Grãos 21 de julho de 2026 3 min de leitura

Saúde clínica de bovinos depende de triagem, conforto e protocolos escritos

cetose em vacas leiteiras, BHB, período de transição, doença respiratória bovina, DRB em Nelore, vacinação bovina, manejo sanitário

Tipo: Evergreen

Corpo

A saúde clínica dos bovinos deve ser acompanhada por exame físico, histórico do lote, consumo, vacinação, conforto e registros individuais. Na Safra 2026/27, a identificação precoce de alterações metabólicas e respiratórias pode reduzir perdas de produção, ganho de peso, fertilidade e sobrevivência.

No período de transição, o balanço energético negativo é fisiológico, mas pode se tornar prejudicial quando a ingestão de matéria seca não acompanha a exigência da lactação. Queda de consumo, menor atividade no cocho, fezes mais secas, hálito cetônico, perda de escore corporal e redução da produção justificam atenção.

Saúde clínica de bovinos depende de triagem, conforto e protocolos escritos
Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

O beta-hidroxibutirato, conhecido como BHB, ajuda a identificar alterações metabólicas mesmo quando os sinais são discretos. A interpretação deve ser associada à avaliação de consumo, temperatura, hidratação, motilidade ruminal, escore corporal e histórico de gestação gemelar ou episódios anteriores de cetose.

O tratamento depende da gravidade e das causas associadas. O propilenoglicol pode ser prescrito por via oral conforme a bula e a avaliação do médico-veterinário. A administração deve ser cuidadosa, porque a aspiração pode provocar pneumonia; dextrose intravenosa é procedimento exclusivo de profissional habilitado.

BHB elevado não significa infecção bacteriana e não justifica o uso de antibiótico. Antimicrobianos devem ser reservados a diagnósticos ou suspeitas fundamentadas de doenças como metrite, mastite e pneumonia, com respeito à prescrição, à via de aplicação e ao período de carência.

Em bovinos Nelore, transporte prolongado, jejum, poeira, mistura de lotes e ventilação deficiente podem favorecer a doença respiratória bovina. Tosse, secreção nasal, febre, isolamento, cabeça baixa e aumento do esforço respiratório exigem separação e avaliação imediata.

A prevenção respiratória começa antes do embarque e inclui vacinação conforme a bula e o programa epidemiológico, planejamento do transporte, redução do jejum, descanso na chegada, oferta de água e volumoso palatável e quarentena operacional. A metafilaxia deve ser avaliada pelo médico-veterinário conforme o risco do lote.

Na pecuária leiteira, a prevenção metabólica passa por dieta equilibrada, fibra fisicamente efetiva, mistura homogênea, cocho acessível, água limpa e conforto térmico. O acompanhamento do escore corporal deve ocorrer ao longo do ciclo, e os dados precisam orientar a priorização de exames e ajustes de manejo.

Conclusão: Protocolos escritos, registros confiáveis, vacinação auditável e observação diária transformam sinais clínicos em decisões rápidas, favorecendo a eficiência produtiva e o uso responsável de medicamentos.

Fonte: MSD Veterinary Manual — Cetose em bovinos; MSD Veterinary Manual — Complexo da doença respiratória bovina; Ministério da Agricultura e Pecuária — Saúde animal; Embrapa Gado de Leite; Embrapa Gado de Corte.