Forragem: Segredos para alto desempenho no rebanho

Forragem: Segredos para alto desempenho no rebanho

Como superar os desafios da produção de Forragem

Benefícios do planejamento forrageiro

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O planejamento forrageiro é essencial para garantir a disponibilidade de forragens de alta qualidade para o gado ao longo do ano. Ele envolve etapas como avaliação das áreas disponíveis na propriedade, análise da fertilidade do solo, dimensionamento do rebanho e escolha das forrageiras adequadas.

O diferimento de pastagem é uma estratégia que pode ser utilizada para acumular forragem durante a época de chuvas e garantir disponibilidade durante a seca, desde que realizada com cuidado. Além disso, o pastejo rotacionado é uma prática eficiente para garantir o crescimento das forragens e a disponibilidade constante de alimento para os animais.

Conclusão

Ao utilizar estratégias como o planejamento forrageiro, o diferimento de pastagem e o pastejo rotacionado, os produtores podem contornar os desafios do período de seca e garantir a disponibilidade de forragens de alta qualidade para o gado ao longo do ano. Essas práticas, aliadas à avaliação da fertilidade do solo e à escolha correta das forrageiras, permitem maximizar a produtividade por área e atender as necessidades nutricionais dos animais, garantindo assim a manutenção da produção leiteira e o bom desempenho do rebanho. A implementação dessas estratégias contribui para a sustentabilidade da atividade pecuária e para o sucesso do produtor.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

A produção de forrageiras ao longo de um ano não é uniforme, existe uma variação na produtividade do pasto devido aos fatores ambientais, como o clima. E esse é um dos maiores desafios para o produtor: o período de seca.

Ele ocorre todos os anos e representa uma queda na produção e qualidade das forragens, pois nesse período de meses do ano ocorre queda do volume de chuvas, temperaturas mais baixas e menor luminosidade.

Diante da certeza desse período, como podemos contornar e nos preparar?

Gráfico com a distribuição de chuvas e taxa de acúmulo de forragem ao longo do ano

Fonte: Demarchi, 2002.

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Principais estratégias para disponibilidade de forrageiras

As plantas forrageiras precisam de disponibilidade de água, luminosidade e temperatura adequadas para garantir o seu crescimento, condições essas que durante o período da seca não são atendidas, fazendo com que o capim entre em um período de “senescência”.

Ou seja, o capim envelhece e fica mais lignificado ou ocorre o florescimento e produção de sementes das forrageiras, perdendo qualidade nutricional.

As forragens apresentam naturalmente a lignina em sua composição, independente se o volumoso está em forma de pasto, silagem, feno ou resíduos agroindustriais e ela atua como uma barreira física de proteção à parede celular vegetal.

Quando relacionamos a lignina com a nutrição dos animais, ela pode ser apresentada como uma substância “anti nutricional” pelo fato de que sua ligação com carboidratos e proteínas presentes na parede celular vegetal resulta em menor degradabilidade da fibra, menor valor nutritivo do alimento e por isso, menor aproveitamento pelo animal.

Sabe-se que é por meio da fermentação ruminal de carboidratos fibrosos que as principais fontes proteicas e energéticas são disponibilizadas para a sobrevivência e produção dos animais.

Entretanto, a lignina consegue influenciar na qualidade final da dieta e na eficiência alimentar do ruminante por reduzir o acesso microbiano e enzimático e consequentemente a fermentação ruminal dos carboidratos fibrosos.

Por isso que quanto maior for a maturação do capim, ou seja, mais velho, maior será o teor de lignina e maior o impacto negativo no ponto de vista nutricional.

Então, sabendo dessas alterações nesse período do ano, existem medidas para evitar que o pasto perca tanta qualidade na seca, garantindo que as necessidades nutricionais das vacas sejam atendidas e a produção de leite seja mantida.

Como realizar o planejamento forrageiro?

O planejamento forrageiro é um instrumento para planejar a alimentação dos animais visando organizar a propriedade.

O intuito é conseguir disponibilizar forragens de alta qualidade e em quantidade adequada para atender as demandas do rebanho durante todo o ano dentro da capacidade de produção do pasto, da taxa de lotação da propriedade e visando maximizar a produtividade por área.

Baixar Planilha e Guia Planejamento forrageiro
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Para a realização do planejamento devem ser seguidas algumas etapas:

Avaliar as áreas disponíveis na propriedade

É importante avaliar a declividade do terreno, a disponibilidade de água, a localização da propriedade e a drenagem.

Mapeamento de propriedade para implantação de pasto
Mapeamento de propriedade para implantação de pasto

Fonte: Satélite GeoEye. (Embrapa, 2015).

