Técnica de calagem forma pastagem vigorosa e nutritiva mais rapidamente; cuidado impacta positivamente na conversão em arroba e lucratividade

Seja no bioma amazônico ou na Bacia do Prata, a cartilha do solo fértil e sustentável pede calagem periódica e profissionalizada. Com um plantel de Nelore, o empresário rural Glauco Martins Franco não abre mão do calcário no manejo regular das pastagens. No ritmo intenso e constante da cria, recria e engorda do rebanho, seja na propriedade em Colniza, no extremo Norte de Mato Grosso, ou no interior de Goiás ou São Paulo, ele teve a comprovação que o composto mineral é aliado na rápida conversão de gramínea em arroba de boi gordo e mais lucratividade na pecuária.
Representante da quarta geração da família dedicada à pecuária, Glauco conta que entra no terceiro ano de aplicação de calcário e gesso nas áreas de pastagens. Somadas as três propriedades, são cerca de mil hectares que recebem esse protocolo de manejo. Base para mais produtividade a pasto. “Onde a gente precisa de uma reforma na pastagem ou precisa intensificar a produção do capim, a gente joga primeiro o calcário e depois o gesso. Essa é base. É igual construir uma casa: tem que ter pilar forte”.
Esse cuidado integra um conjunto de procedimentos técnicos, guiados pelo trabalho prévio de coleta e análise dos solos das propriedades. As diferenças já são visíveis na coleta nas amostras que vão para o laboratório. Na fazenda em Goiás, solo mais arenoso e ao mesmo tempo, mais fértil. Em Colniza, mais umidade. Condições e climas diferentes, lidados com planejamento, investimento e o esmero de quem leva a sério um velho ditado: “o olho do dono é que engorda o boi”.
O resultado de tudo isso se traduz em capim verde precoce, pronto para alimentação dos animais no sistema rotacionado de pasto, com uma antecedência média de 40 a 50 dias. “Choveu, o pasto dali 10 dias já tem capim verde pra consumo. Encaro da seguinte forma: se não verticalizar a produção na fazenda, se ficar naquele sistema antigo de 1 cabeça por hectare, não tem lucro, não sai do lugar. Tem que ter coragem e investir de forma planejada, porque o custo de se produzir carne hoje não é barato”, orienta o produtor rural.

Benefícios – Especialistas agronômicos apontam que assim como na agricultura, a pecuária tem percebido um retorno econômico expressivo para aqueles que investem no manejo dos solos. Um dos benefícios é o aumento da eficiência do uso da adubação fosfatada. Dessa forma, conjugado com a aplicação de calcário, aumenta-se o aproveitamento do fertilizante e, consequentemente, melhora a fertilidade do solo e qualidade da pastagem. Mais pasto, mais arroba no gado de corte e, também, mais produção na pecuária leiteira.
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Os benefícios comprovados pela ciência se contrastam com uma realidade ainda preponderante no Brasil. Dados do Censo Agropecuário de 2017, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontam que dos mais de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários brasileiros, cerca de 523 mil possuem pastagens plantadas em más condições. Em números absolutos, o status negativo nos parâmetros de qualidade correspondem a 11,8 milhões de hectares. No universo total de propriedades, também aponta o levantamento, mais da metade (58%) não fazem adubação.
“A atividade pecuária como um todo, incluindo o manejo dos solos e pastagens, exige investimentos para que o pecuarista se mantenha competitivo no mercado, produzindo em alta escala, com sustentabilidade e qualidade. A ciência é uma grande aliada em apoio nisso. Adubar e calcarear os solos ocupados pelas pastagens é investir numa pecuária de maior performance”, destaca Milton Ferreira de Moraes, Doutor em Fertilidade do Solo e Adubação pela USP e professor/pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) / Programa de Pós-Graduação em Agricultura Tropical.
Eros Francisco, em artigo publicado no boletim “Plant Nutrition Today” (2018), sinaliza em estudo comparativo realizado em solos de pastagens de Itiquira (MT) e Dracena (SP) o quanto a relação entre adubação e calcário pode ser benéfica à atividade pecuária. O rendimento acumulado de matéria seca de Braquiaria responde positivamente com mais ênfase quando aplicada a calagem e nutrientes (NPK – Nitrogênio, Fósforo e Potássio) dentro de parcelas de demonstração. Diferentes composições e doses foram testadas.
“Nutrição vegetal completa e equilibrada e gestão de pastagem eficiente são a chave para obter altos rendimentos de biomassa e carne bovina em sistemas pecuários, reduzindo a pressão para a conversão de terra da floresta para a agricultura”, defende o pesquisador. Publicação sobre o estudo está disponível no site no IPNI: www.ipni.net/pnt.

Estudo mostra importância da correta execução da calagem e adubação para produção de biomassa por Braquiaria.

Fonte: Íntegra Comunicação Estratégica
