Força-tarefa reúne quase 30 colhedores para colher algodão em fazenda em Sapezal (Foto: Reprodução/TVCA)

Para os especialistas do setor algodoeiro, apesar dos desafios, o Brasil tem hoje a chance de se tornar o primeiro produtor e exportador mundial da pluma.

Em 2020, o Brasil voltou ao quinto lugar entre os maiores produtores de algodão do mundo – ao lado de Índia, Estados Unidos, China e Paquistão, o país é atualmente o segundo maior exportador mundial da commodity. São dados que mostram não só a potência da produção nacional, mas a superação de desafios ao longo das décadas. Um exemplo foi o bicudo que se espalhou e destruiu plantações inteiras na década de 1990 e, mais recentemente, a pandemia de Covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia que impôs dificuldades desde o cultivo até a comercialização.

Nesta safra (2021/22), Bahia e Mato Grosso, responsáveis ​​por 91% da produção nacional de algodão, contam, na reta final da safra, médias de produtividade abaixo da expectativa inicial e problemas com a qualidade da fibra de suas produções . O excesso de chuva no início da semeadura e o fim das chuvas em abril são as causas dos fatores negativos deste ciclo. E apesar desse resultado e de aspectos que estarão presentes na próxima safra, como o alto custo de produção, é possível ver mais crescimento e maior valorização do algodão brasileiro no mundo, e até mesmo os primeiros lugares em produção e exportação.

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Carretel de algodão ainda no campo

A expectativa foi apontada pelos participantes do painel de abertura do XIV Encontro Técnico Algodão, evento que começou nesta segunda-feira (29) e segue até quarta-feira (31), e é realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso. (Fundação MT) e Senar-MT, com apoio da Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e patrocínio de empresas do agronegócio. Com o tema ‘Desafios do algodão crescente e tendências para o futuro’, o debate inicial mostrou que há muito trabalho sendo feito para melhorar a imagem do algodão brasileiro em mercados compradores exigentes, como Ásia e Europa.

Júlio Busato, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), foi um dos convidados e mencionou o que ouviu em visitas recentes a diversos países que compram o algodão brasileiro. “Tivemos uma reunião em Dubai com empresas do Paquistão, visitamos a indústria têxtil na Turquia, Indonésia, Tailândia e Bangladesh e em todos os lugares ouvimos a mesma coisa: que o algodão brasileiro melhorou nos últimos cinco anos e que querem comprar mais algodão do Brasil, cada vez mais”, destacou. A Missão Compradores, também da Abrapa, visitou estados brasileiros que cultivam há cerca de 20 dias e recebeu a mesma informação positiva de visitantes internacionais.

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Foto: Divulgação

Para Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, que participou do painel direto de Cingapura, onde trabalha, o principal objetivo é fortalecer a confiança internacional no algodão brasileiro para que ele seja comercializado com um diferencial muito pequeno ou até igual a o americano que é a referência. “Não temos nada a esconder, sabemos que há anos bons, há anos ruins, mas sabemos que a transparência é fundamental para garantir confiança e essa mesma confiança fará o Brasil ganhar mercado sem precisar vender mais barato, esse é o objetivo” , apontou.

Assim como Busato, Duarte também reforçou o interesse dos países asiáticos pela fibra do Brasil. “Em todos os mercados que visitamos, a linha de máquinas de fiação que chegará nos próximos dois anos é longa, contando com nosso algodão. É uma pena que neste momento não tenhamos a produção que esperávamos, mas em termos de qualidade nos superamos. E falar do algodão brasileiro é fácil, porque eles não querem apenas comprá-lo, querem aprender a fazer conosco”, acrescentou.

O cotonicultor Alexandre Bottan e o presidente da Ampa, Paulo Sérgio Aguiar, também presentes no painel de abertura, relataram os problemas climáticos vivenciados nesta safra, mas também apostaram com otimismo no crescimento do algodão nacional no exterior. “Vamos trabalhar questões de custo, temos novas tecnologias, biotecnologias excelentes e tudo para ter um produto sustentável para crescer. Então não há motivo para desanimar, temos tudo para tocar esse negócio e vamos conseguir evoluir”, disse Aguiar. Bottan, por outro lado, apenas resumiu: “Não me vejo longe da cotonicultura ao longo da minha vida”.

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Foto: Jesse Macedo

Outros aspectos

Além da maior visibilidade do algodão brasileiro, conquistada pelo atendimento aos critérios de qualidade exigidos pelos importadores, outros aspectos atuais contribuem para que o Brasil tenha mais chances de expandir suas posições nesse mercado. Um deles está ligado aos problemas climáticos nos Estados Unidos, o segundo maior produtor atrás da Índia. “Secas como a do Texas e chuvas excessivas no sudeste americano, e a temporada de furacões que ainda nem começou, podem deixar o mercado nervoso”, disse Paulo Marques, diretor global de algodão da ADM, que participou da Suíça.

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A China, por sua vez, não terá muito impacto em sua produção de algodão, porém, seu governo prioriza a segurança alimentar. Neste caso, se necessário, a área de algodão é reduzida para dar lugar ao milho. “Não podemos e não vamos perder a oportunidade. O que nos trouxe aqui hoje é a união entre produtores, pesquisas e a troca de informações que temos entre nós, então certamente temos que aproveitar essa oportunidade e estarmos unidos”, acrescentou o presidente da Abrapa.

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