A importância do Manejo Sanitário para a saúde do seu rebanho

Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP ([email protected])

As atividades de dezembro nas fazendas bovinas do Brasil podem parecer mais lentas, mas é o momento ideal para fazer um balanço geral da saúde do rebanho ao longo do ano. Neste artigo, enfocaremos o manejo sanitário para o próximo mês e os registros recentes de surtos de doenças transmissíveis, sugerindo medidas para sua prevenção. A saúde do rebanho bovino é de suma importância para a produção pecuária, e através de cuidados estratégicos, podemos obter um rebanho mais saudável e produtivo.

Destaque Radar Sanitario

Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP ([email protected])

Essa coluna consta de duas partes: A) Manejo Sanitário para o mês; B) Registro recente de doenças transmissíveis ou não, sugerindo medidas para suas prevenções. Tais registros são obtidos com o apoio das Agências Estaduais de Defesa Sanitária Animal, do MAPA, e da rede de contato de veterinários de campo, assim como minhas observações.

MANEJO SANITÁRIO

No mês de dezembro, poucas atividades aparentemente são feitas nas fazendas de boa parte do Brasil, ideal para fazer um balanço geral sanitário do que ocorreu no ano.

VACINAÇÃO CONTRA CLOSTRIDIOSES EM BEZERRAS

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No mês passado, em que foram vacinadas as bezerras contra brucelose, sugeri adiar a vacinação contra clostridioses para este mês, visto que um recente estudo brasileiro indica que não se deve vacinar ao mesmo tempo contra brucelose e clostridioses, pois isto faz com que a produção de anticorpos e proteção contra as clostridioses diminua para valer, colocando em risco os animais. Assim, chegou a hora agora de vacinar as fêmeas contra as clostridioses, lembrando que os bovinos, a partir de quatro meses, devem receber duas vacinações com espaço de um mês.

Nota importante:  As vacinas brasileiras contra as várias clostridioses retiraram do produto a proteção contra o carbúnculo hemático (uma outra clostridiose). Assim, em regiões que têm risco dessa última doença, em especial a região sul do RS, devem fazer uma vacinação extra com vacinas exclusivas (Laboratórios Venco e  Labovet) que contenham bacterinas contra o Bacillus anthracis , causador desta doença.

DESCARRAPATIZAÇÃO ESTRATÉGICA NO RS E NO PLANALTO DE SC

Segundo orientações da Embrapa, sugere-se a descarrapatização estratégica do gado bovino, nessas áreas citadas, para diminuir a futura infestação de carrapatos nas próximas estações do ano, que são mais problemáticas. Para decidir sobre que produtos utilizar, peça orientação ao seu veterinário de confiança, pois os carrapatos têm adquirido resistência contra múltiplos tipos de carrapaticidas.

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Para aumentar o índice de eficácia e escolher o carrapaticida ideal para sua propriedade faça o teste do biocarrapaticidograma. Além do Instituto Veterinário Desidério Finamor, também no Rio Grande do Sul esse teste pode ser feito no Laboratório de Parasitologia da UNIPAMPA, contato whatsapp 055999648232 ou pelo email: [email protected] ou pelo @parasitounipampa (instagram).

VERMIFUGAÇÃO ESTRATÉGICA CONTRA FASCIOLA HEPÁTICA, NO RS E NAS REGIÕES BAIXAS DE SC

Segundo orientação da Embrapa sugere-se nas regiões alagadiças e que contenham o caramujo que transmite as “larvas” de Fasciola hepatica (baratinha do fígado) do RS e de SC, a vermifugação estratégica do rebanho contra este parasita, que causa grande perda de peso e anemia aos bovinos. Para tal, recomenda-se o uso, sempre consultando seu veterinário de plantão, as seguintes bases de fasciolocidas: tricabendazole, nitroxinil, clorsulon ou closantel.

BALANÇO GERAL SANITÁRIO DO ANO

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Sugiro que no mês de dezembro, seja feito um balanço geral da saúde no seu rebanho, por meio do cálculo de um simples índice, desde que tenha o registro de todos os nascimentos e mortes no ano.

