Por que Mato Grosso do Sul se destaca como um novo polo de crescimento econômico com agricultura irrigada?

Por que Mato Grosso do Sul se destaca como um novo polo de crescimento econômico com agricultura irrigada?

Noticias do Jornal do campo Soberano
Boa leitura!
O agronegócio brasileiro é um setor de extrema importância para a economia do país. Com uma vasta diversidade de culturas e uma infraestrutura agrícola robusta, o Brasil se destaca como um dos principais produtores e exportadores de commodities agrícolas do mundo.

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No estado de Mato Grosso do Sul, uma nova revolução está em curso, impulsionando um crescimento econômico notável: a agricultura irrigada. Esse método de produção se baseia principalmente na pluviosidade, mas também utiliza sistemas de irrigação para suprir as necessidades hídricas das plantas.

De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), Mato Grosso do Sul destinou 265 mil hectares para a prática de irrigação, representando 3,2% da área irrigada nacional. Dentre esses hectares, 205 mil são dedicados ao cultivo de cana-de-açúcar, utilizando o método de fertirrigação, que consiste na aplicação moderada de água anualmente, sendo parte dessa água proveniente da vinhaça, subproduto industrial rico em nutrientes.

Os demais hectares são destinados a diferentes culturas, como soja, milho, arroz e fibras. O sistema de pivô central é muito utilizado para culturas anuais, como a soja e o milho, enquanto o cultivo de arroz irrigado por inundação ocupa uma área de 11 mil hectares. A cana-de-açúcar também é irrigada diretamente, e outros sistemas, como irrigação localizada e por sulco, estão presentes em 9,5 mil hectares da região.

Mato Grosso do Sul se destaca como um polo do agronegócio brasileiro, sendo responsável pelo cultivo de mais de 4 milhões de hectares de soja e mais de 60 mil hectares de fibras. O estado também possui áreas de alta aptidão, abrangendo 2,4 milhões de hectares. No entanto, a irrigação ainda é pouco explorada, correspondendo a apenas 5,4% do potencial total.

A tecnologia de irrigação é fundamental para impulsionar esse setor. O sistema de gotejamento subterrâneo é uma abordagem revolucionária que permite a aplicação precisa e controlada de água diretamente nas raízes das plantas. Isso reduz o desperdício, os custos de energia e aumenta a eficiência hídrica. Um exemplo notável é uma fazenda em Itaporã, que investiu nessa tecnologia e obteve resultados satisfatórios na produção de soja e milho.

No cultivo da soja, a produtividade média sob irrigação alcançou 87 sacos por hectare, em comparação com 61 sacos por hectare em condições de sequeiro, representando um aumento de 26 sacos por hectare. Já no milho segunda safra, a irrigação proporcionou um aumento médio de 34 sacas por hectare, com uma produtividade de 149 sacas por hectare. Esses resultados comprovam a eficiência da agricultura irrigada.

A disponibilidade de recursos hídricos em Mato Grosso do Sul fortalece ainda mais essa tendência. Apesar de a irrigação ser responsável por apenas 21,7% da água captada, a vazão total captada é modesta em relação à abundância de recursos hídricos nas bacias hidrográficas. Com uma gestão eficiente, é possível aumentar significativamente a vazão utilizada para irrigação, garantindo o abastecimento de água para diversos fins.

A transição para uma agricultura irrigada mais eficiente é essencial para a realidade atual e futura do agronegócio em Mato Grosso do Sul. A adoção de novas tecnologias, como o sistema de gotejamento subterrâneo, aliada ao desenvolvimento econômico, à responsabilidade ambiental e aos benefícios sociais, permitirá um futuro mais resiliente para o estado e suas comunidades.

Em conclusão, a agricultura irrigada tem se destacado como um pilar fundamental para o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul. A utilização de sistemas de irrigação, como o gotejamento subterrâneo, tem mostrado resultados positivos e aumentado a produtividade das culturas, como soja e milho. Com uma gestão eficiente dos recursos hídricos disponíveis, é possível expandir ainda mais a prática da irrigação no estado, impulsionando o agronegócio e garantindo o abastecimento de água para diversos setores.

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Agora, vamos responder a cinco perguntas frequentes sobre agricultura irrigada em Mato Grosso do Sul:

1. Quais são as principais culturas irrigadas em Mato Grosso do Sul?
– As principais culturas irrigadas em Mato Grosso do Sul são a cana-de-açúcar, a soja, o milho, o arroz e as fibras.

2. Qual é o método de irrigação mais utilizado na região?
– O método de irrigação mais utilizado é o sistema de pivô central, especialmente nas culturas de soja e milho.

3. Qual é o benefício da agricultura irrigada em relação à produtividade das culturas?
– A agricultura irrigada proporciona um aumento significativo na produtividade das culturas, como a soja e o milho, resultando em maior rentabilidade para os agricultores.

