Grãos 11 de setembro de 2026 11 min de leitura

TMR e pasto na Safra 2026/27: 5 ajustes de nutrição para transformar alimento em desempenho

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Tipo: Evergreen

Resumo Rápido

  • A qualidade da silagem deve ser medida por matéria seca, FDN, digestibilidade, amido e estabilidade.
  • Uma TMR eficiente precisa controlar consumo, seleção de partículas, sobras, ruminação e indicadores do leite.
  • Novilhas Nelore na seca dependem de forragem disponível, proteína degradável, energia e adaptação ao suplemento.
  • A lotação do Mombaça deve acompanhar massa de forragem, altura de entrada, saída e taxa de acúmulo.
  • O retorno deve ser medido por litro de leite, quilo de ganho e preservação da saúde ruminal.

Nutrição de precisão não significa simplesmente fornecer mais concentrado. Significa transformar a qualidade do alimento, o consumo e o desempenho em decisões mensuráveis. Na pecuária de leite, a dieta precisa acompanhar a matéria seca e a digestibilidade da silagem. Na pecuária de corte, a suplementação deve responder à oferta de forragem, à categoria animal, ao período do ano e ao objetivo de ganho.

Na Safra 2026/27, o controle da margem exige que cada quilo de matéria seca seja aproveitado. Uma dieta mal ajustada pode elevar o custo sem aumentar a produção. Um suplemento fornecido sem adaptação pode reduzir o consumo de pasto ou provocar distúrbios. Uma lotação acima da capacidade do capim pode comprometer o ganho atual e a rebrota futura.

O ponto de partida é medir. A análise da silagem, o controle do consumo, a avaliação das sobras, a observação das fezes e da ruminação, o escore corporal, o ganho médio diário e a produção de leite mostram se a formulação está funcionando. A receita precisa ser ajustada ao rebanho real, e não aplicada como padrão fixo.

Silagem de milho: a matéria seca define a dieta

Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

Para uma silagem de milho de alta qualidade, as referências técnicas do material indicam matéria seca entre 32% e 38%, FDN entre 36% e 42% da matéria seca, FDN digestível superior a 42% da FDN e amido entre 28% e 35% da matéria seca. Esses valores ajudam a caracterizar o alimento, mas a formulação final precisa considerar também proteína, energia, tamanho de partícula e estabilidade aeróbia.

A matéria seca é fundamental porque o animal consome alimento úmido, mas a dieta é formulada na base seca. Se a silagem apresenta variação de umidade, a quantidade fornecida no cocho pode mudar sem que a equipe perceba. Uma dieta que estava equilibrada pode entregar menos ou mais nutrientes do que o planejado.

A FDN influencia consumo, ruminação e saúde ruminal. A FDN digestível ajuda a disponibilizar energia, enquanto a fibra fisicamente efetiva contribui para estimular mastigação e saliva. O equilíbrio é necessário: uma dieta com fibra insuficiente pode aumentar o risco de instabilidade ruminal; uma dieta excessivamente fibrosa pode limitar consumo e produção.

O amido também precisa ser observado. Silagem com amido elevado e digestibilidade rápida pode exigir redução da dependência de milho finamente moído. O processamento e a combinação com outras fontes devem evitar queda excessiva do pH ruminal. A equipe precisa acompanhar gordura e proteína do leite, escore fecal, ruminação e consumo para corrigir a dieta antes da perda de desempenho.

TMR para vacas de 30 a 35 quilos de leite

Para vacas produzindo aproximadamente 30 a 35 kg de leite por dia, o material apresenta como referência prática uma TMR composta, na matéria seca, por 42% de silagem de milho, 18% de silagem pré-secada ou feno de boa qualidade, 22% de milho moído ou reidratado, 13% de farelo de soja, 3% de núcleo mineral e vitamínico e 2% de fonte tamponante e corretiva.

Essa composição não deve ser aplicada sem análise. O balanceamento final precisa considerar proteína degradável, proteína não degradável, amido, FDN fisicamente efetiva e energia líquida de lactação. O consumo esperado para o grupo pode variar entre 21 e 24 kg de matéria seca por vaca por dia em condições adequadas de conforto e temperatura.

