de criação que facilitam a movimentação dos animais em áreas de risco com clima quente, úmido e com árvores;

4.    Uso de medicamentos veterinários com período de ação curto;

5.    Falta de estratégias eficientes de prevenção e controle por parte dos pecuaristas (Controle Estratégico e Tático);

6.    Resistência dos parasitos (vetores).

 

Controle e tratamentos

 

O controle pode ser obtido com o tratamento frequente por meio de pulverizações, banhos ou preparações pour-on. Atualmente, entre os medicamentos utilizadas no controle estão: os organofosforados (DDVP e Clorpirifós), os piretróides (Cipermetrina) associados aos organofosforados, as ivermectinas (endectocidas injetáveis) e fluazuron + abamectina. Os piretróides comumente utilizados como carrapaticidas e mosquicidas têm pouca ação letal contra o segundo e o terceiro estágio do berne, contudo, possuem excelente ação repelente sobre as moscas vetores. Entretanto, os resultados obtidos nem sempre são satisfatórios, devido às variações, histórico de utilização de medicamentos, resistências e outras peculiaridades de cada propriedade.

 

Colosso Pour on, Colosso Pulverização e Cypermil Plus são exemplos de associações de alta eficácia e excelente custo/benefício. A administração de endectocidas injetáveis (Ivermectina OF, Iver LA, Aba LA e Master LP) ou pour on (Fluatac DUO) também são altamente eficazes, quando utilizados em programas de controle.

 

As ivermectinas são os endectocidas mais recentes e mais potentes disponíveis para o combate do berne. Doses de 200 mcg/kg de peso vivo da ivermectina e abamectina são altamente eficazes no controle de todos os estágios do berne. O combate indireto do berne por meio do controle dos vetores está se tornando uma realidade com o uso da ivermectina e doramectina, pois fezes provenientes de bovinos tratados com essas substâncias não permitem o desenvolvimento das larvas dos vetores por 28 dias.

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❓ Perguntas Frequentes (5 FAQs Técnicos de Campo)

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