Grãos 9 de agosto de 2026 10 min de leitura

Novilhas Nelore na seca: como usar ureia de liberação lenta sem perder desempenho

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Tipo: Evergreen

Resumo Rápido

  • A ureia de liberação lenta deve ser combinada com energia fermentescível, enxofre e mistura homogênea.
  • Para novilhas de 250 a 330 kg, a referência de suplemento é de 0,30% a 0,50% do peso vivo.
  • Uma formulação de referência inclui milho ou sorgo, farelos, ureia protegida, núcleo mineral e sal.
  • O fornecimento deve ser adaptado por sete a dez dias e monitorado diariamente.
  • Peso, escore corporal, pasto, consumo, ganho e custo do quilo adicional orientam o ajuste da dieta.

A recria de novilhas Nelore durante a seca exige uma estratégia que una nutrição, pastagem e objetivo reprodutivo. O pasto pode conservar volume visual, mas apresentar menor qualidade nutricional à medida que amadurece. A redução da proteína e da digestibilidade limita a atividade dos microrganismos do rúmen, reduz a digestão da fibra e compromete o consumo e o ganho de peso.

A ureia de liberação lenta pode ajudar a fornecer nitrogênio não proteico de maneira mais gradual. Ela não é uma solução isolada. Para que o nitrogênio seja aproveitado, é necessário haver energia fermentescível, enxofre, água, fibra disponível e mistura uniforme. Se o pasto estiver muito lignificado ou faltar energia, aumentar a ureia pode elevar a perda de nitrogênio sem produzir ganho proporcional.

A meta da recria não é apenas aumentar peso. A novilha precisa atingir desenvolvimento compatível com a estação de monta, manter escore corporal adequado e formar uma estrutura que favoreça a reprodução. O programa deve ser ajustado ao peso adulto projetado, à idade, à raça, ao ambiente e ao calendário da propriedade.

O pasto define o ponto de partida da suplementação

Novilhas Nelore na seca: como usar ureia de liberação lenta sem perder desempenho
Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

Antes de formular, o produtor deve observar massa de forragem, altura, composição botânica, presença de folhas e estágio de maturidade. Brachiaria brizantha e Panicum maximum podem sustentar bons resultados, mas a qualidade varia conforme adubação, lotação, chuva, diferimento e manejo de entrada e saída.

Um pasto com volume excessivo de colmo pode parecer abundante e, ainda assim, limitar o desempenho. A fibra potencialmente digestível reduzida diminui a velocidade de passagem e o consumo. Nesse cenário, o suplemento precisa corrigir a deficiência sem substituir completamente o pasto.

A análise de forragem ajuda a identificar proteína, fibra, energia e minerais. A água também merece avaliação, porque consumo, salinidade e antagonismos minerais interferem no desempenho. O núcleo mineral não deve ser escolhido apenas pelo preço ou por uma fórmula usada em outra fazenda.

A taxa de lotação precisa acompanhar a produção real de matéria seca. Em Mombaça, uma faixa inicial de aproximadamente 3,0 a 4,5 UA/ha pode ser considerada em condições favoráveis, mas não serve para qualquer área. Fertilidade, adubação, altura de manejo, chuva, disponibilidade de água e capacidade de rebrota determinam a lotação possível.

O diferimento de áreas para a seca pode preservar forragem, mas o valor nutritivo do material reservado precisa ser medido. A suplementação não corrige falta física de pasto. Quando a massa disponível é insuficiente, a propriedade deve revisar lotação, uso de volumoso ou estratégia de venda.

Ureia de liberação lenta exige energia e enxofre

A ureia fornece nitrogênio para os microrganismos ruminais. A versão de liberação lenta busca distribuir esse fornecimento ao longo do processo de fermentação, mas não elimina o risco de intoxicação nem substitui o controle de consumo. O produto comercial deve ser avaliado conforme o teor de nitrogênio equivalente indicado pelo fabricante.

Uma formulação de referência apresentada no material inclui 38% de milho ou sorgo moído, 25% de farelo de soja, 20% de farelo de algodão, 10% de ureia de liberação lenta, 3% de núcleo mineral e 4% de cloreto de sódio. Essa composição não é receita universal. Ela precisa ser ajustada ao produto comercial, à análise do pasto, ao peso das novilhas e à meta de ganho.

