- Resumo Rápido
- Introdução
- 1. Ajuste o suplemento à condição do pasto
- 2. Faça a adaptação com segurança
- 3. Relacione o consumo à lotação
- 4. Maneje o Marandu pela altura e não pelo calendário
- 5. Meça o ganho e a conversão do suplemento
- Visão do Especialista Sênior
- Perguntas Frequentes (FAQ)
- Conclusão & CTA
- Sobre o Especialista
Tipo: Evergreen
Resumo Rápido
- A meta de ganho para novilhas Nelore em pasto suplementado fica entre 0,45 e 0,70 kg por animal ao dia.
- A mistura de referência combina milho, farelo de soja, casca de soja, ureia lenta, núcleo mineral e veículo fibroso.
- O consumo indicado de suplemento varia de 0,25% a 0,35% do peso corporal.
- A adaptação à ureia de liberação lenta deve durar pelo menos 10 a 14 dias.
- Na seca, a lotação inicial prudente em Marandu fica entre 1,2 e 1,8 UA/ha.
A recria de novilhas Nelore durante a seca exige decisões simultâneas sobre oferta de forragem, proteína degradável no rúmen, consumo de matéria seca e taxa de lotação. O objetivo é preservar o escore corporal e manter crescimento contínuo sem antecipar excesso de acabamento.
Para um sistema de pastagem tropical, a referência técnica apresentada trabalha com ganho médio diário entre 0,45 e 0,70 kg por animal. A meta precisa ser ajustada à categoria, ao peso, ao potencial genético e à qualidade do pasto. Não existe uma resposta única para todas as propriedades.
A pastagem de *Urochloa brizantha* cv. Marandu pode apresentar aproximadamente 5% a 7% de proteína bruta na matéria seca em condições de seca. Nesse cenário, a suplementação proteico-energética pode ajudar a fornecer nitrogênio e energia aos microrganismos do rúmen, desde que o consumo seja controlado e a mistura seja fornecida corretamente.
A ureia de liberação lenta participa desse planejamento, mas não substitui integralmente a proteína verdadeira. O resultado depende da sincronização entre nitrogênio e carboidratos fermentáveis, da adaptação e do manejo do cocho.
1. Ajuste o suplemento à condição do pasto
A formulação de referência apresentada é composta por 35% de milho moído, 25% de farelo de soja, 20% de casca de soja, 10% de ureia de liberação lenta, 5% de núcleo mineral proteico e 5% de veículo fibroso, como farelo de trigo ou polpa cítrica.
Essa composição deve ser entendida como referência técnica, não como receita imutável. A mistura precisa ser ajustada à massa de forragem, à qualidade do Marandu, ao peso das novilhas e ao ganho pretendido. O produto final deve fornecer aproximadamente 30% a 35% de proteína bruta, conforme o material da rodada.
O milho moído fornece carboidratos fermentáveis. O farelo de soja contribui com proteína verdadeira. A casca de soja e o veículo fibroso participam da estrutura da mistura. A ureia de liberação lenta fornece nitrogênio não proteico com liberação mais gradual, enquanto o núcleo mineral complementa a oferta de minerais da dieta.
O equilíbrio é essencial. A inclusão de ureia sem energia disponível no rúmen pode limitar a utilização do nitrogênio. Da mesma forma, uma dieta com energia, mas sem nitrogênio suficiente, pode restringir a atividade microbiana. O suplemento deve ser avaliado como conjunto.
A análise do pasto é útil para evitar decisões baseadas apenas na aparência. A planta pode manter volume, mas apresentar menor qualidade nutritiva na seca. O produtor deve observar massa, altura, folhas disponíveis, presença de material morto e resposta dos animais.
2. Faça a adaptação com segurança
A ureia de liberação lenta não deve ser disponibilizada de forma abrupta. O material recomenda adaptação de pelo menos 10 a 14 dias, iniciando com aproximadamente 50% do consumo final. Esse procedimento permite que os animais se acostumem ao produto e reduz o risco de consumo irregular.
A mistura precisa ser homogênea. A ureia não deve ser fornecida separadamente nem ficar concentrada em determinados pontos do cocho. O produto deve permanecer incorporado ao suplemento, com distribuição uniforme para que cada animal tenha acesso à formulação planejada.
Em novilhas com peso médio de 280 kg, um consumo equivalente a 0,30% do peso corporal representa aproximadamente 840 g por animal ao dia. Essa referência facilita o planejamento, mas o consumo real deve ser observado por lote. O produtor precisa acompanhar sobras, disputa no cocho e variações de consumo.
O cocho deve ser protegido contra chuva. A umidade pode alterar a mistura, favorecer aquecimento ou fermentação e reduzir a aceitação. A água limpa também é indispensável. Quedas repentinas no consumo exigem investigação antes de qualquer mudança na formulação.
O responsável deve observar comportamento, escore corporal, fezes, regularidade de acesso e sinais de problemas sanitários. Caso o consumo seja desigual, o problema pode estar na mistura, no espaço de cocho, na dominância do lote ou na qualidade do suplemento.
3. Relacione o consumo à lotação
A disponibilidade de forragem define quanto suplemento pode ser utilizado com segurança econômica. O material considera uma pastagem com aproximadamente 2.500 kg de matéria seca potencialmente consumível por hectare e eficiência de utilização próxima de 35%. Nessas condições, uma taxa de lotação prudente durante a seca pode ficar entre 1,2 e 1,8 UA/ha.
Essa faixa é indicativa. O produtor deve ajustá-la pela massa de forragem, altura do pasto, chuva residual e velocidade de rebrota. Manter animais acima da capacidade do pasto pode reduzir o resíduo, comprometer a rebrota e aumentar a dependência de suplemento.
