TIP na seca: Terminação Intensiva a Pasto para engordar gado com rentabilidade

TIP na seca: Terminação Intensiva a Pasto para engordar gado com rentabilidade

O que é a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e por que ela aumenta a carcaça

Terminação Intensiva a Pasto (TIP) é uma estratégia de manejo em que o gado é terminado no pasto com suplementação de energia e proteína, para acelerar o acabamento da carcaça. O objetivo é aumentar o GMD e obter carcaça bem acabada com custos controlados.

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Funciona ao combinar pastejo de alta qualidade com uma ração suplementar planejada. O pasto fornece fibra, enquanto a energia extra eleva o ganho diário. Um equilíbrio com proteína evita gargalos no rumen e melhora o desenvolvimento muscular da carcaça.

Como aplicar na prática

  1. Escolha animais com bom condicionamento inicial e peso estável.
  2. Use pastejo de alta qualidade e rotacione os piquetes para manter a altura do pasto entre 8 e 12 cm.
  3. Inclua suplementação energética de acordo com o peso vivo, geralmente entre 0,5% e 1,5% do peso por dia, ajustando conforme a resposta do animal.
  4. Garanta água fresca, sombra e manejo de mineral adequado para evitar deficiências.
  5. Monitore o ganho: pese a cada 2–4 semanas e ajuste a ração para manter o GMD desejado sem exceder o custo.

Cuidados e riscos

  • Risco de acidose se o carboidrato for excedente. Aumente a energia gradualmente.
  • Proteína insuficiente retarda o acabamento. Ajuste a dieta para manter o equilíbrio ruminal.
  • Custos de suplementação devem ser calculados frente ao ganho esperado na carcaça.

Resultados e considerações finais

A TIP pode reduzir o tempo de acabamento, melhorar a qualidade da carcaça e aumentar o GMD quando bem implementada. Planeje o manejo, monitore os animais e ajuste conforme a resposta do lote.

Como aplicar TIP: dosagens de ração (1,5%-2% do peso vivo) e cronogramas

Dosagem de ração é a base da TIP. Use entre 1,5% e 2% do peso vivo em ração seca por dia. Isso acelera o acabamento da carcaça com custo controlado.

O cálculo considera matéria seca, não ração úmida. GMD significa ganho médio diário de peso e ajuda a medir se a ração está funcionando.

Exemplos ajudam a planejar. Um animal de 450 kg consome entre 6,8 e 9 kg de ração seca por dia, conforme a energia da dieta. Use esse intervalo para planejar suplementos energéticos e proteicos.

Cálculo da dosagem diária

  1. Defina o peso vivo do animal. Multiplique por 0,015 a 0,02 para obter a faixa diária de DM em kg.
  2. Converta se necessário para o tipo de ração. Considere que alguns ingredientes aportam energia a mais que outros.
  3. Divida a alimentação ao longo do dia em 2 a 3 ingestas para manter o rumen estável.

Cronograma de adaptação

  1. Nos primeiros 3 a 4 dias, ofereça 0,5% a 1% do peso vivo em DM.
  2. Daí até o 7º dia, aumente gradualmente para 1,2% a 1,6% do peso vivo em DM.
  3. Até o 10º a 14º dia, alcance 1,5% a 2% do peso vivo, conforme a resposta e o custo.

Cuidados e observações

  • A energia alta pode causar acidose se subir rápido. Acelere com cautela.
  • Garanta água fresca, ração de boa qualidade e mineral adequado o tempo todo.
  • Monitore consumo, peso e ganhos. Ajuste a ração para manter o GMD desejado sem estourar o orçamento.

Exemplos práticos

Caso 1: animal de 400 kg com 1,8% de peso vivo em DM resulta em 7,2 kg/dia. Caso 2: 600 kg com 1,6% resulta em 9,6 kg/dia. Combine com pasto de qualidade e ajuste para custo.

Adaptação da microbiota ruminal: período de 15 a 21 dias e manejo gradual

Adaptação da microbiota ruminal é o processo pelo qual as bactérias do rúmen ajustam a fermentação quando a dieta fica mais energética. Na TIP, esse equilíbrio é essencial para ganhar peso sem acidose ou queda de performance. O tempo típico de adaptação varia entre 15 e 21 dias, e a forma como manejamos esse período determina o sucesso da terminação.