O enxofre participa da síntese de aminoácidos sulfurados pelos microrganismos. A mistura deve conter quantidade adequada, conforme formulação técnica. Sem esse ajuste, o nitrogênio pode ser aproveitado com menor eficiência. A relação entre nitrogênio e energia também precisa ser observada: a disponibilidade de carboidratos fermentescíveis ajuda a transformar o nitrogênio em proteína microbiana.

A homogeneidade é uma exigência operacional. A ureia não deve ficar concentrada em pontos do cocho. Ela precisa ser incorporada a um veículo seco de maneira uniforme, e o consumo diário deve ser acompanhado pelo desaparecimento do suplemento. Falhas de mistura criam áreas de excesso e aumentam o risco para os animais dominados ou para aqueles que encontram uma concentração elevada.

A água deve estar disponível e limpa. Restrição hídrica altera consumo, comportamento e fermentação. O cocho deve ser coberto para preservar a mistura contra chuva e evitar empedramento.

Dose, adaptação e consumo real

Para novilhas entre 250 e 330 kg de peso vivo, o material apresenta como referência suplemento proteico-energético entre 0,30% e 0,50% do peso vivo na matéria natural. Em valores práticos, isso pode representar aproximadamente 1,0 a 1,5 kg por cabeça ao dia, dependendo do peso e da formulação.

A dose final deve seguir o objetivo de ganho e a qualidade do pasto. Um suplemento mais concentrado não corrige automaticamente uma pastagem inadequada. O produtor deve observar escore corporal, fezes, comportamento no cocho, uniformidade do lote e pesagens periódicas.

A adaptação deve ocorrer de forma gradual por sete a dez dias. O início pode utilizar quantidade menor, com aumento progressivo até a dose planejada. O fornecimento precisa ser diário e regular. Interrupções prolongadas seguidas de oferta elevada aumentam a chance de consumo exagerado.

O ganho potencial de 0,55 a 0,75 kg por dia depende de disponibilidade de forragem, consumo, energia, proteína, saúde e genética. Não se deve apresentar essa faixa como promessa para todo lote. O resultado deve ser conferido por pesagem, preferencialmente em intervalos definidos e sob condições semelhantes.

A conversão esperada do suplemento em ganho adicional pode variar de 5:1 a 8:1, conforme pasto e consumo. Se a conversão ultrapassar 9:1, o produtor deve investigar qualidade da forragem, desperdício, mistura, parasitas, água, lotação e precisão da pesagem.

Pastagem, lotação e objetivo reprodutivo

A novilha deve ser manejada com foco no peso à entrada da estação de monta. Uma referência apresentada no material é atingir entre 55% e 65% do peso adulto projetado, associando peso, escore corporal e desenvolvimento reprodutivo. O número não deve ser usado sem considerar idade, tamanho adulto do rebanho e avaliação do técnico responsável.

A lotação influencia diretamente o consumo. Muitas novilhas no mesmo piquete reduzem a oportunidade de seleção de folhas e aceleram a degradação do pasto. Pouca lotação pode aumentar desperdício e reduzir eficiência do uso da área. O ajuste deve acompanhar altura e massa de forragem.

No pastejo rotacionado, o manejo de entrada e saída precisa ser definido pela estrutura do capim, não apenas pelo calendário. A altura adequada varia conforme a forrageira e o sistema. O produtor deve observar rebrota, presença de folhas e condição do solo.

A mineralização completa o programa. Fósforo, cálcio, magnésio, sódio, enxofre e microminerais precisam ser avaliados conforme solo, planta, água e categoria. Antagonismos podem reduzir a absorção, enquanto excesso de determinado elemento eleva custo e pode causar desequilíbrios.

A sanidade também interfere no ganho. Verminoses, ectoparasitas, problemas de casco e doenças subclínicas reduzem desempenho. A nutrição deve ser acompanhada por um programa sanitário, e não utilizada para mascarar falhas de saúde.

