Grãos 10 de setembro de 2026 11 min de leitura

Novilhas Nelore na seca: 5 ajustes para buscar até 0,75 kg de ganho por dia

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Tipo: Evergreen

Resumo Rápido

  • Novilhas Nelore de 250 a 330 kg podem buscar ganho de 0,55 a 0,75 kg por dia com manejo ajustado.
  • Em Urochloa brizantha, a referência de massa de matéria seca verde é de 2.000 a 2.500 kg por hectare.
  • O suplemento pode ficar entre 0,45% e 0,60% do peso corporal, conforme pasto e meta de ganho.
  • No Mombaça, a entrada pode ocorrer entre 80 e 90 cm e a saída entre 40 e 45 cm.
  • Pesagem, leitura de cocho, análise de matéria seca e controle de altura sustentam decisões de lotação e suplementação.

Introdução: a seca exige precisão na recria

A recria de novilhas Nelore durante a seca precisa ser planejada a partir de três informações: quanto de forragem está disponível, qual é a qualidade desse pasto e qual ganho diário o sistema precisa alcançar. Sem essa leitura, o produtor pode fornecer suplemento demais, gastar sem retorno ou oferecer pouco e atrasar o desenvolvimento das fêmeas.

Para animais entre 250 e 330 kg, o material técnico da rodada apresenta uma meta de 0,55 a 0,75 kg de ganho por dia. Essa meta depende da estrutura do pasto, da formulação, do consumo, da água, da sanidade, do clima e da capacidade de cada lote.

Em uma pastagem de Urochloa brizantha com 2.000 a 2.500 kg de matéria seca verde por hectare, a taxa de lotação operacional pode ficar entre 1,2 e 1,8 UA/ha, desde que o manejo preserve resíduo pós-pastejo entre 1.500 e 2.000 kg de matéria seca por hectare. Esses valores são referências, não uma autorização para manter a mesma lotação em qualquer área.

Novilhas Nelore na seca: 5 ajustes para buscar até 0,75 kg de ganho por dia
Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

Quando a oferta de folhas diminui e a fibra em detergente neutro ultrapassa 68% da matéria seca, a suplementação precisa corrigir principalmente proteína degradável e energia fermentescível. A decisão deve ser ajustada conforme a análise do pasto e o comportamento dos animais.

Diagnóstico do pasto antes de formular

O primeiro passo é avaliar a massa de forragem. Não basta observar se o campo está verde. É necessário estimar quanto de matéria seca está disponível e qual parcela é realmente consumível pelas novilhas. Colmo, material morto e folhas possuem valores nutricionais diferentes.

Na Urochloa brizantha, a referência de 2.000 a 2.500 kg de matéria seca verde por hectare ajuda a indicar uma condição de oferta, mas a utilização precisa preservar o resíduo. Manter entre 1.500 e 2.000 kg de matéria seca por hectare após o pastejo contribui para evitar degradação e recuperação lenta.

A fibra em detergente neutro acima de 68% da matéria seca indica um pasto mais fibroso e de menor qualidade para sustentar ganhos elevados sem correção. Nesse cenário, o suplemento precisa fornecer nitrogênio para os microrganismos do rúmen e energia fermentescível para que o animal aproveite melhor a fibra.

A taxa de lotação deve ser ajustada pela oferta e pela taxa de acúmulo. Uma área pode suportar determinado número de animais em uma semana e exigir redução ou redistribuição depois de um veranico. A lotação fixa, sem leitura do pasto, aumenta a chance de queda de desempenho.

A análise bromatológica melhora a decisão. Proteína bruta, fibra, matéria seca e energia ajudam a explicar por que um lote está ganhando menos do que o esperado. A avaliação também deve incluir água, sombra quando disponível, distância até o cocho e competição entre animais.

Formulação e quantidade de suplemento

Para novilhas de 250 a 330 kg, uma formulação prática apresentada no material contém 38% de milho moído, 35% de farelo de soja, 20% de casca de soja, 3% de núcleo mineral, 2% de calcário calcítico e 2% de ureia de liberação lenta, na matéria natural.

O fornecimento indicado fica entre 0,45% e 0,60% do peso corporal, conforme a qualidade do pasto e a meta de ganho. Para animais nessa faixa de peso, isso equivale aproximadamente a 1,3 a 2,0 kg por cabeça por dia. O volume não deve ser escolhido apenas pelo peso do saco ou pela rotina da fazenda; precisa acompanhar a resposta dos animais.