4. Quais são os recursos hídricos disponíveis em Mato Grosso do Sul para a prática da irrigação?
– Mato Grosso do Sul possui diversas bacias hidrográficas com recursos hídricos consideráveis, como a bacia do Rio Ivinhema e do Rio Pardo.

5. Qual é a importância da gestão eficiente dos recursos hídricos na agricultura irrigada?
– A gestão eficiente dos recursos hídricos é fundamental para equilibrar a disponibilidade de água no tempo e no espaço, garantindo o abastecimento para diversos fins e a sustentabilidade da agricultura irrigada.

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Contudo, está em curso uma revolução que impulsiona um crescimento notável: é a agricultura irrigada. Este método de produção baseia-se principalmente na pluviosidade, mas adapta-se à falta de água através da utilização de sistemas de irrigação para satisfazer as necessidades hídricas das plantas.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), Mato Grosso do Sul destinou 265 mil hectares para irrigação (representando 3,2% da área irrigada nacional). Destes, 205 mil hectares são dedicados aos canaviais que adotam a fertirrigação, método que aplica água moderadamente anualmente. Parte dessa água é obtida por meio da vinhaça, subproduto industrial rico em nutrientes, aplicada nos canaviais.

Os dados apresentados pela Agência Nacional de Águas (ANA) no âmbito da “Água na Agricultura Irrigada”, dos restantes 60 mil hectares, 29 mil abraçam sistemas de pivô central, muito utilizados para culturas anuais como soja e milho, outros 11 mil hectares são reservados para o cultivo de arroz irrigado por inundação, enquanto 10.500 hectares de cana-de-açúcar são irrigados diretamente (não apenas por fertirrigação). Além disso, 9,5 mil hectares incluem sistemas de irrigação na região, como irrigação localizada e por sulco.

Segundo relatório de 2014 do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Mato Grosso do Sul se destaca pelo plantio de mais de 4 milhões de hectares de soja e mais de 60 mil hectares de fibras . Em termos de áreas de alta aptidão, Mato Grosso do Sul ocupa a segunda posição, abrangendo 2,4 milhões de hectares. Porém, a irrigação é explorada apenas em 5,4% do potencial total, diminuindo para 1,2% quando desconsideramos as áreas fertirrigadas de cana-de-açúcar, voltadas principalmente para a administração de nutrientes.

Neste contexto, a tecnologia de irrigação desempenha um papel fundamental. O sistema de gotejamento subterrâneo, por exemplo, é uma abordagem que revolucionou a forma como a água é aplicada nas plantações. Ao permitir a libertação precisa e controlada de água diretamente nas raízes das plantas, este sistema minimiza o desperdício, reduz os custos de energia e aumenta a eficiência hídrica.

Um exemplo notável é uma fazenda localizada em Itaporã (MS), que vem investindo na tecnologia de gotejamento subterrâneo e, nesta safra, obteve resultados satisfatórios em suas áreas irrigadas, tanto na cultura da soja quanto no milho segunda safra.

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Fonte: Netafim, 2023

No que diz respeito à soja, a produtividade média atingiu 87 sacos por hectare sob irrigação, em comparação com 61 sacos por hectare em condições de sequeiro, representando um aumento médio notável de 26 sacos por hectare.

No cultivo do milho na segunda safra, a irrigação também proporcionou aumento de produtividade, com média de 149 sacas por hectare ante 115 sacas por hectare no período de sequeiro, aumento médio de 34 sacas por hectare. Para esta safra 2022/23, a fazenda contou com 350 ha irrigados por gotejamento subterrâneo, e para esta próxima safra terá mais de 500 ha de sua área irrigada com a tecnologia.

A disponibilidade de recursos hídricos em Mato Grosso do Sul fortalece ainda mais esta tendência. Os dados do SNIRH demonstram que a irrigação é responsável por apenas 21,7% da água captada, bem abaixo da média nacional de 52%. A vazão total captada (37,3 m³/s) é modesta em relação à abundância de recursos hídricos nas bacias hidrográficas. O Plano Estadual de Recursos Hídricos de 2010 revela diversas bacias com vazões e fontes de água subterrânea consideráveis. Por exemplo, a bacia do Rio Ivinhema tem vazão média de 544,5 m³/s, a maior da região do Paraná, seguida pela bacia do Rio Pardo, com 529 m³/s. Esses números indicam que a vazão utilizada para irrigação (em torno de 8 m³/s) pode ser aumentada significativamente, com uma gestão eficiente para equilibrar a disponibilidade no tempo e no espaço, garantindo o abastecimento de recursos hídricos para diversos fins.

A transição para uma agricultura irrigada mais eficiente é essencial para a realidade atual e futura. Mato Grosso do Sul tem a chance de aproveitar as oportunidades desse setor, incluindo novas tecnologias como o sistema de gotejamento subterrâneo, mantendo o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e benefícios sociais. A perspectiva de uma agricultura irrigada sustentável e produtiva está ao nosso alcance, promovendo um futuro mais resiliente para o estado e suas comunidades.

Por Guilherme Barbosa, Especialista Agronômico da Netafim Brasil