Produtores de morango do Paraná são pioneiros no norte
Produtores de morango do Paraná são pioneiros no norte

A pioneira norte do Paraná conquistou, o terceiro registro de Indicação Geográfica (IG).

Agora, além da goiaba de Carlópolis e dos cafés especiais, os morangos produzidos por um grupo de fruticultores dos municípios de Jaboti, Japira, Pinhalão e Tomazina, também terão vantagem competitiva com o selo do Instituto Nacional de Propriedade (INPI).

O IG facilita o acesso aos mercados nacionais e internacionais e garante maior valor agregado e competitividade.

O selo do morango foi concedido na modalidade Indicação de Procedência (pedido número BR 402020000015-9 e código de concessão de registro 395), relacionado à tradição e reputação dos produtores, o que torna a região conhecida como polo frutícola.

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Os quatro municípios concentram mais de 500 pequenos fruticultores, cerca de 8 milhões de plantas cultivadas em quase 200 hectares, e um volume de produção anual que chega a cerca de 7 mil toneladas.

O norte pioneiro é considerado o maior produtor de morango de todo o estado, segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) – Iapar-Emater.

De olho na possibilidade de diferenciar o produto, que já é tradicional na região, o Sebrae/PR realizou um diagnóstico preliminar, que apontou o potencial do morango para conquistar o IG.

A ideia, com o pedido de registro, era transformar esse potencial em benefícios para os produtores, como visibilidade, mais valor agregado e acesso a novos mercados.

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“Foram mais de mil horas de trabalho e um extenso dossiê enviado ao INPI, além de diversos treinamentos com fruticultores, para que o IG se tornasse possível”, diz o consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello.

Essa força-tarefa teve início em 2019 e contou com o apoio do IDR Iapar-Emater, Ministério da Agricultura, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar/PR), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Universidade Federal do Paraná (UFPR), municípios e produtores.

As ações foram pautadas no associativismo. “Conversamos com os produtores e os apoiamos na criação e planejamento da associação, com ações focadas em compras conjuntas, desenvolvimento do caderno de campo e treinamentos”, conta Capello.

Ele lembra que o IG faz parte de uma estratégia de desenvolvimento regional, que busca fazer do norte um pioneiro em produtos diferenciados.

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De acordo com o produtor de morangos e presidente da Associação Norte Velho (ANV), Carlos Inácio, as principais mudanças nas propriedades dos cerca de 25 associados foram priorizar o uso de produtos orgânicos, que não agridem o meio ambiente, e utilizar , quando necessário, apenas produtos químicos registrados para o cultivo de morango.

“O objetivo é apresentar um alimento seguro ao consumidor final”, enfatiza. Com a lavoura protegida, os fruticultores podem cultivar morangos durante todo o ano. Para ele, que vive exclusivamente da renda da fruta, o IG trará mais competitividade.

O fruticultor de Jaboti, Marcelo Augusto da Mata Siqueira, diz que a conquista do IG é um sonho para a região.

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Ele lembra que a cultura exige trabalho manual pesado e o selo reconhece a dedicação dos produtores. “Trará visibilidade, atrairá mais compradores, maior valor agregado e, com certeza, teremos mais pessoas querendo investir em cultura”, afirma.

Segundo ele, hoje os principais mercados de morango do norte pioneiro são Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O cultivo da planta começou na década de 1990, no norte pioneiro do Paraná. A fruta surgiu como uma alternativa para os pequenos produtores utilizarem a mão de obra local e evitarem o êxodo rural.

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O morango era tecnicamente viável e rentável, capaz de oferecer qualidade de vida às famílias.

Foi então que o IDR Iapar-Emater criou um plano de desenvolvimento para a fruticultura, inicialmente nos municípios de Ibaiti e Pinhalão.

Com ajuda do governo, o plantio inicial chegou a 480 mil mudas de morango.

A partir daí, a cultura recebeu apoio dos governos estaduais e municipais, expandiu-se rapidamente e tornou-se a principal atividade econômica de municípios como Jaboti.

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Passou a desempenhar um importante papel social e a viabilizar pequenas propriedades agrícolas, revertendo o êxodo rural, elevando o padrão de vida e renda do pequeno produtor, com o aumento da oferta de empregos e aquecendo a economia regional.

O morango do norte pioneiro começou, então, a ser reconhecido no Paraná e em São Paulo por sua alta qualidade, resultado da combinação de condições climáticas favoráveis ​​e solos bem manejados.

Produtos com IG no Paraná

Com o morango do norte pioneiro, o Paraná passa a contar com dez produtos com registro de IG.

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Os outros são: Bala de Banana de Antonina, Melaço de Capanema, Goiaba Carlópolis, Queijo Witmarsum, Uva Marialva, Café do Norte Pioneiro, Mel do Oeste, Mel de Ortigueira, Erva-mate São Matheus, do sul do Paraná.

Outros quatro produtos aguardam certificação do INPI, como Vinhos de Bituruna, Barreado do Litoral do Paraná, Farinha de Mandioca do Litoral do Paraná e Cachaça de Morretes.

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