Em um certo dia um vizinho que gostava de copiar o outro vendo o seu vizinho preparando a terra resolveu fazer o mesmo. Quando o primeiro plantava o outro ia e copiava…
Pastejo Rotacionado – Cuidados e Tecnicas
depois o capim nasceu e o primeiro foi e dividiu a área em piquetes utilizando um fio de arame somente e por fim quando o primeiro soltou seus animais na área o outro fez igualzinho… Mas por um inconveniente tremendo pegou fogo na área do primeiro vizinho e por surpresa…
o segundo ateou fogo na sua também…
Engraçado, porém trágico quando se trata de manejo ideal do capim. O objetivo não era copiar e sim adequar para cada vizinho, as características de cada área e cada manejo.
Quando pensamos em pastagem, obviamente que o manejo deve ser específico para cada propriedade, mas que este segue alguns princípios básicos que são passados nos centros de pesquisas e universidades para serem implantados por produtores.

Tratando especificamente de pastejo em sistema de lotação rotacionada, podemos inferir que nada mais é que dividir a área em piquetes de acordo com a forrageira utilizada (número de dias de descanso) e dias de ocupação (tempo que os animais permanecem no piquete).
Nos sistemas de produção intensiva, o sistema de pastejo com lotação rotacionada é o mais indicado, por garantir maior uniformidade e eficiência de pastejo. Para tanto, o número de piquetes será em função do período de descanso (PD) (Tabela 1), que varia de acordo com a espécie forrageira utilizada e do período de ocupação (PO), que pode ser obtido pela equação: Número de piquetes =(PD/PO) +
1. O período de ocupação deve ser com menor duração possível, podendo variar de 1 a 8 dias garantindo assim melhor rebrota das plantas e facilitar o controle da lotação da pastagem.
Tabela 1. Principais Gramíneas forrageiras tropicais com seus respectivos períodos de descanso (dias)
Pastejo Rotacionado – Cuidados e Tecnicas

Como descrito, o período de ocupação está mais relacionado com a espécie animal e o objetivo desta do que outra coisa. Certamente que períodos de ocupação de um dia seria o ideal, pois a forrageira ao ser consumida (pastejada) já começa a rebrotar e desta forma, se o animal voltar a pastejá-la irá com certeza prejudicar sua rebrota prejudicando de certa forma o pastejo do ciclo posterior (chamamos de ciclo de pastejo o tempo no qual o animal demora para voltar a pastejar o mesmo piquete dentro do sistema de piquetes os quais ele se encontra).
Ainda, manter um dia de ocupação, favorece que o animal que está pastejando (principalmente gado de leite) se alimente de uma forragem de mesmo valor nutricional ou ainda, explicando de outra forma, se o animal permanecer mais dias no mesmo piquete, um dia ele comerá somente folha (de maior qualidade, maior proteína) e no outro poderá comer além da folha, o colmo da forragem, de menor valor proteico. Para gado de corte isto não é primordial podendo utilizar mais que um dia de ocupação.
indo assim, considerando um hectare a ser dividido e, portanto rotacionado, se efetuarmos uma breve conta com 27 dias de descanso e um dia de ocupação, teremos 28 piquetes. Considerando 10000 metros quadrados teremos piquetes de aproximadamente 350 metros quadrados. Também teremos que ter corredores de acesso e por isso os piquetes seriam pouco menores que isso.
Tudo feito e tudo resolvido, mas quantos animais iremos colocar na área? Conta simples a ser realizada. Primeiramente qual produtividade do capim utilizado em função do manejo?
Para isso devemos medir a produtividade do capim por área. Devem-se obter a cada área algumas coletas de material e estimar a lotação. Para isso, devemos coletar o capim rente ao solo com uma moldura de área conhecida.
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Podemos utilizar um metro quadrado, ou seja, uma moldura feita de cano, ferro ou até mesmo de bambu (Figura 1) de dimensões 1×0,5m (meio metro quadrado) ou ainda 1×1 m (1 metro quadrado). Feito isso cortamos toda forragem rente ao solo em pelo menos uns 3 a 5 pontos na área e depois de feito isso, pesamos e multiplicamos este peso por 0,20 (20 % o teor de matéria seca que é o teor médio de matéria seca do capim no ponto ótimo de corte).
Logicamente que em cada caso este teor de matéria seca ira ser diferente, mas com a utilização de 20 % já teremos uma grande aproximação da realidade. Existem metodologias especificas e simples para fazer isso.
Feito isto teremos uma produtividade de massa seca pela área coletada. Multiplique esta produção por 0,7 ou 70% (valor que usamos para desconsiderarmos as perdas (30%) e altura de resíduo do capim) e teremos a produtividade média pela área coletada. Assim, extrapolamos para a área toda multiplicando o peso médio de um metro quadrado pelo tamanho do piquete e assim temos a produtividade do piquete (massa seca por dia).
Para vermos a lotação, consideramos que uma vaca de leite come por volta de 2,5 a 4 % do peso vivo (de corte ao redor de 1,8%) em massa seca por dia, ou seja, um animal de 500 kg x 3% comerá 15 kg de massa seca por dia. Sendo assim, se o meu piquete produz por dia 150 kg de massa seca, dividindo-se temos uma lotação de 10 animais.
Caso nós utilizemos mais dias de ocupação, fica evidente que teremos que dividir a produção daquele piquete pelos dias de ocupação e assim ajustar a lotação. Para tanto, se aumentarmos o número de dias de ocupação, se lembrarmos bem, iremos diminuir o número de piquetes e portanto aumentar a área de cada piquete…segundo a fórmula anterior.
Pastejo Rotacionado – Cuidados e Tecnicas

