O avanço da fronteira agropecuária sobre áreas de solos arenosos e de baixa capacidade de retenção de água — como os Neossolos Quartzarênicos e Latossolos Vermelho-Amarelos textura arenosa de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins e Bahia — sempre impôs severos limites à perenidade das pastagens cultivadas tradicionais.
Desenvolvido e lançado pela Embrapa em parceria com a Unipasto, o Capim BRS Paiaguás (Urochloa brizantha) foi selecionado especificamente para preencher essa lacuna, destacando-se como a cultivar de braquiária com maior capacidade de acúmulo de forragem verde durante o período seco no Brasil Central.
Por Que o Paiaguás se Destaca na Seca?
Em testes conduzidos pela Embrapa ao longo de anos sucessivos com severas estiagens, o Paiaguás produziu até 35% mais biomassa foliar seca durante o inverno do que o capim-marandu e o capim-piatã sob idênticas condições de solo e clima.
Esse diferencial fisiológico decorre de três fatores anatômicos:
- Sistema Radicular Agressivo e Profundo: As raízes do Paiaguás exploram camadas subsuperficiais com maior vigor, permitindo absorver água residual onde outras braquiárias entram em colapso.
- Arquitetura de Touceira e Colmos Finos: Ao contrário de gramíneas que engrossam o talo e formam toletes lignificados, o Paiaguás mantém colmos delgados, alta densidade de perfilhos e ótima proporção de lâminas foliares.
- Resistência à Quebra e Tombamento: Suas folhas permanecem eretas e verdes por semanas adicionais após o encerramento do período chuvoso.

Comparativo Nutricional e de Manejo
A tabela abaixo sintetiza os parâmetros comparativos entre o BRS Paiaguás e as principais cultivares concorrentes no Cerrado:
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| Parâmetro Zootécnico | BRS Paiaguás | BRS Piatã | Marandu (Braquiarão) |
|---|---|---|---|
| Proteína Bruta na Seca (PB) | 8,5% a 11,0% | 7,5% a 9,0% | 5,0% a 7,0% |
| Digestibilidade in vitro (DIVMS) | 58% a 63% | 56% a 60% | 52% a 56% |
| Produção de Folhas na Estiagem | Muito Alta | Moderada a Alta | Média |
| Altura de Entrada no Pastejo | 30 cm | 30 a 35 cm | 30 a 35 cm |
| Altura de Saída (Resíduo) | 15 cm | 15 a 20 cm | 15 cm |
| Comportamento em Solo Arenoso | Excelente | Regular a Bom | Regular |
O Protagonismo do Paiaguás nos Sistemas ILPF e Safrinha
Além do uso como pasto solteiro para recria e engorda, o Paiaguás consagrou-se como o campeão absoluto de preferência na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) consorciado com o milho de segunda safra (safrinha):
- Semeadura Simultânea sem Sufocar o Milho: O crescimento inicial do Paiaguás é ligeiramente mais lento que o do Marandu, evitando que o capim dispute água, luz e nutrientes com o milho safrinha antes do florescimento dos grãos.
- Explosão de Biomassa Pós-Colheita: Logo após a passagem da colheitadeira no milho (julho/agosto), o Paiaguás aproveita a incidência solar plena e forma uma pastagem farta e verdejante em plena entressafra de inverno.
- Fácil Dessecação Pré-Plantio: Suas folhas finas e estrutura de colmo tornam o Paiaguás muito mais fácil de dessecar com glifosato do que o capim-marandu, produzindo uma palhada uniforme que protege o solo e não entope os discos da plantadeira de soja.
Para potencializar esses ganhos, a realização de correção química de solo com calcário e gesso assegura que o sistema radicular do Paiaguás descenda com máxima profundidade, garantindo longevidade ao investimento da fazenda.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O capim Paiaguás é resistente às cigarrinhas das pastagens?
O BRS Paiaguás apresenta resistência intermediária às cigarrinhas típicas de pastagem (Notozulia entreriana e Deois flavopicta), demonstrando tolerância muito superior à da Brachiaria decumbens, mas requer monitoramento integrado caso haja infestações severas da cigarrinha-da-cana (Mahanarva fimbriolata).
O gado consome bem os colmos do Paiaguás?
Sim. Como os colmos são muito finos e macios, o pastejo do Paiaguás é homogêneo, com baixíssimo índice de sobras duras no piquete. O rebanho consome a planta praticamente inteira, resultando em menor perda por pisoteio e maior rendimento de carcaça por hectare.
Qual o índice de germinação e pureza ideal da semente?
Ao comprar sementes de BRS Paiaguás, exija sementes fiscalizadas com Valor Cultural (VC) mínimo de 70% a 80%. Para plantio convencional em linha ou a lanço com incorporação, a taxa de semeadura recomendada varia de 4 a 6 kg de sementes viáveis por hectare.
