Pastagem • 29 de outubro de 2026 • 4 min de leitura

Capim Marandu: Principais Cuidados com a Síndrome da Morte da Braquiária

Pasto viçoso de braquiária monitorado quanto à drenagem e manejo de pastejo

Lançado pela Embrapa na década de 1980, o capim Marandu (Urochloa brizantha cv. Marandu), popularmente conhecido como Braquiarão, transformou a pecuária brasileira ao combinar excelente produtividade forrageira, boa qualidade nutricional e alta resistência às cigarrinhas-das-pastagens. Essa consagração levou a um monocultivo massivo, cobrindo dezenas de milhões de hectares de norte a sul do país.

Entretanto, nas últimas duas décadas, criadores do Norte, Centro-Oeste e Sudeste foram surpreendidos pelo colapso repentino de milhares de hectares de pastos: a temida Síndrome da Morte da Braquiária. Compreender suas causas reais e adotar medidas preventivas de diversificação é fundamental para blindar o patrimônio pastoril da propriedade.


O Que É a Síndrome da Morte da Braquiária?

A Síndrome da Morte do Marandu não é causada por uma praga isolada ou por um único microrganismo. Trata-se de uma desordem complexa multifatorial, que se desenvolve pela combinação letal entre:

  1. Encharcamento do Solo e Asfixia Radicular (Hipóxia/Anóxia): O capim Marandu é extremamente sensível à falta de oxigênio no solo. Em solos argilosos, compactados ou de baixada que acumulam lâmina d’água por mais de 3 a 5 dias consecutivos durante o pico das chuvas, as raízes do Marandu entram em colapso respiratório por falta de aerênquimas (tecidos condutores de ar).
  2. Ataque de Fungos Oportunistas do Solo: Com as raízes enfraquecidas e com tecidos em decomposição por asfixia, fungos necrotróficos comuns do solo — como Bipolaris, Fusarium, Pythium, Rhizoctonia e Curvularia — invadem o sistema vascular da planta, colonizando os vasos do xilema e impedindo a subida de água e minerais.
  3. Morte Rápida das Touceiras em Reboleiras: O pasto começa a apresentar folhas amareladas com pontas avermelhadas, que evoluem para secamento total e apodrecimento da base dos colmos, abrindo grandes reboleiras mortas onde proliferam plantas daninhas invasoras.
A morte súbita do Marandu inicia-se pela asfixia radicular em solos mal drenados, seguida pelo ataque de fungos como Bipolaris e Fusarium.

Fatores Agravantes no Campo

Além da textura e topografia do terreno, práticas de manejo inadequadas aceleram o colapso do Marandu:

  • Superpastejo e Rapamento do Pasto: Pastos rebaixados excessivamente perdem volume de raízes, tornando as touceiras débeis e incapazes de suportar qualquer estresse ambiental;
  • Compactação Subsuperficial: Máquinas agrícolas pesadas ou excesso de lotação de gado em solo úmido criam uma camada de pé-de-grade ou pé-de-arado que impede a drenagem interna da água da chuva;
  • Carência de Fósforo e Cálcio: Solos desnutridos sem a devida adubação fosfatada para perenidade radicular apresentam regeneração mais lenta de radicelas perdidas.

Estratégias de Controle e Diversificação Forrageira

Uma vez instalada a síndrome, não existem fungicidas viáveis economicamente para salvar o Marandu a campo aberto. A única solução duradoura é a diversificação planejada de forrageiras:

Espécie / Cultivar AlternativoTolerância ao EncharcamentoAptidão de SoloPrincipais Benefícios Zootécnicos
BRS Piatã (U. brizantha)Moderada a BaixaSolos bem drenadosMaior velocidade de rebrota e excelente valor nutritivo
BRS Xaraés / MG-5 (U. brizantha)ModeradaSolos de média fertilidadeRápido perfilhamento e tolerância a períodos curtos de umidade
Capim Mombaça / Zuri (Panicum maximum)Moderada a AltaSolos férteis e corrigidosAlta capacidade de suporte de lotação (veja manejo do Zuri)
BRS Humidícola / Llanero (U. humidicola)Máxima (Resistente)Baixadas e solos encharcadosSobrevive meses com solo alagado; fecha bem o solo em áreas úmidas

A regra de ouro da fazenda sustentável é nunca ultrapassar 40% a 50% da área total com um único cultivar forrageiro. Áreas de baixada e encostas com drenagem lenta devem ser imediatamente reservadas para cultivares tolerantes ao encharcamento.


Perguntas Frequentes (FAQ)

Posso replantar sementes de Marandu na mesma reboleira onde ele morreu?

Não é recomendado. O solo da reboleira permanece densamente infestado com inóculo fúngico de Fusarium e Bipolaris. Se as condições de umidade persistirem, as novas plântulas de Marandu morrerão logo após a emergência. O ideal é descompactar o solo, corrigir a drenagem e semear cultivares tolerantes.

Qual a altura de manejo correta para não estressar o capim Marandu?

Em pastejo rotacionado ou contínuo, a altura de entrada recomendada situa-se entre 25 e 30 cm, e a altura de saída residual não deve ser inferior a 15 cm, preservando reservas nutritivas na base dos perfilhos.


Conclusão: Segurança Pastoril pela Diversidade

A Síndrome da Morte da Braquiária ensinou à pecuária brasileira que o monocultivo forrageiro representa um perigo financeiro constante. Ao mapear o relevo da propriedade, investir em drenagem e diversificar os piquetes com cultivares adaptados, o pecuarista garante a perenidade do pastejo e a sustentabilidade do rebanho em qualquer condição climática.

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