Logicamente tudo é variável a cada caso, mas com certeza desta forma iremos calcular a lotação utilizada. Ainda, (segundo nosso exemplo) se dividimos um hectare por 28 piquetes e um dia de ocupação, teremos que a cada dia, comerá 10 animais sendo rotacionado nos piquetes, ou ainda estes dez animais, irão comer um piquete por dia e quando eles voltarem no primeiro piquete, consideraremos um ciclo de pastejo ou ainda lotação de 10 animais por hectare, em um rotacionado de 1 hectare com 28 piquetes com um dia de ocupação.
Somente como exemplo, em uma área de 2 hectares, divididos em 28 piquetes do dobro de tamanho, teremos 20 animais em dois hectares com a lotação de 10 animais por hectare e assim por diante.
Obviamente que este ajuste não é viável ser realizado diariamente, mas com certeza poderemos fazê-lo, (no mínimo) uma vez por ciclo de pastejo, pois consideramos que ao longo do ano a produtividade do capim varia e devemos ajustar a lotação para que não falte comida aos animais.
Também, devo ressaltar que ao longo do tempo nossos olhos vão ficando calibrados e conseguiremos aumentar ou diminuir a lotação apenas visualmente (diariamente). Em resumo, faltou comida retiramos animais e sobrou comida adicionamos animais.
Também temos casos inversos em que o produtor tem área sobrando e por isso quer rotacionar uma área qualquer para 20 animais. A conta seria o inverso, pois desta forma faremos a conta sobre a lotação, considerando a lotação média por área, dividindo então esta área por determinados número de piquetes e assim em diante.
Pastejo Rotacionado – Cuidados e Tecnicas
Mas, então, qual o tamanho ideal de rotacionado? Devo separar novilhas e vacas, animais a serem abatidos ou afins em outro rotacionado?
A resposta mais simples que comento com as pessoas é que o rotacionado varia de acordo com sua propriedade, sua área, número de animais, ou ainda, o que mais gosto de dizer é que para gado de leite, está relacionado com a média do número de animais por lote (se possível utilizar um rotacionado por lote) e ainda para animais de corte, está inteiramente relacionado com o quanto de animais cabem no seu curral ao mesmo tempo para serem manejados.
Enfim, quanto menor for o rotacionado melhor e mais intensivo será o manejo e, portanto, melhor poderá ser, mas já vi o contrário acontecer. Sobre categorias animais, se puder separe por idade, por lotes e ainda principalmente, sem sombra de dúvidas, por espécie