A proteína bruta final da dieta deve permanecer próxima de 13% a 14% da matéria seca, com atenção ao enxofre e ao fornecimento gradual. A introdução do suplemento deve ocorrer em período de sete a dez dias, reduzindo o risco de alterações bruscas no consumo e no ambiente ruminal.

A ureia de liberação lenta pode melhorar a sincronização entre nitrogênio e carboidratos no rúmen em pastos fibrosos. Ela não substitui completamente a proteína verdadeira do farelo de soja e exige controle da mistura. A distribuição irregular pode fazer alguns animais consumirem quantidade excessiva.

A concentração total de nitrogênio não proteico, a homogeneidade e a adaptação precisam ser avaliadas. O suplemento deve ser formulado e fornecido de maneira segura. Mudanças repentinas, falhas de mistura ou acesso desigual ao cocho podem comprometer o resultado.

A conversão alimentar esperada para o ganho adicional atribuído ao suplemento fica entre 6,5:1 e 8,5:1 em matéria seca, mas varia conforme clima, peso inicial, estrutura do pasto e desempenho do lote. Essa faixa deve ser usada para acompanhar eficiência, não como promessa fixa.

Cocho, consumo e uniformidade do lote

O espaço de cocho recomendado no material é de 35 a 45 centímetros lineares por cabeça. O objetivo é reduzir dominância e diminuir a diferença de consumo entre animais. Quando poucas novilhas conseguem acesso confortável, algumas consomem mais e outras permanecem abaixo da meta.

A distribuição deve ocorrer em horários consistentes. A equipe precisa observar se o suplemento está sendo consumido, se há sobra, se existe seleção de partículas e se animais dominantes impedem o acesso de companheiras menores.

A leitura de cocho deve ser registrada. Sobra excessiva pode indicar fornecimento acima do consumo ou rejeição de ingredientes. Consumo completo e queda de ganho pode sinalizar que a dieta não atende à qualidade do pasto, que há problema sanitário ou que a lotação está alta.

A água precisa estar limpa e disponível. O calor aumenta a importância do consumo de água e pode reduzir o tempo de pastejo e o desempenho. A distância até os pontos de água e cocho também interfere na uniformidade.

Pesagens periódicas permitem verificar se a meta de 0,55 a 0,75 kg por dia está sendo alcançada. Sem pesagem, a avaliação visual pode confundir aparência de desenvolvimento com ganho real. O intervalo deve ser definido pela rotina, mas precisa permitir correção antes que a perda de desempenho se acumule.

A separação por peso ou tamanho pode melhorar o manejo. Lotes muito heterogêneos aumentam a competição e dificultam a interpretação da resposta ao suplemento. Quando possível, agrupar animais semelhantes ajuda a ajustar oferta e meta.

Manejo do capim Mombaça

No pastejo rotacionado de Panicum maximum cv. Mombaça, o controle deve ser feito pela altura, e não por um número fixo de dias. A entrada pode ocorrer entre 80 e 90 centímetros, com saída entre 40 e 45 centímetros.

O manejo por altura ajuda a preservar folhas e evitar alongamento excessivo do colmo. Entrar tarde demais pode aumentar a participação de colmos e reduzir a qualidade consumida. Sair abaixo do limite pode comprometer a recuperação e diminuir a capacidade produtiva do piquete.

Em áreas corrigidas e bem adubadas, com disponibilidade hídrica compatível, a lotação de referência pode variar entre 2,5 e 4,0 UA/ha. Esse intervalo precisa ser ajustado semanalmente conforme oferta de forragem e taxa de acúmulo, especialmente durante veranicos.

A adubação nitrogenada deve ser fracionada após os ciclos de pastejo, com base em análise de solo, histórico produtivo e objetivo de ganho. Aplicar nitrogênio sem considerar fertilidade, água e capacidade de utilização pode elevar o custo sem converter-se em ganho.

A altura deve ser verificada em vários pontos do piquete. Uma única medição pode não representar a área, principalmente quando há manchas de solo, declive, sombra ou distribuição irregular de fertilizante.

O planejamento deve conectar pasto e suplemento. Se o Mombaça oferece folhas em quantidade e qualidade, o suplemento pode ser ajustado. Se a estrutura se deteriora, aumentar o concentrado sem corrigir lotação e manejo pode elevar o custo e aumentar o risco de distúrbios.

Monitoramento de ganho, reprodução e eficiência

A recria de novilhas não deve ser medida apenas pelo ganho de peso. O objetivo final inclui desenvolvimento corporal e entrada adequada na reprodução. O excesso de restrição pode atrasar a idade reprodutiva; o excesso de energia pode elevar custo e favorecer deposição inadequada de gordura.

