Por Luiz Antonio Pinazza
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Engenheiro Agrônomo – agronegócio e sustentabilidade
Colaboração Aline Merladete
A produção anual de laranja sempre apresenta variações, como ocorre nas lavouras agrícolas em geral. No Brasil, as duas primeiras décadas deste século – a primeira de 2001/02 a 2009/10 e a segunda de 2010/11 a 2009/10 – apresentam comportamentos distintos. Vale a pena analisar cada um deles, com a descrição de suas características básicas.
Na primeira década, o hiato produtivo foi mais concentrado. Em volume, a maior colheita ocorreu na safra 2004/05, com 377,8 milhões de caixas de 40,8 kg, enquanto a menor foi registrada na safra 2001/02, com 272,8 milhões. Na segunda década, ao contrário, a produção tornou-se mais dispersa. Em relação à quantidade, a máxima ocorreu na safra 2011/12, com 416 milhões de toneladas, sendo a menor, na safra 2016/17, com 245 milhões, devido à alta temperatura no período da florada, com queda de flores e pellets (frutos) .
As últimas temporadas 2018/119 e os ciclos 2020/21 e 2021/22 foram afetados por fortes estiagens, com expectativas frustradas quando comparadas com as produções inicialmente projetadas.
Já nesta safra 2022/23, valem as projeções do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). mostram uma clara recuperação da produção nacional. A última estimativa, de fevereiro, aponta para uma safra de 316,3 milhões de toneladas, acima da verificada na safra 2021/22, de 262,9 milhões.
Entretanto, nesta mesma temporada, os Estados Unidos voltaram a sofrer uma queda muito forte na produção de laranja, com a incidência do furacão Irã, em setembro de 2022, no estado da Flórida. Este evento reduziu a safra para 16 milhões de caixas, a menor quantidade desde 1936/37. Com isso, aumentou a demanda pelo suco de laranja brasileiro.
Assim, os embarques nacionais do produto de julho a dezembro, que marcaram os seis primeiros meses da safra 2022/2023, cresceram em relação à safra 2020/21. O volume total passou de 500.323 toneladas para 586.313 toneladas, alta de 17,19%. Em receita, as exportações foram de US$ 803,8 milhões, totalizando US$ 1,1 bilhão.
Se for considerado o período parcial de julho a fevereiro, oito primeiros meses da safra 2022/23, os embarques somam 776,3 mil toneladas, com receita de US$ 1,5 bilhão. Em relação ao ciclo anterior, esses números representaram um aumento de 14% em quantidade e 34% em receita.
As projeções para os resultados das exportações nacionais de Suco de Laranja Concentrado e Congelado Equivalente a 66º Brix (sigla em inglês, FCOJ) são positivas para a safra 2022/23, em relação à 2021/22. O aumento na quantidade tende a ficar próximo a 10%. Apesar do potencial de alavancagem ser maior, faltam condições devido ao baixíssimo nível de estoque, da ordem de 141 mil toneladas. A receita, por outro lado, pode aumentar em mais de um terço, dado o aumento do preço do produto.
À medida que a visão dos analistas de mercado se volta para a próxima safra 2023/24, as suposições começam a ser traçadas. Considerando a produção nacional de laranja e a exportação de suco em níveis semelhantes aos verificados neste ciclo 2022/23, faz parte do cenário de equilíbrio real.
