Grãos 13 de setembro de 2026 10 min de leitura

TMR e recria de novilhas: 5 ajustes para controlar consumo, ganho e custo na Safra 2026/27

TMR para vacas leiteiras, recria de novilhas Nelore, suplemento na seca, manejo de pastagem, nutrição de precisão

Tipo: Evergreen

Resumo Rápido

  • Uma TMR deve ser formulada na matéria seca, e não apenas no peso natural dos ingredientes.
  • Para vacas produzindo 30 a 38 kg de leite, o material apresenta uma referência com 48% de silagem de milho.
  • FDN total entre 28% e 32% da matéria seca ajuda a equilibrar consumo, ruminação e fermentação.
  • Novilhas Nelore na seca podem receber suplemento entre 0,3% e 0,7% do peso corporal.
  • A lotação deve seguir a oferta real de forragem, o clima, a fertilidade e a massa de pasto.

Nutrição de precisão não significa apenas aumentar a quantidade de concentrado ou escolher o suplemento de maior teor energético. O objetivo é alinhar exigência do animal, qualidade do alimento, disponibilidade de forragem, consumo, desempenho e custo por unidade produzida. Em vacas leiteiras, a dieta precisa sustentar produção sem comprometer ruminação e saúde ruminal. Em novilhas Nelore, a recria deve entregar crescimento suficiente para atingir a meta reprodutiva sem excesso de gordura ou desperdício de suplemento.

A formulação deve partir da matéria seca. O peso natural varia conforme a umidade de silagem, feno, pré-secado e subprodutos. Se a equipe distribui os ingredientes sem corrigir a matéria seca, a vaca pode receber uma dieta diferente da planejada. A análise bromatológica, a conferência da mistura e o acompanhamento de consumo são partes do mesmo processo.

Na pastagem, a lógica é semelhante. A recomendação de suplemento depende da massa de forragem, da qualidade do capim, da disponibilidade de água, da lotação e do objetivo de ganho. Uma dose fixa pode funcionar em uma fazenda e falhar em outra. O planejamento da Safra 2026/27 precisa incluir indicadores de consumo, peso, escore, custo e disponibilidade de pasto.

TMR para vacas de alta produção

TMR e recria de novilhas: 5 ajustes para controlar consumo, ganho e custo na Safra 2026/27
Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

Para vacas produzindo entre 30 e 38 kg de leite por dia, o material apresenta como referência uma TMR com aproximadamente 48% de silagem de milho, 12% de pré-secado ou feno de gramínea de boa qualidade, 24% de milho moído ou fonte energética equivalente, 10% de farelo de soja, 3% de núcleo mineral-proteico e 3% de polpa cítrica ou casca de soja, sempre ajustada pela análise bromatológica e pelo custo dos nutrientes.

Essa composição é uma referência operacional, não uma fórmula universal. A qualidade da silagem, a digestibilidade, o teor de amido, a produção do lote, o estágio de lactação e a genética alteram a resposta. A dieta deve ser calculada para o rebanho real e revisada quando mudam os ingredientes ou os resultados produtivos.

A silagem de milho deve apresentar matéria seca preferencialmente entre 32% e 38%. Silagem muito úmida pode reduzir a densidade de nutrientes e aumentar perdas; silagem muito seca pode prejudicar compactação, mistura e consumo. A fibra detergente neutro fisicamente efetiva precisa estimular mastigação e ruminação.

O FDN total da dieta geralmente trabalha entre 28% e 32% da matéria seca. O amido total pode ficar na faixa de 24% a 28%, evitando excesso de carboidratos rapidamente fermentáveis. A meta é equilibrar energia, fibra efetiva e estabilidade ruminal, sem perseguir produção à custa de acidose.

A digestibilidade da FDN da silagem merece acompanhamento. Uma forragem mais digestível pode permitir maior densidade energética sem reduzir a fibra efetiva. A análise deve orientar a proporção de volumoso, concentrado e subprodutos.

Mistura, tamponamento e controle do cocho

A TMR precisa apresentar partículas uniformes e baixa separação no cocho. Se as vacas escolhem o concentrado e deixam o volumoso, a dieta consumida deixa de ser a dieta formulada. A avaliação do tamanho de partícula, da umidade, da ordem de carregamento e do tempo de mistura ajuda a identificar falhas.

