Grãos 6 de agosto de 2026 11 min de leitura

Novilhas Nelore na seca: o plano de suplementação que transforma proteína em ganho mensurável

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Tipo: Evergreen

Resumo Rápido

  • O suplemento para novilhas Nelore na seca pode conter 28% a 32% de proteína bruta.
  • A oferta de referência fica entre 0,3% e 0,5% do peso corporal na matéria natural.
  • A composição deve considerar pasto, energia, proteína degradável, enxofre e adaptação à ureia.
  • O monitoramento inclui pesagem a cada 28 ou 35 dias e avaliação da altura do pasto.
  • Ganho de 650 a 900 g/dia é uma referência possível em condições favoráveis.

A seca reduz a qualidade e a disponibilidade da forragem, especialmente quando o pasto perde folhas e aumenta a proporção de colmos e material senescente. Para novilhas Nelore em recria, esse período pode comprometer o ganho médio diário, atrasar o desenvolvimento estrutural e prejudicar o planejamento reprodutivo. A suplementação proteico-energética é uma ferramenta para reduzir essa perda de desempenho, mas não substitui o manejo do pasto.

O suplemento precisa ser formulado de acordo com a oferta de forragem, o peso dos animais, o objetivo de ganho e a estrutura da fazenda. Como referência prática, pode apresentar entre 28% e 32% de proteína bruta e ser fornecido entre 0,3% e 0,5% do peso corporal na matéria natural. Essas faixas não são uma receita universal. O consumo, a qualidade do capim, o parasitismo, o estresse térmico e a disponibilidade de água alteram a resposta.

A meta também deve ser mensurável. Em condições favoráveis, novilhas suplementadas podem alcançar ganhos de 650 a 900 gramas por dia. A conversão do suplemento pode ficar entre 4,5 e 7,0 quilos de matéria seca adicional por quilo de ganho, dependendo da qualidade do pasto e do consumo efetivo. Sem pesagem e sem controle da oferta, o produtor não consegue saber se o suplemento está gerando ganho ou apenas elevando o custo.

O que muda no pasto durante a seca

Novilhas Nelore na seca: o plano de suplementação que transforma proteína em ganho mensurável
Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

O capim perde qualidade à medida que diminui a proporção de folhas e aumenta a presença de colmos e material seco. Essa alteração reduz a concentração de proteína e pode limitar a digestão e o consumo. A novilha ainda encontra forragem, mas o alimento disponível pode não fornecer proteína degradável e energia fermentável suficientes para manter a atividade dos microrganismos ruminais.

O primeiro passo é avaliar o pasto antes de escolher o suplemento. A altura, a massa de folhas, a presença de material morto e a uniformidade do lote precisam ser observadas. A suplementação não corrige uma área sem forragem disponível. Se o animal não consegue colher quantidade suficiente de capim, aumentar o concentrado pode elevar o custo sem entregar o desempenho esperado.

O manejo rotacionado ajuda a organizar a oferta. Para capim-mombaça, a referência apresentada é entrada próxima de 80 a 90 centímetros e saída entre 35 e 45 centímetros. O objetivo é evitar o pastejo excessivo dos colmos e preservar área foliar para a rebrota. As alturas devem ser ajustadas ao crescimento real da planta, à fertilidade e à estação.

A lotação também deve acompanhar a capacidade do pasto. Como referências iniciais, o sistema pode trabalhar com 3,0 a 5,0 unidades animais por hectare nas águas e 1,5 a 2,5 unidades animais por hectare na seca, ajustando conforme a massa de folhas e a rebrota. Esses valores não devem ser usados de forma automática. A oferta observada é mais importante do que uma taxa fixa.

Formulação do suplemento proteico-energético

Uma estratégia prática apresentada no material utiliza suplemento com 28% a 32% de proteína bruta, fornecido entre 0,3% e 0,5% do peso corporal na matéria natural. A composição de referência contém 35% de milho ou sorgo moído, 30% de farelo de soja, 20% de farelo de algodão, 8% de casca de soja, 5% de núcleo mineral e 2% de ureia protegida.

Essa composição precisa ser corrigida conforme a análise dos ingredientes, o teor de proteína degradável, a energia disponível e a necessidade de enxofre. Os percentuais não devem ser tratados como fórmula imutável. Milho, sorgo, farelo de soja, farelo de algodão e casca de soja podem apresentar variação de qualidade e preço. A formulação final precisa respeitar o objetivo nutricional e a segurança de fornecimento.