Primeiro, quantifique o número global de animais de 1º de dezembro de 2021 a 1º de dezembro de 2022, presente nas seguintes categorias: A) bezerros até desmama; B) da desmama até dois anos, C) de dois a três anos, D) de três a 10, E) mais de 10 anos. Multiplique por 100 o número de mortes e o resultado deve ser dividido pelo número total de animais, dentro da mesma categoria. Com isso você obterá o número percentual de mortalidade no ano, para cada faixa de idade. Faça isso também com o total de seu rebanho criado no espaço de 12 meses.

A média de mortalidade geral nos rebanhos brasileiros é de 6% e nas categorias A) 8,5%; B) 3,5%; C) 2,5%; D) 1%; E) 3,5%. Países com pecuária de corte mais desenvolvidos (EUA e Austrália) têm uma mortalidade média geral de 3,2% e nas categorias A 4,5 % a 5%; B 1,3%; C) 1%. D) 1,1 e E) 2%.

Com seus dados calculados, analise com seu veterinário os gargalos sanitários que levaram a morte os animais, nas diversas categorias, e trabalhem em conjunto para mudar o manejo sanitário da fazenda, afim de atingir metas mais próximas dos países desenvolvidos. Boa sorte na empreitada!

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SURTOS E FOCOS DE DOENÇAS RECENTES

SURTO DE COCCIDIOSE EM BEZERRADA PAULISTA

Veterinário descreveu surto de desinteria (diarreia com presença de sangue e catarro) em 13 bezerros da raça Nelore com cerca de 45 dias de idade, de um total de 150, nascidos de IATF, em uma propriedade em São José do Rio Preto. Além do diagnóstico clínico foi feito exame de fezes onde foram encontrados oocistos de Eimeria spp (foto), um protozoário que causa grande dano à parede interna dos intestinos. Embora alguns bezerros estivessem bem apáticos e ligeiramente desidratados não ocorreram mortes, pois graças ao rápido e eficaz tratamento com coccidicidas os animais se recuperaram.

O rebanho de cria bebia água num açude, de porte médio, proveniente de acúmulo de água de chuva e de um diminuto regato. Tudo sugere que a fonte de infecção tenha vindo do açude, pois os oocistos resistem bastante tempo em locais úmidos. A fonte inicial de infecção pode ter sido as vacas, que embora sejam relativamente resistentes ao protozoário, podem mesmo assim eliminar pequeno número de oocistos pelas fezes e contaminar a aguada.  Nessas condições os bezerros podem ter contraído o protozoário por duas formas, ou ingerindo a água ou pela teta da vaca, na qual podem grudar oocistos quando a fêmea entra para beber água no açude sujo.

O ideal é oferecimento de água em bebedouros automáticos, chamados de “australianos”, provendo água de fontes limpa e se possível tratadas com água sanitária, conhecida como “cândida” (hipoclorito de sódio 2%) que mata boa parte dos oocistos.

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Oocistos em exame de fezes. Fonte: Manual da MSD
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Bebedouro tipo australiano. Fonte: Troy Walz

INFECÇÕES UMBILICAIS EM BEZERROS NO PA E SC

Veterinários de campo identificaram problemas ligados inicialmente às infecções do umbigo em bezerros, criados em Paragominas/ PA e Ubirici/ SC. No Pará ocorreu em cerca de 25 bezerros, com idade girando de 10 a 30 dias, em mais de 3.000 nascidos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Nos doentes foram verificados inchaços debaixo da pele, os quais melhor examinados se tratavam de abscessos, que muitos chamam de peste dos “polmões”.

Alguns destes animais também apresentavam aumento de volume, bem espessado e duro nas “juntas” dos braços e pernas (poliartrite), que dificultava a locomoção do animal (foto).  Quando se palpava o umbigo da maioria dos doentes o veterinário detectou engrossamento do cordão umbilical, como se fosse uma corda. Em SC, os três bezerros nascidos de vacas de elite apresentavam engrossamento das “juntas” e do cordão umbilical, que além de inflamado estava com bicheira. Tanto os “polmões”, como as artrites são provocadas por bactérias que entram pelo umbigo e se espalham pelo corpo causando infeções debaixo da pele e nas articulações, assim como em outros órgãos.