A sobra planejada pode ficar entre 2% e 4%, conforme o manejo do lote e a estratégia da fazenda. Sobra excessiva aumenta custo e deterioração; sobra insuficiente indica risco de restrição e competição. O registro diário permite ajustar o fornecimento.

Tamponantes devem ser definidos pela carga de amido, pelo teor de matéria seca, pelo histórico de escore fecal e pela gordura do leite. O material apresenta como combinação prática 0,75% de bicarbonato de sódio e 0,30% de óxido de magnésio na matéria seca da TMR, respeitando o balanço de sódio, magnésio e potássio.

Leveduras vivas podem ser incluídas conforme a recomendação do fabricante, mas não substituem fibra efetiva, mistura homogênea, água e manejo de cocho. O aditivo não corrige uma dieta mal formulada, uma silagem deteriorada ou uma falha de acesso ao alimento.

A avaliação deve reunir consumo de matéria seca, gordura e proteína do leite, ruminação, variação de pH quando disponível e escore fecal. Em condições adequadas, o material cita conversão alimentar entre 1,35 e 1,55 kg de leite corrigido para energia por kg de matéria seca consumida, dependendo do estágio de lactação, mérito genético e qualidade da forragem.

Recria de novilhas Nelore na seca

Na seca, pastagens tropicais maduras costumam apresentar menor qualidade nutricional. A suplementação precisa corrigir deficiência de proteína degradável no rúmen, baixa disponibilidade de energia fermentável e limitação mineral. Uma estratégia proteico-energética pode utilizar, na matéria natural, aproximadamente 35% de milho ou sorgo moído, 35% de farelo de soja ou algodão, 20% de casca de soja ou polpa cítrica, 5% de núcleo mineral e 5% de fonte de ureia de liberação lenta.

A formulação deve respeitar o consumo planejado, a qualidade do pasto e a segurança de uso da ureia. A mistura precisa ser homogênea, e a adaptação deve evitar acesso irregular ao suplemento. Água limpa deve estar disponível, pois o consumo de matéria seca e o uso de nutrientes dependem da hidratação.

Para novilhas entre 250 e 350 kg, o material apresenta consumo entre 0,3% e 0,7% do peso corporal quando o objetivo é ganho entre 0,45 e 0,70 kg por dia. A conversão esperada do suplemento pode variar entre 4,5 e 7,0 kg de matéria seca de suplemento por kg de ganho, dependendo do pasto residual e da eficiência de utilização do nitrogênio.

Esses valores não substituem pesagem e avaliação do lote. Se o ganho estiver abaixo do objetivo, verifique massa de forragem, consumo real, cocho, água, sanidade e qualidade do suplemento. Se estiver acima do necessário, avalie custo, deposição de gordura e impacto sobre a reprodução.

Manejo do pasto e taxa de lotação

A pastagem deve preservar área foliar remanescente e reduzir o consumo de colmos de baixa digestibilidade. A lotação deve ser definida pela oferta de forragem, e não apenas por uma taxa fixa. No Panicum maximum cv. Mombaça bem adubado, o material apresenta referência aproximada de 2,5 a 4,5 UA/ha na estação de crescimento e 1,0 a 2,0 UA/ha na seca, conforme chuva, fertilidade, massa de forragem e taxa de acúmulo.

No Mombaça, uma faixa prática de manejo pode considerar entrada próxima de 80 a 90 centímetros e saída entre 35 e 45 centímetros, desde que a massa de forragem confirme disponibilidade adequada. O período de ocupação deve ser curto, geralmente inferior a três dias, para limitar o consumo da rebrota.

A adubação nitrogenada precisa ser parcelada e sincronizada com chuva, oferta de enxofre e capacidade de suporte da propriedade. Aplicar nitrogênio sem capacidade de utilização pode elevar custo e não produzir o ganho esperado. A avaliação de massa pré e pós-pastejo ajuda a definir a lotação e o momento de movimentar os animais.

Na seca, o produtor deve evitar manter lotação de águas sem ajuste. A redução da capacidade de suporte exige planejamento de venda, diferimento, suplementação ou redistribuição dos lotes. O objetivo é não deixar o animal consumir apenas material fibroso e de baixa digestibilidade.