A ureia exige cuidado. O material recomenda adaptação, mistura homogênea e oferta contínua de alimento. O produto nunca deve ser fornecido de forma concentrada, irregular ou separado dos demais ingredientes. A distribuição desigual pode criar pontos de consumo excessivo e risco de intoxicação. A equipe precisa ser treinada para reconhecer o procedimento correto e manter o cocho abastecido conforme o protocolo.

A água deve estar disponível e limpa. O suplemento aumenta a importância do consumo hídrico e da regularidade de acesso. Cochos inadequados, lama, distância excessiva ou competição podem reduzir o consumo ou criar dominância entre os animais. O número e a posição dos cochos devem ser compatíveis com o tamanho do lote.

O fornecimento precisa ocorrer com rotina. Horários muito variáveis alteram o padrão de consumo. O produtor deve acompanhar sobras, comportamento, uniformidade do lote e sinais de seleção. A quantidade oferecida pode ser ajustada gradualmente, sempre considerando o peso corporal e a resposta dos animais.

Metas de ganho e controle da conversão

O ganho de 650 a 900 gramas por dia é uma referência para condições favoráveis, não uma garantia. A resposta depende da qualidade do pasto, da oferta de suplemento, do consumo individual, do parasitismo, do estresse térmico e do potencial genético das novilhas. Um lote com suplemento adequado pode apresentar baixo desempenho se a forragem estiver insuficiente ou se houver doença.

A pesagem a cada 28 ou 35 dias permite calcular o ganho médio diário. O intervalo é suficiente para reduzir o efeito de variações momentâneas de enchimento ruminal e observar a tendência do lote. A avaliação deve ser feita com procedimento semelhante, registrando peso, data, lote e eventuais alterações de manejo.

A conversão do suplemento deve ser acompanhada. A referência de 4,5 a 7,0 quilos de matéria seca adicional por quilo de ganho ajuda a avaliar eficiência. Se o consumo aumenta, mas o ganho não acompanha, o produtor deve investigar qualidade do pasto, formulação, parasitismo, competição no cocho e estresse térmico.

O custo por quilo de ganho é mais útil do que o preço do suplemento isoladamente. O cálculo deve incluir a quantidade consumida, o preço dos ingredientes, perdas no cocho, mão de obra, transporte e impacto sobre o desempenho. O suplemento mais barato pode não ser o mais econômico se não entregar proteína e energia na proporção necessária.

O escore corporal também deve ser registrado. Novilhas precisam desenvolver estrutura adequada sem excesso de deposição de gordura. O objetivo é preparar animais para a reprodução e para a vida produtiva, não apenas aumentar peso rapidamente.

Reprodução e desenvolvimento das novilhas

A nutrição da recria interfere no momento em que a novilha alcança desenvolvimento suficiente para entrar no programa reprodutivo. Ganho insuficiente pode atrasar o primeiro serviço; ganho excessivo pode favorecer deposição de gordura e elevar o custo. O manejo deve buscar equilíbrio entre peso, estrutura, condição corporal e idade.

A suplementação deve ser planejada antes do agravamento da seca. Quando o produtor espera a perda corporal aparecer, o custo para recuperar o lote tende a aumentar. Além disso, a recuperação pode ocorrer tarde demais para o calendário reprodutivo. O planejamento antecipado permite ajustar lotação, reservar áreas e comprar ingredientes com maior controle.

O parasitismo precisa ser considerado. A perda de desempenho pode ser atribuída ao pasto ou ao suplemento quando, na realidade, o lote apresenta carga parasitária. O controle deve seguir avaliação e orientação técnica, evitando tratamentos sem diagnóstico ou uso inadequado de produtos.

O estresse térmico também reduz consumo e ganho. Sombra, água e deslocamentos adequados ajudam a preservar o comportamento ingestivo. Em períodos quentes, o horário de fornecimento e a disponibilidade de água devem ser revisados.

A uniformidade do lote é outro indicador. Animais dominantes podem consumir mais suplemento, enquanto novilhas menores permanecem em desvantagem. Separar lotes por tamanho e acompanhar a distribuição do consumo melhora a resposta e reduz a competição.

Manejo do capim-mombaça e ajuste da lotação

No capim-mombaça, a entrada próxima de 80 a 90 centímetros e a saída entre 35 e 45 centímetros são referências operacionais para preservar folhas e evitar o consumo excessivo de colmos. O acompanhamento deve ser frequente, porque crescimento, chuva, fertilidade e lotação alteram rapidamente a altura.