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No PA o tratamento do umbigo era feito com um desinfetante comercial, composto de ácido pícrico, fenol, iodofórmio e um organofosforado, para evitar bicheira. Geralmente, esta fórmula atua muito bem na cicatrização e retração do cordão umbilical, porém identificou-se que os bezerros com os problemas, foram paridos no auge do período de nascimento e provavelmente foram tratados com o desinfetante decorridos seis ou mais horas do nascimento, quando aumenta muito a chance de infecção umbilical.

Em SC, a cura do umbigo foi feita com spray larvicida, que praticamente tem pouco ou nenhum efeito sobre a cicatrização do cordão umbilical. Além do mais, foi empregado, logo em seguida ao nascimento, um medicamento, por via intramuscular, a base de penicilina e ivermectina, que não evitou que ocorresse infecção no umbigo e bicheira, oriundos das larvas da mosca Cochlyomia hominivorax. As larvas de bicheira estão completamente resistentes à ivermectina e muito resistentes à moxidectina, grandemente empregada nos protocolos de cura de umbigo.

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Poliartrite em bezerro

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“ENTEROTOXEMIA” VOLTA A MATAR NO RS

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Veterinário de empresa de nutrição detectou um foco de “enterotoxemia” num grande confinamento no município de Chapada RS. Segundo o levantamento morreram três bovinos, com 40 a 50 dias de cocho, após algumas horas do surgimento dos seguintes sintomas: afastamento do rebanho, perda de apetite, empanzinamento (meteorismo gasoso), queda e morte (foto).

No histórico do caso foi constatado que alguns dias antes do surgimento dos casos, por um problema de manejo, ocorreram troca nos constituintes da ração, de milho, para triguilho e deste alimento para aveia, ofertada em grande quantidade. Além do mais, chuvas intensas e persistentes na região geraram grande quantidade de lama no piso do confinamento.

Na necrópsia dos animais foram encontrados acúmulo de gás no intestino grosso (foto), inflamação, manchas arroxeadas na parede do intestino (foto) e presença de conteúdo hemorrágico (foto) no interior do intestino delgado, e grande quantidade de grânulos de aveia no interior do rúmen (foto).

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Animal morto. Notar o empanzinamento.
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Parede do intestino avermelhada e conteúdo achocolatado.
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Acúmulo de gás no intestino grosso; mancha arroxeada na parede do intestino.
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Excesso de grãos de aveia dentro do rúmen.

O diagnóstico clínico foi fechado como “enterotoxemia” (corretamente denominado de enterite necro-hemorrágica), causado por mudanças no manejo alimentar, excesso de grãos energéticos (aveia), e  estresse (chuva), que favorece a paralisia dos intestinos (identificado pelo acúmulo de gás no local), oferecendo todas condições para o crescimento exagerado  no intestino delgado de uma bactéria denominada Clostridium perfringens tipo A, que na sua multiplicação produz  toxinas, que causam necrose intestinal e morte.

O foco foi resolvido com aumento da quantidade de fibra na dieta (por mais oferta de silagem), volta do milho em grãos triturado, porém em quantidade ligeiramente inferior.

PESQUISA REVELA RESISTÊNCIA DE CARRAPATOS AOS CARRAPATICIDAS

Depois de análise de uma centena de amostras de carrapatos, obtidos de gado de corte, oriundos de 51 municípios da Região Sul (RS, SC e PR), o Centro de Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor, do RS, apresentou importantes dados sobre a resistência destes parasitas às principais bases de carrapaticidas comerciais. Os dados assustam!

O pesquisador Guilherme Klafke identificou que em 72% das propriedades acompanhadas têm carrapatos completamente resistentes a cinco ou mais carrapaticidas, e em 10 % de outras fazendas “o caldo entorna” para mais de sete bases de carrapaticidas comerciais. Dentre a lista negra estão as seguintes bases de carrapaticidas: cipermetrina; fipronil, amitraz, ivermectina e fluazuron. A boa notícia é que ainda funcionam, razoavelmente a muito bem, os organosfosforados, os piretróides e o fluralaner.