O que acontece no rúmen durante a adaptação

Quando entramos com mais carboidratos fermentáveis, a fermentação muda. A produção de ácido mayor é mais rápida, o pH tende a baixar e alguns microrganismos fibrólicos perdem espaço. A gente vê melhoria na fermentação de amido, mas é crucial manter o equilíbrio entre energia e fibra para não prejudicar o rúmen.

É comum observar aumento do consumo, melhor aproveitamento de energia e ganho de peso, desde que a ração seja introduzida lentamente. A adaptação gradual evita choques na microbiota e reduz o risco de distúrbios como acidose ruminal.

Fases da adaptação

  1. Dias 0 a 7: mantenha o pasto de boa qualidade e inicie a introdução de uma fonte de energia adicional em pequenas quantidades. Divida a alimentação em 2 a 3 ingestas para manter o rumen estável.
  2. Dias 8 a 14: aumente pouco a pouco a concentração de energia. Observe a resposta dos animais, ajustando a ração para manter o GMD em linha com o objetivo sem exceder custos.
  3. Dias 15 a 21: consolide a nova dieta com a energia necessária para favorecer o acabamento, mantendo fibra suficiente para a ruminação. Continue o monitoramento de peso e comportamento alimentar.

Práticas de manejo para facilitar a adaptação

  • Divida a ração em várias porções ao longo do dia para manter o rúmen estável e reduzir picos de fermentação.
  • Garanta água limpa e disponível o tempo todo; a água facilita a fermentação e o transporte de nutrientes.
  • Equilibre a dieta com fibra suficiente. A fibra ajuda na ruminação e na produção de saliva, que atua como tampão no pH.
  • Introduza aditivos com cuidado, como buffers suaves, se houver indicação para evitar quedas abruptas de pH.
  • Monitore o consumo, o ganho de peso e sinais de desconforto. Ajustes rápidos evitam prejuízos.

Sinais de boa adaptação e alertas

  • Apoio alimentar estável e consumo diário previsível.
  • Rúmen ativo na ruminação, salivação suficiente e fezes normais.
  • Nenhum comportamento de apatia, diarreia severa ou recusa persistente de alimento.
  • Se houver sinais de acidose (comportamento agitado, respiração rápida, apatia), reduza a energia imediatamente e reintroduza a adaptação de forma mais gradual.

Consolidando o progresso rumo ao acabamento

Quando a microbiota estiver estável, já com resposta positiva ao novo regime, seguimos com o objetivo de carcaça bem acabada e GMD desejado. A adaptação não é um obstáculo, e sim a base para ganhos consistentes com menos variações de custo.

Importância do pasto no rúmen e o Score de Fezes para ajustes, com foco no Score 3

O pasto é a base do rúmen, pois fornece fibra, água e estímulo à mastigação. O Score de Fezes é a ferramenta simples para entender o estado do rúmen. O Score 3 indica fezes moles, mas ainda formadas, sem diarreia grave.

O que é o Score de Fezes e o Score 3

O escore vai de 1 a 5. Um Score 3 mostra que a fermentação ruminal está ajustando-se à nova dieta, com espaço para melhoria. Fezes nesse nível sinalizam necessidade de ajustes na dieta para evitar desbalanços futuros.

Como o pasto influencia o rúmen

Pastos de boa qualidade fornecem fibra suficiente, o que aumenta a saliva e mantém o pH estável. Carboidratos rápidos elevam a fermentação, podendo reduzir o pH. O segredo é equilibrar a energia da ração com fibra adequada para não sobrecarregar o rúmen.

Como reconhecer o Score 3 no campo

  1. Observe fezes diariamente usando a escala 1 a 5.
  2. Anote os dias em que o Score chega a 3 para acompanhar tendências.
  3. Verifique água, consumo, palatabilidade da forragem e condições do lote.

Ações práticas quando o Score é 3

  • Aumente a fibra da dieta com feno de boa qualidade ou pasto mais longo.
  • Reduza temporariamente o concentrado para evitar picos de energia.
  • Garanta água fresca e mineral adequado o tempo todo.
  • Monitore peso e consumo para ajustar rapidamente a dieta.

Cuidados para evitar oscilações futuras

  • Rotacione piquetes para manter a qualidade da forragem.
  • Controle o tamanho das partículas para estimular a mastigação.
  • Considere aditivos de apoio apenas com orientação técnica.
  • Registre resultados e ajuste a resposta do grupo conforme necessário.

