Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Quem compõe o grupo de trabalhadores autônomos na agropecuária brasileira?

Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Quem compõe o grupo de trabalhadores autônomos na agropecuária brasileira?

Noticias do Jornal do campo
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**Trabalhadores por conta própria na agricultura: perfil, atividades e renda**

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O desemprego tem sido um problema recorrente no Brasil nos últimos anos, afetando diretamente a população e o consumo das famílias. Nesse contexto, o trabalhador por conta própria tem ganhado cada vez mais importância no mercado de trabalho brasileiro. Essa categoria, composta por cerca de 25,2 milhões de trabalhadores, abrange tanto os empreendedores autônomos como aqueles que se veem obrigados a trabalhar por conta própria para sobreviver. As mudanças institucionais, como a Reforma Trabalhista, e o surgimento de novas tecnologias têm influenciado o crescimento desse número.

É relevante conhecer o perfil desses trabalhadores, principalmente aqueles que atuam na agricultura brasileira. Esse grupo, que representa aproximadamente 18% do total de trabalhadores do setor, é composto principalmente por homens nordestinos com ensino fundamental incompleto. Regionalmente, as atividades desenvolvidas por esses trabalhadores variam, sendo que nas regiões Norte e Nordeste predominam as “Outras lavouras”, enquanto nas regiões Sul e Sudeste se destacam as lavouras de gado, fumo, soja e café.

Chama a atenção o baixo nível de escolaridade desses trabalhadores, sendo que a maioria não concluiu o ensino fundamental. Isso indica que muitos deles veem no trabalho por conta própria uma alternativa ao desemprego. Além disso, é comum que eles destinem parte de sua produção para consumo próprio e de suas famílias. No entanto, essa realidade não deveria se aplicar aos trabalhadores com maior escolaridade, que teoricamente teriam melhores condições econômicas.

A renda desses trabalhadores autônomos na agricultura é bastante desigual. Segundo dados do Cepea, o faturamento médio da categoria está em torno de R$ 1,7 mil, muito abaixo do faturamento dos empresários do setor, que é cerca de R$ 8,3 mil em média. Apesar disso, houve um aumento no rendimento médio nos últimos anos, inclusive durante a pandemia de Covid-19, mas a concentração dessas rendas também se intensificou. Em 2021, aproximadamente 10% dos trabalhadores autônomos na agricultura ganhavam até R$ 200 por mês.

Esses dados preliminares levantam a questão: esses trabalhadores são empreendedores por ambição ou por imposição? A resposta a essa pergunta varia de acordo com a situação de cada trabalhador, já que, mesmo dentro desse recorte específico, há uma grande heterogeneidade. Portanto, é necessário realizar investigações mais detalhadas para compreender melhor o perfil desses trabalhadores autônomos na agricultura.

**Perguntas frequentes**

1. Quais são as principais atividades dos trabalhadores por conta própria na agricultura?
– As principais atividades são: “Outras culturas”, pecuária, pesca, cultivo de cereais, frutas e café.

2. Qual é o perfil médio dos trabalhadores por conta própria na agricultura?
– O perfil médio é de homens nordestinos com ensino fundamental incompleto.

3. Qual é a renda média dos trabalhadores autônomos na agricultura?
– A renda média está em torno de R$ 1,7 mil, mas há uma grande desigualdade, com alguns trabalhadores ganhando até R$ 200 por mês.

4. O que tem influenciado o crescimento do número de trabalhadores por conta própria na agricultura?
– Mudanças institucionais, como a Reforma Trabalhista, e o surgimento de novas tecnologias têm influenciado esse crescimento.

5. Esses trabalhadores são empreendedores por ambição ou por imposição?
– A resposta a essa pergunta varia de acordo com a situação de cada trabalhador, sendo necessário investigar mais detalhadamente.
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Depois de ter vivido um período de bonança no início da década passada, quando se discutia a possibilidade da economia se aproximar do chamado pleno emprego.[i], mais recentemente, o desemprego voltou a assolar a população brasileira. Pode-se dizer que esta é uma afirmação amplamente reconhecida pelo grande público, face à sua ampla divulgação, mas, principalmente, pelos seus efeitos no consumo e no bem-estar, que foram diretamente sentidos pelas famílias.