Vários fatores interferiram, no decorrer dos tempos, para que os carrapaticidas perdessem sua ação mortífera. Sem dúvida, a principal causa é o excesso de uso contínuo e prolongado, e muitas vezes desnecessário, de uma mesma base de carrapaticida por pecuaristas e por técnicos. Geralmente, nos primeiros cinco anos que uma nova base é lançada no mercado ela funciona como uma luva, se tornando a tábua de salvação e o carrapaticida da “moda”, porém aos poucos vai selecionando populações de carrapatos resistentes, que transmitem essa capacidade para as novas gerações.

Agora o Desidério Finamor, quer ampliar o programa para outros estados, e firmou convênio para enviar kits diagnósticos do teste de resistência aos carrapaticidas com as seguintes Universidades Federais:  Maranhão, Rio de Janeiro e Goiás. Iniciativas assim são muito positivas e bem-vindas e deveriam se estender para todo o Brasil.

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Biocarrapaticidograma para testar resistência.

FOCOS E SURTOS DE RAIVA BOVINA, BRASIL AFORA

São Paulo – Vargem Grande do Sul

Rio Grande do Sul – Dom Feliciano

Pará – Ausência de casos raiva, mas a ADEPARÁ comunica que no momento existem 20 equipes preparadas para capturar morcegos hematófagos em propriedades com alta população de quirópteros, que estejam perturbando sua boiada. Caso tenha necessidade entre em contato pelo seguinte email: [email protected]

Goiás – Casos dos municípios de Pirinópolis e Itapaci. Semelhante ao estado do Pará, a AGRODEFESA de Goiás realiza captura de morcegos em fazendas. Caso tenha necessidade entre em contato ´pelo telefone do Disque-denúncia: 0800 646 11 22.

Piauí – Ausência de casos de raiva. Para captura de morcegos entre em contato com  [email protected]  que as equipes da ADAPI podem te ajudar.

DESEJO A TODOS UM SANTO NATAL E UM EXTRAORDINÁRIO ANO DE 2023. VAMOS CONTINUAR SINTONIZADOS NO RADAR SANITÁRIO EM 2024!

Mande sua notícia da presença de focos ou surtos recentes dos mais variados tipos de doenças em gado de corte para o seguinte email: [email protected]

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1. Por que é importante realizar o balanço geral sanitário anual em uma fazenda pecuária?
R: O balanço geral sanitário permite avaliar a saúde do rebanho ao longo do ano e identificar possíveis gargalos sanitários, além de traçar estratégias para melhorar o manejo sanitário da fazenda.

2. Qual é a importância da vacinação estratégica contra clostridioses em bezerras, de acordo com as orientações do professor Enrico Ortolani?
R: A importância é evitar a diminuição da produção de anticorpos e proteção contra as clostridioses, visto que um estudo indica que não se deve vacinar ao mesmo tempo contra brucelose e clostridioses, para não colocar os animais em risco.

3. Por que é recomendada a descarrapatização estratégica do gado bovino em determinadas regiões, de acordo com as orientações da Embrapa?
R: A recomendação se dá para diminuir a futura infestação de carrapatos em regiões específicas, contribuindo para o bem-estar e a saúde dos animais.

4. Quais os principais sinais de coccidiose em bezerros e como é possível prevenir essa doença, de acordo com o relato do veterinário da fazenda em São José do Rio Preto?
R: Os principais sinais são diarreia com presença de sangue e catarro, e o tratamento rápido com coccidicidas é essencial para a recuperação dos animais. É possível prevenir oferecendo água limpa em bebedouros automáticos e evitando o contato com fontes de infecção.

5. Como as infecções umbilicais em bezerros podem ser prevenidas, com base nos relatos dos veterinários de campo em Paragominas e Ubirici?
R: As infecções umbilicais podem ser evitadas por meio do tratamento adequado do umbigo logo após o nascimento, utilizando desinfetantes eficazes e evitando o contato com larvas de moscas que causam bicheira.