Resultados práticos: ganhos de GMD, eficiência e rentabilidade na seca

Resultados práticos na seca passam pelo GMD, o ganho médio diário de peso. Quanto mais ele avança, menor é o tempo até o acabamento e maior é a rentabilidade. Nesta seção, vamos explorar como medir, planejar e otimizar o GMD com a Terminação Intensiva a Pasto (TIP).

O que é o GMD e por que ele importa

O GMD é quanto o animal ganha, em média, por dia. Ele reflete a qualidade da dieta, o manejo e a saúde do animal. Na seca, manter um GMD estável ajuda a reduzir variações de peso entre os lotes e facilita o planejamento financeiro.

Fatores que influenciam o GMD na seca

  • Pasto de qualidade: ele fornece fibra que estimula a ruminação e saliva, protegendo o rúmen.
  • Energia disponível: suplementos energéticos devem acompanhar o pasto para evitar quedas no desempenho.
  • Proteína adequada: sem proteína suficiente, o ganho muscular fica comprometido.
  • Água e mineral: a água fresca e minerais balanceados mantêm a alimentação estável.
  • Manejo de alimentação: dividir a ração em várias ingestas reduz picos de fermentação e aumenta o uso de energia.
  • Saúde e conforto: temperatura, estresse e doenças afetam o apetite e o ganho de peso.

Como estimar o GMD esperado com TIP

Para estimar o GMD, comece definindo o peso atual e a meta de acabamento. Em pastagens de boa qualidade com suplementação controlada, é comum mirar entre 0,6 e 1,0 kg/dia de ganho. Em condições ideais, pode chegar a 1,2 kg/dia, desde que a energia seja bem dosada e a fibra seja suficiente.

Use um planejamento simples para projeção. Determine a ingestão diária de energia, ajuste a dieta para manter o rúmen estável e garanta que o GMD desejado seja atingido sem elevar custos desnecessários.

Casos práticos de GMD na seca

  • Caso A: pastagem boa, 450 kg de peso, com 0,8 kg/dia de GMD durante 60 dias. Resultado: ganho próximo de 48 kg adicionais no período, com custos contidos.
  • Caso B: pastagem mediana, 550 kg, com 0,6 kg/dia de GMD por 75 dias. Resultado: ganho de aproximadamente 45 kg, mantendo o orçamento sob controle.

Eficiência alimentar e conversão

A eficiência depende de quanta energia o animal realmente converte em ganho de peso. Em TIP, procure manter conversão alimentar próxima de 6 a 9 kg de alimento seco por cada kg de peso ganho, dependendo da qualidade da ração. Evite picos de energia que causem distúrbios ruminais.

Rentabilidade e custos na seca

Calcule a rentabilidade comparando o custo total da ração, manejo e água com o valor da carcaça ao fim do acabamento. Use uma abordagem simples: estime o ganho de peso total, aplique o preço de venda da carcaça e subtraia os custos. O resultado dirá se a estratégia está lucrativa.

Para melhorar o retorno, combine pasto de qualidade com suplementação inteligente, monitore peso regularmente e ajuste a ração conforme a resposta do lote. Pequenos ajustes podem trazer grandes ganhos na prática.

Checklist prático

  • Defina o GMD alvo e o tempo de acabamento.
  • Garanta pasto adequado, água limpa e mineral balanceado.
  • Divida a alimentação em 2–3 ingestas diárias para estabilidade ruminal.
  • Acompanhe o peso a cada 2–4 semanas e ajuste a dieta.
  • Monitore custos e resultados, ajustando conforme necessário para manter a rentabilidade.

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Saiba Mais Sobre Dr. João Maria
Dr. João Silva é um renomado zootecnista especializado em pecuária de leite, com mais de 2 Décadas de experiência no setor. Com doutorado pela Universidade Federal de Viçosa e diversas certificações, Também é autor de inúmeros artigos científicos e livros sobre manejo e produção de leite.
Dr. João é reconhecido por sua contribuição significativa à indústria e seu compromisso com a qualidade e a inovação na produção leiteira.

joão silva

Dr. João Silva é um renomado zootecnista especializado em pecuária de leite, com mais de 2 Décadas de experiência no setor. Com doutorado pela Universidade Federal de Viçosa e diversas certificações, Também é autor de inúmeros artigos científicos e livros sobre manejo e produção de leite. Dr. João é reconhecido por sua contribuição significativa à indústria e seu compromisso com a qualidade e a inovação na produção leiteira.