Pastagem • 30 de outubro de 2026 • 4 min de leitura

Capim BRS Paiaguás: Produtividade de Forragem e Valor Nutritivo em Solos Arenosos

Piquete formado com capim BRS Paiaguás apresentando touceiras vigorosas e colmos finos

O avanço da fronteira agropecuária sobre áreas de solos arenosos e de baixa capacidade de retenção de água — como os Neossolos Quartzarênicos e Latossolos Vermelho-Amarelos textura arenosa de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins e Bahia — sempre impôs severos limites à perenidade das pastagens cultivadas tradicionais.

Desenvolvido e lançado pela Embrapa em parceria com a Unipasto, o Capim BRS Paiaguás (Urochloa brizantha) foi selecionado especificamente para preencher essa lacuna, destacando-se como a cultivar de braquiária com maior capacidade de acúmulo de forragem verde durante o período seco no Brasil Central.


Por Que o Paiaguás se Destaca na Seca?

Em testes conduzidos pela Embrapa ao longo de anos sucessivos com severas estiagens, o Paiaguás produziu até 35% mais biomassa foliar seca durante o inverno do que o capim-marandu e o capim-piatã sob idênticas condições de solo e clima.

Esse diferencial fisiológico decorre de três fatores anatômicos:

  1. Sistema Radicular Agressivo e Profundo: As raízes do Paiaguás exploram camadas subsuperficiais com maior vigor, permitindo absorver água residual onde outras braquiárias entram em colapso.
  2. Arquitetura de Touceira e Colmos Finos: Ao contrário de gramíneas que engrossam o talo e formam toletes lignificados, o Paiaguás mantém colmos delgados, alta densidade de perfilhos e ótima proporção de lâminas foliares.
  3. Resistência à Quebra e Tombamento: Suas folhas permanecem eretas e verdes por semanas adicionais após o encerramento do período chuvoso.
Técnico medindo altura de entrada e saída do capim Paiaguás com régua zootécnica de pastejo
Com manejo de entrada aos 30 cm e saída aos 15 cm, o capim BRS Paiaguás mantém taxa de acúmulo forrageiro superior na estiagem graças ao seu sistema radicular agressivo.

Comparativo Nutricional e de Manejo

A tabela abaixo sintetiza os parâmetros comparativos entre o BRS Paiaguás e as principais cultivares concorrentes no Cerrado:

Parâmetro ZootécnicoBRS PaiaguásBRS PiatãMarandu (Braquiarão)
Proteína Bruta na Seca (PB)8,5% a 11,0%7,5% a 9,0%5,0% a 7,0%
Digestibilidade in vitro (DIVMS)58% a 63%56% a 60%52% a 56%
Produção de Folhas na EstiagemMuito AltaModerada a AltaMédia
Altura de Entrada no Pastejo30 cm30 a 35 cm30 a 35 cm
Altura de Saída (Resíduo)15 cm15 a 20 cm15 cm
Comportamento em Solo ArenosoExcelenteRegular a BomRegular

O Protagonismo do Paiaguás nos Sistemas ILPF e Safrinha

Além do uso como pasto solteiro para recria e engorda, o Paiaguás consagrou-se como o campeão absoluto de preferência na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) consorciado com o milho de segunda safra (safrinha):

  • Semeadura Simultânea sem Sufocar o Milho: O crescimento inicial do Paiaguás é ligeiramente mais lento que o do Marandu, evitando que o capim dispute água, luz e nutrientes com o milho safrinha antes do florescimento dos grãos.
  • Explosão de Biomassa Pós-Colheita: Logo após a passagem da colheitadeira no milho (julho/agosto), o Paiaguás aproveita a incidência solar plena e forma uma pastagem farta e verdejante em plena entressafra de inverno.
  • Fácil Dessecação Pré-Plantio: Suas folhas finas e estrutura de colmo tornam o Paiaguás muito mais fácil de dessecar com glifosato do que o capim-marandu, produzindo uma palhada uniforme que protege o solo e não entope os discos da plantadeira de soja.

Para potencializar esses ganhos, a realização de correção química de solo com calcário e gesso assegura que o sistema radicular do Paiaguás descenda com máxima profundidade, garantindo longevidade ao investimento da fazenda.


Perguntas Frequentes (FAQ)

O capim Paiaguás é resistente às cigarrinhas das pastagens?

O BRS Paiaguás apresenta resistência intermediária às cigarrinhas típicas de pastagem (Notozulia entreriana e Deois flavopicta), demonstrando tolerância muito superior à da Brachiaria decumbens, mas requer monitoramento integrado caso haja infestações severas da cigarrinha-da-cana (Mahanarva fimbriolata).

O gado consome bem os colmos do Paiaguás?

Sim. Como os colmos são muito finos e macios, o pastejo do Paiaguás é homogêneo, com baixíssimo índice de sobras duras no piquete. O rebanho consome a planta praticamente inteira, resultando em menor perda por pisoteio e maior rendimento de carcaça por hectare.

Qual o índice de germinação e pureza ideal da semente?

Ao comprar sementes de BRS Paiaguás, exija sementes fiscalizadas com Valor Cultural (VC) mínimo de 70% a 80%. Para plantio convencional em linha ou a lanço com incorporação, a taxa de semeadura recomendada varia de 4 a 6 kg de sementes viáveis por hectare.