Recomendações para o manejo sanitário do rebanho

## Manejo Sanitário

O mês de dezembro é ideal para um balanço geral sanitário do ano nas fazendas de boa parte do Brasil. Entre as ações a serem realizadas, está a vacinação contra clostridioses em bezerras. De acordo com um recente estudo brasileiro, não é recomendado vacinar ao mesmo tempo contra brucelose e clostridioses, devido à diminuição da produção de anticorpos e proteção contra as clostridioses. Por isso, a vacinação contra as clostridioses deve ser adiada para este mês. As vacinas brasileiras contra as várias clostridioses não oferecem proteção contra o carbúnculo hemático, portanto, em regiões com risco dessa doença, é recomendada uma vacinação extra com vacinas exclusivas.

## Descarrapatização Estratégica

Nas regiões do RS e do planalto de SC, é sugerida a descarrapatização estratégica do gado bovino para diminuir a futura infestação de carrapatos. Sugere-se a orientação de um veterinário para decidir sobre os produtos a serem utilizados, pois os carrapatos têm adquirido resistência contra múltiplos tipos de carrapaticidas.

## Vermifugação Estratégica

Em regiões alagadiças do RS e de SC, recomenda-se a vermifugação estratégica do rebanho contra a Fasciola hepatica, um parasita que causa grande perda de peso e anemia aos bovinos. O uso de fasciolocidas como tricabendazole, nitroxinil, clorsulon ou closantel é recomendado, sempre consultando um veterinário.

## Balanço Geral Sanitário

Recomenda-se um balanço geral da saúde do rebanho por meio do cálculo de um índice de mortalidade. Uma média de 6% é considerada normal para os rebanhos brasileiros, sendo 8,5% para bezerros até a desmama, 3,5% para animais da desmama até dois anos, 2,5% para animais de dois a três anos, 1% para animais de três a 10 anos, e 3,5% para animais com mais de 10 anos. Com esses dados calculados, é possível analisar com o veterinário os gargalos sanitários que levaram à morte dos animais e trabalhar em conjunto para mudar o manejo sanitário da fazenda, visando atingir metas mais próximas dos países desenvolvidos.

## Surtos e Focos de Doenças Recentes

Veterinários relataram surtos de coccidiose em bezerrada paulista e infecções umbilicais em bezerros no PA e SC. Em ambos os casos, foram identificadas as causas e realizados tratamentos específicos. Um foco de “enterotoxemia” também foi detectado em um grande confinamento no município de Chapada RS, resultando na morte de três bovinos.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

FAQ de Manejo Sanitário – Por Enrico Ortolani

Vacinação contra Clostridioses em Bezerras

No mês de dezembro, é indicado vacinar as bezerras contra as clostridioses, evitando a vacinação simultânea com brucelose devido a estudo que comprova a diminuição da proteção contra as clostridioses. As vacinas brasileiras retiraram a proteção contra o carbúnculo hemático, então regiões de risco devem fazer uma vacinação extra.

Descarrapatização Estratégica no RS e no Planalto de SC

Em áreas específicas, é recomendado realizar a descarrapatização estratégica dos bovinos para diminuir infestações futuras de carrapatos. A resistência contra múltiplos tipos de carrapaticidas requer orientação do veterinário e possível teste do biocarrapaticidograma.

Vermifugação Estratégica Contra Fasciola Hepática, no RS e nas Regiões Baixas de SC

Nas regiões alagadiças, é sugerida a vermifugação estratégica do rebanho contra a Fasciola hepatica, com recomendação de uso de fasciolocidas específicos e consulta ao veterinário.

Balanço Geral Sanitário do Ano

No mês de dezembro, analise o manejo sanitário da fazenda calculando o índice de mortalidade, visando estabelecer metas para melhorias.

Surtos e Focos de Doenças Recentes

Relatos de surtos de coccidiose em bezerras em São José do Rio Preto, infecções umbilicais em bezerros no PA e SC, e foco de “enterotoxemia” em confinamento no RS.

Por Enrico Ortolani – Professor titular de Clínica de Ruminantes da FMVZ-USP ([email protected]) – Fonte: Enrico Ortolani

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