A entrada muito tardia pode aumentar a proporção de colmos e reduzir a qualidade da dieta. A saída muito baixa compromete a área foliar e a rebrota. O manejo deve buscar equilíbrio entre colheita de folhas e manutenção da planta. A altura não substitui a avaliação da massa de forragem, mas oferece um indicador prático para a rotina.

A lotação deve ser reduzida quando a seca diminuir a rebrota. As referências de 3,0 a 5,0 UA/ha nas águas e 1,5 a 2,5 UA/ha na seca servem como ponto inicial de planejamento. A taxa real depende da oferta de folhas, do solo, da fertilidade e da duração do período seco.

A suplementação e o pasto precisam ser avaliados juntos. Não adianta elevar o concentrado para compensar uma pastagem degradada ou superlotada. A decisão correta pode envolver ajuste de lotação, fornecimento de volumoso, mudança de área ou redução temporária da meta de ganho.

Visão do Especialista Sênior

Eu começo o planejamento da suplementação pela avaliação do pasto e pelo peso das novilhas. Só depois defino a quantidade de suplemento e a concentração de proteína. A faixa de 28% a 32% de proteína bruta é uma referência útil, mas não substitui a análise da forragem e dos ingredientes. Também acompanho a adaptação quando há ureia, a homogeneidade da mistura e o acesso de todos os animais ao cocho.

Minha recomendação é pesar o lote a cada 28 ou 35 dias e calcular ganho médio diário, consumo e custo por quilo de ganho. Quando a meta de 650 a 900 gramas por dia não aparece, eu não aumento automaticamente o suplemento. Primeiro verifico pasto, parasitismo, água, calor, competição e qualidade da mistura. O objetivo da recria é preparar uma novilha funcional e economicamente eficiente, não apenas produzir peso no curto prazo.

💬 Opinião do Canal – Análise Global:

A eficiência da recria depende da disponibilidade de proteína, energia e forragem em diferentes estações. Sistemas de produção competitivos procuram reduzir desperdícios, medir conversão e adaptar a suplementação ao ambiente. A busca por desempenho precisa caminhar junto com bem-estar, uso responsável de insumos e preservação da capacidade produtiva do pasto.

💬 Opinião do Canal – Análise Nacional:

No Brasil, a seca impõe grande variação entre regiões e propriedades. Por isso, referências de proteína, oferta e lotação devem ser ajustadas ao capim disponível, ao peso dos animais e ao objetivo de ganho. A recria bem conduzida protege o calendário reprodutivo e reduz o custo de recuperação no fim da estação seca.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Pergunta: Qual concentração de proteína bruta usar no suplemento?
Resposta: A referência apresentada fica entre 28% e 32% de proteína bruta, com ajuste conforme o pasto, os ingredientes e o objetivo de ganho.

Pergunta: Quanto suplemento oferecer às novilhas?
Resposta: A faixa de referência é de 0,3% a 0,5% do peso corporal na matéria natural, sempre ajustada ao consumo e ao manejo.

Pergunta: Qual ganho diário pode ser alcançado?
Resposta: Em condições favoráveis, a referência é de 650 a 900 gramas por dia, mas o resultado depende de pasto, saúde e consumo.

Pergunta: Como usar ureia com segurança?
Resposta: É necessário adaptar os animais, garantir mistura homogênea e manter oferta contínua de alimento, com orientação técnica.

Pergunta: Com que frequência pesar as novilhas?
Resposta: A recomendação apresentada é realizar pesagens a cada 28 ou 35 dias, registrando peso e ganho médio diário.

Conclusão & CTA

A suplementação de novilhas Nelore na seca funciona melhor quando está integrada ao manejo do pasto, à avaliação da saúde e ao controle de custos. A proteína do suplemento, a oferta entre 0,3% e 0,5% do peso corporal, o monitoramento do capim e a pesagem periódica formam uma base para decisões mais precisas.

Ajuste a estratégia antes da perda de condição corporal e acompanhe o custo por quilo de ganho. Para receber novas análises técnicas e notícias do agronegócio, participe do Grupo de Notícias do Agro no WhatsApp.

Fonte

Embrapa.

Sobre o Especialista

Dr. Lucas Fernando Ribeiro — Zootecnista, especialista em nutrição de ruminantes, manejo de pastagens e sistemas de recria de bovinos de corte.