O peso inicial, o ganho diário e a idade precisam ser registrados. A comparação entre lotes exige considerar o período do ano e a qualidade da pastagem. Um ganho obtido na seca pode ter custo diferente de um ganho na época das águas.

O escore corporal complementa a balança. Animais com peso semelhante podem apresentar composição corporal diferente. A avaliação deve ser feita de forma padronizada e, quando possível, combinada com medidas de desenvolvimento.

A sanidade interfere diretamente na resposta. Verminoses, doenças, problemas de casco ou estresse reduzem consumo e ganho. A suplementação não corrige um animal que não consegue pastar, beber ou aproveitar os nutrientes.

O custo por quilo de ganho é um indicador essencial. O produtor deve comparar o valor do suplemento, o consumo real, o ganho adicional e o custo de oportunidade do pasto. A conversão de 6,5:1 a 8,5:1 precisa ser conferida na propriedade.

A gestão deve buscar menor variabilidade entre animais e lotes. Pesagem, leitura de cocho, altura do pasto, matéria seca e registros de saúde formam um conjunto de informações que permite corrigir rapidamente a estratégia.

💬 Opinião do Canal – Análise Global:

A produção pecuária global avança em direção a sistemas mais eficientes no uso de terra, alimento e capital. A recria de precisão se encaixa nesse movimento porque busca transformar suplemento e pasto em ganho mensurável, sem desperdiçar nutrientes. Eu considero que a eficiência não está em fornecer o maior volume de concentrado, mas em sincronizar oferta de forragem, exigência do animal e custo por quilo produzido.

💬 Opinião do Canal – Análise Nacional:

No Brasil, a seca aumenta a diferença entre propriedades que medem o pasto e aquelas que mantêm lotação fixa. A integração entre capim, suplemento, cocho e pesagem permite preservar desempenho mesmo quando a qualidade da forragem cai. A realidade de cada fazenda deve definir o nível de investimento, mas nenhum sistema deve abrir mão de registros e adaptação gradual.

Visão do Especialista Sênior

Eu começo a recomendação pela pastagem. Antes de aumentar o suplemento, verifico massa, folhas, fibra, resíduo e lotação. Muitas vezes, o problema atribuído à formulação é excesso de animais ou falta de matéria seca disponível.

Também considero a meta de ganho. Para buscar 0,55 a 0,75 kg por dia, a novilha precisa consumir, ruminar, beber água e permanecer saudável. O suplemento é uma ferramenta, não uma solução isolada. Se o cocho é insuficiente ou a mistura é desuniforme, o resultado fica irregular.

Eu acompanho peso, escore, consumo e custo. A conversão alimentar do suplemento deve ser calculada a partir do ganho adicional, porque o pasto também participa do resultado. Na minha visão, a melhor recria é aquela que entrega crescimento previsível e prepara a fêmea para a reprodução sem comprometer a sustentabilidade da pastagem.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Pergunta: Quanto suplemento fornecer às novilhas Nelore na seca?
Resposta: A referência é de 0,45% a 0,60% do peso corporal, ajustada conforme qualidade do pasto, peso e meta de ganho.

Pergunta: Qual ganho diário pode ser buscado em novilhas de 250 a 330 kg?
Resposta: O material apresenta uma meta de 0,55 a 0,75 kg por dia, condicionada ao manejo, à dieta, à sanidade e ao ambiente.

Pergunta: A ureia de liberação lenta substitui o farelo de soja?
Resposta: Não completamente. Ela fornece nitrogênio para os microrganismos ruminais, enquanto o farelo fornece proteína verdadeira com perfil diferente.

Pergunta: Qual altura usar no Mombaça?
Resposta: A entrada pode ocorrer entre 80 e 90 cm e a saída entre 40 e 45 cm, com ajustes conforme oferta e taxa de acúmulo.

Pergunta: Como saber se o suplemento está funcionando?
Resposta: É necessário acompanhar peso, ganho diário, consumo, sobras, custo, escore corporal, condição do pasto e uniformidade do lote.

Conclusão & CTA

A recria de novilhas Nelore na seca exige integração entre pasto, suplemento, cocho, água, sanidade e pesagem. As referências de 0,45% a 0,60% do peso corporal, 80 a 90 cm de entrada no Mombaça e ganho de 0,55 a 0,75 kg por dia devem ser ajustadas à realidade da propriedade.

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Fonte

Embrapa
MAPA

Sobre o Especialista

Dr. Marcelo Henrique Tavares — Médico-veterinário e especialista sênior em produção animal. Atua com manejo de rebanhos, nutrição aplicada, recria, engorda, pastagens e gestão de indicadores produtivos.