As referências indicam proteína bruta entre 16,5% e 17,5% da matéria seca, amido entre 24% e 28%, FDN total entre 28% e 32% e FDN proveniente de forragem acima de 20% da matéria seca. O bicarbonato de sódio pode ser dimensionado entre 0,75% e 1,0% da matéria seca da dieta, enquanto o óxido de magnésio geralmente entra entre 0,20% e 0,35%, conforme potássio da forragem, balanço eletrolítico e histórico de queda de gordura do leite.

A conversão alimentar desejável situa-se entre 1,35 e 1,55 kg de leite corrigido para energia por kg de matéria seca consumida, desde que a condição corporal seja preservada e não ocorra mobilização excessiva no início da lactação. Eficiência não pode ser avaliada apenas pela produção: uma vaca que produz mais, mas perde condição corporal e saúde, pode comprometer reprodução e longevidade.

Controle diário do cocho e das sobras

A TMR precisa ser misturada de maneira uniforme, distribuída em horário consistente e monitorada depois do fornecimento. A matéria seca dos volumosos deve ser reavaliada porque chuva, armazenamento e fermentação alteram a concentração de nutrientes. A equipe deve registrar o tempo de mistura e verificar se há seleção de partículas.

A sobra deve permanecer entre 2% e 5% do fornecido, sem aquecimento ou fermentação secundária. Sobra excessiva pode indicar fornecimento acima do consumo ou seleção. Sobra insuficiente pode apontar restrição, erro de pesagem ou aumento da demanda. Em ambos os casos, a resposta deve ser investigada antes de simplesmente aumentar ou reduzir a dieta.

O separador de partículas ajuda a observar a seleção. Excesso de material retido na peneira superior pode mostrar que as vacas estão separando partículas longas. Essa seleção altera o consumo real de fibra e concentrado. A consequência pode aparecer como oscilação de pH, variação nas fezes, queda de gordura do leite ou perda de ruminação.

O ambiente também interfere no consumo. Calor, lotação, acesso ao cocho, qualidade da água e conforto de descanso alteram a ingestão de matéria seca. Uma formulação tecnicamente correta pode falhar se a vaca não consegue consumir o alimento em quantidade suficiente ou se passa muitas horas sem acesso confortável ao cocho.

Novilhas Nelore na seca: suplemento como ferramenta

Na recria de novilhas Nelore durante a seca, o principal gargalo normalmente é a queda de qualidade e disponibilidade da forragem. O capim pode apresentar menos proteína e menor digestibilidade, reduzindo consumo e desempenho. O suplemento proteico-energético deve corrigir a deficiência sem substituir de forma desnecessária o pasto.

O material apresenta como referência operacional suplementação entre 0,30% e 0,50% do peso corporal, desde que exista forragem disponível, o cocho seja bem manejado e a adaptação seja realizada. Para uma novilha de 300 kg, isso corresponderia a uma faixa de 0,9 a 1,5 kg por dia, mas o fornecimento final depende da formulação, do objetivo de ganho, da qualidade da pastagem e da orientação técnica.

A concentração de proteína bruta do suplemento pode ficar entre 25% e 35%, com nitrogênio não proteico entre 3% e 8%, conforme o material. Ureia de liberação lenta pode melhorar a segurança operacional, mas não substitui totalmente a proteína verdadeira. A dieta ainda pode exigir fontes proteicas capazes de sustentar crescimento, consumo e desempenho.

A adaptação deve ser gradual. O fornecimento irregular cria competição, aumenta a variação do consumo e pode elevar o risco de distúrbios. Cochos acessíveis, espaço adequado, proteção contra chuva e rotina fixa ajudam a uniformizar a ingestão. A equipe deve observar sobras, comportamento, fezes, escore corporal e ganho de peso.

Capim Mombaça, lotação e mensuração do ganho

No capim Mombaça, a lotação não deve ser definida por um número fixo. A referência apresentada para o período chuvoso é de 2,5 a 4,5 unidades animais por hectare, sempre corrigindo pela massa de forragem, altura de entrada e saída, taxa de acúmulo e desempenho animal.

A altura de entrada indicada no material fica próxima de 80 a 90 centímetros, e a altura de saída entre 35 e 45 centímetros. Esses valores são referências de manejo e precisam ser ajustados conforme fertilidade, chuva, adubação, taxa de crescimento e categoria animal. Retirar os animais muito abaixo do ponto adequado pode prejudicar a rebrota; permanecer além do necessário pode reduzir a qualidade do material consumido.