Como medir eficiência econômica

O custo do suplemento deve ser calculado por cabeça e por quilo de ganho adicional. Para isso, o produtor precisa conhecer consumo real, preço de cada ingrediente, perdas no cocho, mão de obra, transporte e custo de distribuição. O valor por tonelada da mistura não mostra sozinho o impacto sobre a margem.

A pesagem periódica permite comparar ganho observado com ganho projetado. Se o consumo aumentou e o peso não respondeu, pode haver deficiência de pasto, baixa digestibilidade, erro de mistura, problema sanitário ou meta incompatível com o ambiente.

O produtor deve avaliar o valor futuro da novilha. Um ganho adicional pode antecipar a estação de monta ou reduzir o tempo de recria, gerando benefício econômico além do peso. Ainda assim, a decisão precisa comparar o custo do suplemento com o valor desse resultado.

O controle por lote é mais útil que a média geral da fazenda. Novilhas com pesos muito diferentes devem ser separadas quando possível, porque animais dominantes podem consumir mais e esconder o desempenho dos demais. A uniformidade melhora a formulação e o planejamento reprodutivo.

Visão do Especialista Sênior

Eu começaria pela análise do pasto, da água e do peso das novilhas. Só depois definiria a dose de suplemento e a inclusão de ureia de liberação lenta. Minha prioridade seria fornecer nitrogênio junto com energia e enxofre, mantendo mistura homogênea e adaptação gradual. Eu não aumentaria a ureia para compensar falta de energia ou ausência de massa de forragem.

Também acompanharia o lote por pesagem, escore corporal, consumo e conversão. Se o suplemento não gerar ganho compatível, eu investigaria sanidade, lotação, qualidade do capim e desperdício antes de aumentar a oferta. O objetivo é formar novilhas aptas à reprodução com custo controlado, não apenas elevar o consumo do cocho.

💬 Opinião do Canal – Análise Global:

A produção de carne bovina exige eficiência no uso de nutrientes, terra e água. Sistemas capazes de reduzir a oscilação entre águas e seca tendem a apresentar maior previsibilidade de oferta e desempenho. A nutrição de precisão contribui para esse objetivo quando considera qualidade da forragem, categoria animal e retorno econômico.

💬 Opinião do Canal – Análise Nacional:

No Brasil, a suplementação de novilhas deve ser adaptada às diferenças entre pastagens, solos, clima e sistemas de recria. A ureia de liberação lenta pode ser útil, mas precisa estar inserida em um programa com análise de forragem, manejo de lotação, controle sanitário e pesagem. O custo do quilo de ganho deve orientar a decisão.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Pergunta: Qual é a dose de suplemento para novilhas na seca?

Resposta: A referência apresentada é de 0,30% a 0,50% do peso vivo na matéria natural, ajustada ao pasto, ao peso e à meta de ganho.

Pergunta: A ureia de liberação lenta elimina o risco de intoxicação?

Resposta: Não. O produto precisa ser misturado de forma homogênea, fornecido com adaptação e monitorado conforme as recomendações técnicas.

Pergunta: A taxa de 4,5 UA/ha serve para todo Mombaça?

Resposta: Não. A lotação depende de fertilidade, chuva, altura, massa de forragem, adubação, água e manejo.

Pergunta: Como identificar baixa eficiência do suplemento?

Resposta: Ganho baixo, consumo irregular, conversão acima de 9:1, perda de escore e grande variação de peso indicam necessidade de revisão.

Pergunta: Qual peso a novilha deve atingir antes da monta?

Resposta: Uma referência é 55% a 65% do peso adulto projetado, associada a escore corporal e desenvolvimento reprodutivo adequados.

Conclusão & CTA

A recria de novilhas Nelore na seca responde melhor quando ureia de liberação lenta, energia, enxofre, pastagem e manejo são tratados como partes da mesma estratégia. O acompanhamento do consumo e do ganho evita decisões baseadas apenas na aparência do pasto ou no preço do ingrediente.

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Fonte

Embrapa.

Sobre o Especialista

Dr. Renato Alves de Moraes — Zootecnista Sênior. Especialista em nutrição de ruminantes, recria de bovinos, manejo de pastagens e avaliação econômica de sistemas pecuários.