Analisar as condições das pastagens já existentes, a fertilidade e qualidade do solo

A avaliação da fertilidade do solo é um processo importante pois a partir disso é possível determinar a sua qualidade e capacidade de fornecer nutrientes necessários para que as plantas cresçam saudáveis.

Dentre as técnicas mais comuns de solo temos:

  • Análise química do solo: a partir da coleta de amostras do solo é possível avaliar os principais nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre), além de medir parâmetros como pH, capacidade de troca catiônica (CTC) e o teor de matéria orgânica. Dessa forma, a partir da referência ou recomendação para a planta cultivada é possível determinar a disponibilidade de nutrientes no solo e identificar possíveis deficiências ou excessos e traçar ajustes na adubação para correção de desequilíbrios nutricionais.
Homem realizando coleta de amostra para realização de análise de solo
Homem realizando coleta de amostra para realização de análise de solo

Fonte: Embrapa.

  • Dimensionar e estruturar um rebanho compatível com os objetivos do produtor, com a capacidade da área e da produção das forrageiras: importante ter estruturado o tipo de gado que a fazenda possui, se o negócio está crescendo ou irá crescer nos próximos anos, qual a produção da forrageira e a partir disso determinar a área necessária para alimentar todos os animais de forma ideal.
  • Dimensionar áreas de implantação de pastos, escolher a forrageira adequada para a fazenda: importante ter o planejamento do tipo de forrageira que será utilizada levando em conta se haverá manejo de adubação ou uso de irrigação, o dimensionamento da área dos pastos ou piquetes e o período de descanso dos mesmos.

Diferimento de Pastagem

Estratégia que relativamente envolve baixo custo e de fácil aplicação nas fazendas, é também conhecido como “feno em pé”.

Consiste em suspender a utilização de uma parte da área de pasto da propriedade durante parte da época de chuvas, dessa forma, a forragem fica acumulada naquele pasto para ser utilizada durante a seca.

No entanto, devemos nos atentar a alguns cuidados para a realização dessa estratégia:

  • Deve ser um pasto bem manejado durante as águas, para garantir a qualidade da forrageira;
  • Avaliar a massa de forragem: quantidade de forragem existente por área;
  • Se o tipo de forrageira utilizada é adequada para esse processo, dando preferência a plantas com baixo acúmulo de colmos e boa retenção de folhas verdes, resultando em menores reduções no valor nutritivo ao longo do tempo;
  • A altura do pasto no início do diferimento;
  • A adubação e suplementação do pasto.

A utilização do diferimento é uma estratégia muito interessante para garantir uma massa de forragem maior na época da seca, disponibilidade de volumoso aos animais e qualidade nutricional da forragem, no entanto para garantir que o animal mantenha um desempenho satisfatório na produção leiteira devemos pensar também na suplementação desses animais.

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Pastejo rotacionado ou lotação rotacionada

O pastejo rotacionado consiste na utilização de pelo menos dois piquetes submetidos a sucessivos períodos de descanso e de ocupação.

No descanso do piquete a forrageira faz a rebrota, já que na ausência dos animais não há pressão de pastejo e no período de ocupação os animais realizam o consumo do pasto juntamente com o crescimento da forragem.

Existem várias modalidades de lotação rotacionada como:

  • Convencional;
  • Alternada;
  • Com diferimento,
  • Em faixas;
  • Tipo pizza;
  • Módulo com corredor.

Para a escolha da modalidade devemos avaliar as características da fazenda, qual modelo melhor se adequa a sua propriedade, as possibilidades de implantação da fazenda, a disponibilidade de mão de obra, quantos piquetes é possível dividir a fazenda, quantos animais ficam em cada pasto, as categorias de animais: multíparas, primíparas, novilhas, por exemplo e as exigências nutricionais de cada uma dessas categorias.

Pastejo rotacionado convencional
Pastejo rotacionado convencional

Figura demonstrando o pastejo rotacionado do tipo convencional, onde os animais pastejam alternando os piquetes de pasto como demonstra a direção da seta.

Pastejo rotacionado em faixa
Pastejo rotacionado em faixa

Figura demonstrando o pastejo rotacionado em faixa, onde os animais tem acesso restrito dentro do piquete e com a utilização de cercas o animal pasteja em faixas restritas.

Pastejo rotacionado diferido
Pastejo rotacionado diferido

Figura ilustrando o pastejo rotacionado diferido, onde uma das áreas foi escolhida para diferimento, a qual não será utilizada na época das águas, acumulando assim uma massa de forragem para a época da seca.

Pastejo rotacionado em módulos do tipo corredor e pizza
Pastejo rotacionado em módulos do tipo corredor e pizza

Figura da esquerda demonstrando um sistema de pastejo rotacionado com a presença de um corredor central, o qual dá acesso a área de descanso e ao bebedouro.