Indicadores zootécnicos e econômicos

A avaliação semanal deve incluir peso corporal ou estimativa por ultrassom, consumo de suplemento, escore de condição corporal, lotação instantânea, massa de forragem antes e depois do pastejo e custo por quilo de ganho.

Para novilhas destinadas à reprodução, o ganho não deve ser maximizado sem controle. Excesso de deposição de gordura pode comprometer a eficiência reprodutiva, enquanto crescimento insuficiente atrasa a idade ao primeiro serviço. O alvo precisa considerar peso adulto do rebanho, estação de monta e disponibilidade de alimento.

O material apresenta como referência alcançar aproximadamente 60% a 65% do peso adulto ao primeiro serviço. Essa meta deve ser acompanhada individualmente sempre que possível. Lotes muito desuniformes podem esconder animais atrasados e animais acima do objetivo.

Na pecuária leiteira, a conversão alimentar deve ser acompanhada junto com gordura, proteína, saúde ruminal e condição corporal. Produzir mais leite com queda acentuada de escore ou aumento de doenças não representa necessariamente melhor eficiência econômica.

Visão do Especialista Sênior

Eu começo qualquer ajuste nutricional pela matéria seca e pelo consumo real. Não considero suficiente conhecer a porcentagem de silagem ou concentrado no papel. É preciso verificar o que chega ao cocho, o que a vaca seleciona, a sobra e o resultado no leite.

Na recria de novilhas, eu prefiro trabalhar com metas de ganho e peso, não com quantidade fixa de suplemento. A dose deve acompanhar o pasto e o objetivo reprodutivo. Também acompanho custo por quilo de ganho, porque suplemento eficiente é aquele que melhora o resultado econômico, não apenas o peso do animal.

💬 Opinião do Canal – Análise Global:

A nutrição de precisão acompanha uma disputa global por ingredientes, energia e eficiência. Milho, farelo, polpa e fontes minerais precisam ser avaliados pelo custo do nutriente e pela resposta animal. O uso de volumoso de qualidade e a redução de perdas ajudam a proteger a margem quando os preços dos insumos oscilam.

💬 Opinião do Canal – Análise Nacional:

No Brasil, a diferença entre águas e seca torna indispensável ajustar dieta, lotação e suplementação. A mesma taxa de lotação não pode ser mantida sem considerar chuva, fertilidade e massa de forragem. Na produção de leite, a qualidade da silagem e o manejo do cocho definem grande parte da resposta da TMR.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Pergunta: Qual proporção de silagem aparece na referência de TMR apresentada?
Resposta: A referência para vacas de 30 a 38 kg de leite inclui aproximadamente 48% de silagem de milho na matéria seca, com ajuste por análise e desempenho.

Pergunta: Qual faixa de FDN total é indicada?
Resposta: O material apresenta geralmente entre 28% e 32% da matéria seca, considerando fibra efetiva, consumo e risco de fermentação.

Pergunta: Quanto suplemento uma novilha Nelore pode receber na seca?
Resposta: A referência apresentada varia entre 0,3% e 0,7% do peso corporal, conforme objetivo de ganho e qualidade do pasto.

Pergunta: Qual lotação usar no Mombaça?
Resposta: O material cita aproximadamente 2,5 a 4,5 UA/ha no crescimento e 1,0 a 2,0 UA/ha na seca, sempre conforme oferta real de forragem.

Pergunta: Qual indicador deve ser acompanhado primeiro?
Resposta: Consumo, peso, ganho, escore, massa de forragem e custo por quilo de ganho devem ser avaliados em conjunto.

Conclusão & CTA

A TMR precisa ser ajustada pela matéria seca, qualidade dos ingredientes, fibra efetiva e resposta do lote. Na recria de novilhas Nelore, a suplementação deve corrigir limitações do pasto sem perder o controle do custo e do objetivo reprodutivo. Pesagem, consumo, massa de forragem e margem transformam a nutrição em decisão de gestão.

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Fonte

Embrapa
MAPA

Sobre o Especialista

Dr. Rafael Mendes é Médico-Veterinário, especialista em nutrição de ruminantes, manejo de pastagens, recria de bovinos e gestão zootécnica de propriedades.