Concomitantemente, no mercado de trabalho brasileiro, cresceu a importância de uma figura: o trabalhador por conta própria. Atualmente, a categoria reúne cerca de 25,2 milhões de trabalhadores. Esta categoria é geralmente associada aos trabalhadores autônomos e empreendedores. No entanto, muito se discute sobre os elementos que dão origem ao crescimento recente de sua participação na economia. Se, por um lado, há uma parcela que se lança ao empreendedorismo a partir da perceção de oportunidades de negócio, outra parte recorre ao empreendedorismo por necessidade (ou sobrevivência)[ii]. Além disso, entende-se que mudanças institucionais, como as promovidas pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), e mudanças estruturais, como o advento de tecnologias que criaram um novo modelo de negócios – o que despertou um debate sobre a sociedade chamado fenômeno de “uberização” – também exercem influência sobre o crescimento do número de trabalhadores por conta própria”.

Conhecer o perfil desses trabalhadores é uma tarefa relevante. Isso tem uma importância socioeconômica. Aqui, buscamos cumprir essa tarefa, porém, estabelecendo um foco específico: os trabalhadores por conta própria cuja atividade principal está ligada à agricultura brasileira – o segmento primário ou “dentro do portão”. Este grupo é formado por aproximadamente 3,6 milhões de pessoas, o que representa cerca de 18% do total de trabalhadores do setor.

Seis atividades respondem por mais de 75% dos empregos por conta própria, com destaque para a atividade classificada como “Outras culturas”, que responde por pouco menos de um terço do total. Esta atividade reúne diversas culturas de menor representatividade na produção agrícola total, como a mandioca e a banana, entre muitas outras. Em segundo lugar está a pecuária, que representa 25% dos trabalhadores, seguida da pesca, cultivo de cereais, frutas e café.

A partir das características sociodemográficas desses trabalhadores, é possível apontar um perfil médio: homens nordestinos com ensino fundamental incompleto. Em outras palavras, essa síntese destaca a predominância dessas características nessa população. Do total de trabalhadores, cerca de 83% são homens, 34% estão no Nordeste e 56% não concluíram o ensino fundamental.

Regionalmente, outra característica interessante pode ser observada: enquanto os trabalhadores das regiões Norte e Nordeste trabalham majoritariamente na atividade denominada “Outras lavouras”, nas regiões Sul e Sudeste predominam as lavouras de gado, fumo, soja e café.

Outra característica que chama a atenção é o baixo nível de escolaridade ou escolaridade desses trabalhadores: indivíduos sem educação formal e com ensino fundamental incompleto representam, juntos, pouco mais de dois terços do total. É razoável supor que esta ação surge como uma alternativa ao desemprego. Também é possível que esses trabalhadores destinem parte de sua produção para consumo próprio e de suas famílias, o que é bastante comum na agricultura. Por outro lado, isso não deveria acontecer com aqueles que têm maior escolaridade – e, portanto, melhores condições econômicas.

De maneira geral, essas informações sugerem que, a exemplo do restante do mercado de trabalho do país, existem desigualdades consideráveis ​​no acesso a recursos e informações, nas condições de trabalho e, sobretudo, na renda desses indivíduos. Considerando os dados mais recentes, o faturamento da categoria está, em média, em torno de R$ 1,7 mil, bem abaixo do faturamento dos empregadores, cuja média é de aproximadamente R$ 8,3 mil, segundo a última divulgação do Cepea. Apesar disso, em relação aos anos anteriores, o rendimento médio cresceu – em 2016, por exemplo, foi de R$ 1.400 (a preços de fev/2023). Essa tendência aconteceu inclusive entre 2020 e 2021, quando a pandemia de covid-19 se agravou. Ao mesmo tempo, intensificou-se o grau de concentração dessas rendas. Ou seja, o crescimento dos rendimentos foi desproporcional entre os trabalhadores. Para se ter uma ideia, no início deste ano, cerca de 10% desses trabalhadores (aproximadamente 360 ​​mil pessoas) ganhavam até R$ 200 por mês.

Essas caracterizações, ainda que preliminares, levam a outra questão: esses trabalhadores são empreendedores por ambição ou por imposição? O que se entende, porém, é que essa resposta vai depender das condições de cada trabalhador, pois, mesmo que seja definido um corte específico, como neste caso, ainda haverá grande heterogeneidade, o que requer investigações detalhadas. Significa, portanto, que o perfil dos trabalhadores autônomos na agricultura é plural.


[i] Kon, A. Pleno emprego no Brasil: interpretando conceitos e indicadores. Revista Economia & Tecnologia. Vol. 8(2), pág. 5-22, abril/junho de 2012.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo**

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Fonte: Cepea