A taxa de lotação deve acompanhar a oferta real de forragem. Quando o produtor mantém mais animais do que o pasto suporta, o ganho individual cai e a recuperação da planta fica comprometida. Quando trabalha muito abaixo da capacidade, pode perder eficiência de utilização da área. A decisão precisa combinar ganho por animal e ganho por hectare.

A avaliação deve incluir pesagens periódicas, escore corporal, consumo de suplemento, disponibilidade de massa e taxa de lotação. Sem medir o ganho, não é possível saber se o suplemento está pagando seu custo. O retorno pode ser avaliado por quilo de ganho, custo do suplemento por animal e desempenho do lote.

💬 Opinião do Canal – Análise Global:

A eficiência nutricional na Safra 2026/27 dependerá menos do aumento indiscriminado do concentrado e mais da qualidade da informação. Análise de forragem, controle de matéria seca, digestibilidade, consumo, seleção de partículas e desempenho permitem ajustar a dieta à realidade. O sistema eficiente é aquele que transforma alimento em leite, ganho e reprodução sem comprometer a saúde.

💬 Opinião do Canal – Análise Nacional:

No Brasil, há espaço para ganhos econômicos pela integração entre manejo de pastagens, suplementação calculada e controle de indicadores. A lotação deve responder à oferta de forragem, enquanto o suplemento precisa ser avaliado pelo retorno por quilo de ganho. Receitas fixas podem falhar quando ignoram clima, solo, categoria animal e qualidade do volumoso.

Visão do Especialista Sênior

Eu começo a avaliação nutricional pela análise do alimento, não pela escolha do concentrado. Quero saber matéria seca, fibra, amido, proteína e digestibilidade. Depois comparo esses dados com consumo, produção, fezes, ruminação e condição corporal. A dieta só está funcionando quando os números do laboratório e os indicadores do animal contam a mesma história.

Na pecuária de leite, observo especialmente as sobras, a seleção da TMR e a estabilidade do consumo. Uma pequena variação diária de matéria seca pode alterar a quantidade real de nutrientes. Na recria de novilhas, acompanho massa de forragem, ganho médio diário e custo do suplemento. Se o pasto não sustenta o desempenho, não adianta aumentar a quantidade sem entender a deficiência.

Eu também considero a saúde parte da eficiência. Uma vaca que produz muito, mas perde condição corporal, ou uma novilha que ganha peso com distúrbio digestivo, não representa um sistema sustentável. Minha recomendação é medir o retorno por litro ou quilo produzido e ajustar a dieta antes que o problema apareça no resultado financeiro.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Pergunta: Qual matéria seca é indicada para a silagem de milho?
Resposta: A referência apresentada é de 32% a 38% de matéria seca, com avaliação complementar de FDN, digestibilidade, amido e estabilidade.

Pergunta: Quanto bicarbonato de sódio pode entrar na TMR?
Resposta: Uma referência técnica é de 0,75% a 1,0% da matéria seca, com ajuste conforme amido, fibra efetiva e histórico do rebanho.

Pergunta: Qual faixa de suplemento é usada para novilhas Nelore na seca?
Resposta: A referência operacional é de 0,30% a 0,50% do peso corporal, desde que haja forragem e adaptação adequada.

Pergunta: A ureia de liberação lenta substitui a proteína verdadeira?
Resposta: Não. Ela fornece nitrogênio aos microrganismos ruminais, mas a dieta pode exigir proteína verdadeira para sustentar crescimento e desempenho.

Pergunta: Como definir a lotação do capim Mombaça?
Resposta: Considere massa de forragem, altura de entrada e saída, taxa de acúmulo, categoria animal, chuva, adubação e desempenho observado.

Conclusão & CTA

Nutrição de precisão é uma rotina de medição e ajuste. Na TMR, matéria seca, fibra, amido, sobras e seleção orientam a correção. No pasto, massa de forragem, lotação, suplemento e ganho indicam se o sistema está eficiente. O produtor que mede transforma decisões nutricionais em margem mais previsível.

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Fonte

Embrapa
Cepea

Sobre o Especialista

Dr. André Carvalho — Zootecnista e especialista sênior em nutrição de ruminantes, com atuação em formulação de dietas, manejo de pastagens, suplementação estratégica e avaliação de desempenho produtivo.

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