Já a figura da direita demonstra um sistema de pastejo rotacionado no formato de pizza, onde ao centro se localiza a área de descanso e o bebedouro.

O manejo da lotação rotacionada é mais complexo, exige um bom manejo das gramíneas, adubação, suplementação e irrigação do pasto, manejo do solo e também uma boa escolha da espécie forrageira.

No entanto, é uma ótima opção para assegurar a disponibilidade de forragem para os animais durante todo o ano devido a setorização do terreno da propriedade que permite que em algumas áreas da fazenda o pasto descanse e se recupere para os períodos de seca.

Suplementação com volumoso para os animais no período de seca

Como no período de seca a produção de matéria seca das forrageiras diminui significativamente, torna-se necessária a suplementação volumosa ou o uso de concentrado para manter a nutrição adequada dos animais e amenizar o déficit nutricional do rebanho e evitar prejuízos reprodutivos, produtivos e de condição corporal das vacas.

Como opção de suplementação volumosa podemos utilizar a capineira que é uma forma de produção de forragem em que utilizamos de um pasto com área cultivada com uma gramínea de alta produtividade, onde ao atingir seu ponto ótimo de produção e valor nutritivo realizamos o corte de forma específica para cada espécie forrageira.

Pode ser fornecida in natura no cocho para os animais ou realizar a conservação da forragem por meio do processo de ensilagem, no entanto para a realização desses métodos devemos realizar o manejo e planejamento no período das águas para que estas opções sejam utilizadas na época de seca.

Capim cortado para processo de ensilagem
Capim cortado para processo de ensilagem

Capim sendo direcionado ao processo de ensilagem
Capim sendo direcionado ao processo de ensilagem

Fonte: Acervo pessoal Rehagro

O oferecimento de material volumoso na forma de silagem é uma alternativa para suplementação na época da seca, evitando uma queda na produtividade.

É uma técnica relativamente simples e acessível, no entanto deve ser realizada tomando os devidos cuidados com o plantio e corte da forrageira, com o processo de compactação e fechamento do silo e com a umidade com o objetivo de garantir um processo de fermentação adequada e evitar a contaminação da silagem.

Conclusão

Sabendo então que o período de seca continuará existindo e que a escassez de chuvas pode causar sérios impactos na produção de alimentos, na qualidade dos pastos, no desempenho e saúde dos animais e na lucratividade da fazenda, ter um planejamento antecipado e estar preparado de forma adequada é extremamente importante para garantir a sustentabilidade e produtividade da atividade leiteira.

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Laryssa Mendonça
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Maria Fernanda Faria - Equipe Leite Rehagro
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FAQ sobre Planejamento Forrageiro e Estratégias para a Época de Seca

1. Quais são os principais desafios para o produtor durante o período de seca?
Durante a seca, a produção e qualidade das forragens diminuem devido à queda do volume de chuvas, temperaturas mais baixas e menor luminosidade. Isso representa um dos maiores desafios para o produtor.

2. O que é senescência das forrageiras?
Senescência é o processo em que as forrageiras envelhecem e ficam mais lignificadas, perdendo qualidade nutricional.

3. Como realizar o planejamento forrageiro?
O planejamento forrageiro envolve avaliar as áreas disponíveis na propriedade, analisar as condições das pastagens já existentes, dimensionar e estruturar um rebanho compatível, e dimensionar áreas de implantação de pastos.

4. O que é diferimento de pastagem?
O diferimento de pastagem é uma estratégia de suspender a utilização de uma parte da área de pasto durante parte da época de chuvas, acumulando forragem para ser utilizada durante a seca.

5. O que é o pastejo rotacionado?
O pastejo rotacionado consiste na utilização de pelo menos dois piquetes submetidos a sucessivos períodos de descanso e de ocupação. Existem diferentes modalidades de lotação rotacionada, como convencional, alternada, com diferimento, em faixas, tipo pizza, e módulo com corredor.

6. Por que é necessária a suplementação com volumoso para os animais no período de seca?
No período de seca, a produção de matéria seca das forrageiras diminui, tornando-se necessária a suplementação para manter a nutrição adequada dos animais e evitar prejuízos reprodutivos, produtivos e de condição corporal das vacas.

7. Quais são as principais estratégias para garantir a disponibilidade de forrageiras durante a seca?
As principais estratégias incluem o planejamento forrageiro, o diferimento de pastagem, o pastejo rotacionado, e a suplementação com volumoso para os animais.

Conclusão

A produção de forrageiras ao longo de um ano não é uniforme, e a época de seca representa um desafio para os produtores. No entanto, com o planejamento adequado, é possível contornar esses desafios e garantir a disponibilidade de forragem para os animais.

Referência:
Demarchi, 2002.

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