O erro mais comum é observar apenas o peso atual das novilhas. A decisão precisa considerar a oferta para as semanas seguintes. Se a seca se prolongar, o pasto pode perder folhas e qualidade antes que a queda de desempenho seja percebida na balança.
Lotes homogêneos facilitam o controle. Novilhas com pesos muito diferentes podem apresentar consumo e competição distintos. A separação por categoria, quando possível, melhora a leitura do resultado e a adequação do suplemento.
O produtor deve estabelecer um ponto de ajuste da lotação. Reduzir animais antes do colapso do pasto pode preservar a área e evitar a necessidade de uma suplementação emergencial mais cara. O planejamento da seca começa com a preservação da capacidade de rebrota.
4. Maneje o Marandu pela altura e não pelo calendário
No manejo rotacionado, o Marandu deve entrar preferencialmente com altura próxima de 25 a 30 cm e sair entre 12 e 15 cm, com ajustes conforme fertilidade, chuva residual e velocidade de crescimento. O objetivo é preservar folhas e permitir recuperação da planta.
O período de ocupação deve ser curto, normalmente inferior a três dias, para reduzir o consumo da rebrota. O descanso não deve ser fixo no calendário. Em condições favoráveis, pode ficar próximo de 25 dias; em períodos mais restritivos, precisa acompanhar a velocidade real de crescimento.
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A altura de entrada sinaliza a quantidade de forragem disponível. A altura de saída ajuda a preservar o resíduo necessário para a rebrota. Se os animais saem abaixo do ponto planejado, a lotação ou o tempo de ocupação precisam ser revistos.
A suplementação não corrige um manejo de pasto inadequado. Se a planta não possui massa ou folhas suficientes, aumentar o suplemento pode elevar o custo sem garantir o ganho esperado. A estratégia deve combinar pasto, suplemento, água e lotação.
Registros simples melhoram a tomada de decisão. O produtor pode anotar altura de entrada e saída, dias de ocupação, dias de descanso, chuva, consumo do suplemento e peso dos animais. Com o tempo, esses dados mostram como a área reage às condições da seca.
5. Meça o ganho e a conversão do suplemento
O ganho médio diário deve ser acompanhado por pesagens periódicas. A referência apresentada é de 0,45 a 0,70 kg por animal ao dia, mas a resposta varia conforme idade, peso, genética, pasto e clima.
O consumo do suplemento precisa ser registrado por lote. Comparar o que foi fornecido com o ganho de peso permite avaliar se a formulação está funcionando. O material apresenta como referência operacional uma conversão do suplemento entre 5,5 e 8,0 kg de matéria seca por quilograma de ganho adicional.
Essa conversão não deve ser aplicada sem contexto. O resultado depende do método de pesagem, do período observado, do consumo real e da contribuição do pasto. Para reduzir distorções, as avaliações podem ser feitas em intervalos de 28 a 35 dias, mantendo o mesmo critério de pesagem.
Se o consumo cair repentinamente, o produtor deve verificar umidade, fermentação, aquecimento, chuva no cocho, granulometria, excesso de ureia, qualidade da água e possíveis problemas sanitários. Alterar a formulação sem descobrir a causa pode aumentar o custo e não resolver o problema.
O ganho também precisa ser convertido em decisão econômica. O suplemento é vantajoso quando o valor do ganho adicional supera seu custo e contribui para o objetivo da recria. A meta não é apenas colocar peso, mas formar novilhas com desenvolvimento adequado e eficiência alimentar.
Visão do Especialista Sênior
Eu começo o manejo da recria pela leitura do pasto. Antes de escolher a mistura, verifico massa, altura, qualidade, resíduo e capacidade de rebrota. Se a lotação estiver acima da oferta, nenhuma formulação consegue compensar indefinidamente a falta de forragem.
Na adaptação, trabalho com aproximadamente 50% do consumo-alvo durante os primeiros cinco a sete dias e avanço gradualmente até a meta de 0,25% a 0,35% do peso corporal. Mantenho a ureia de liberação lenta homogeneizada no suplemento e nunca a disponibilizo separadamente.
Também acompanho consumo, peso e escore corporal. Em novilhas de 280 kg, uso o cálculo de 0,30% como referência para estimar 840 g por animal ao dia, mas confirmo o consumo no cocho. Se houver queda, verifico qualidade, água, umidade e sanidade antes de reformular.
A eficiência alimentar na recria influencia o tempo necessário para a entrada das fêmeas no sistema produtivo. Em ambientes de seca, o equilíbrio entre forragem, proteína e energia reduz perdas de desempenho e melhora o uso dos recursos disponíveis.
Nas pastagens tropicais brasileiras, a gestão da lotação é tão importante quanto a escolha do suplemento. Para a Safra 2026/27, o produtor deve preservar o Marandu, adaptar a ureia lentamente, controlar o cocho e pesar os lotes para transformar manejo em resultado.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Pergunta: Qual é o consumo indicado de suplemento?
Resposta: A referência é de 0,25% a 0,35% do peso corporal, ajustada ao pasto, à categoria e ao ganho pretendido.
Pergunta: A ureia de liberação lenta substitui o farelo de soja?
Resposta: Não. A ureia fornece nitrogênio aos microrganismos, mas a dieta deve conter proteína verdadeira quando necessário.
Pergunta: Qual lotação usar na seca?
Resposta: A faixa indicativa para Marandu é de 1,2 a 1,8 UA/ha, ajustada pela massa e pela altura da forragem.
Pergunta: Qual ganho diário buscar?
Resposta: A referência apresentada é de 0,45 a 0,70 kg por animal ao dia, conforme peso, genética, pasto e manejo.
Pergunta: O que verificar quando o consumo cai?
Resposta: Avalie umidade, aquecimento, fermentação, chuva no cocho, granulometria, excesso de ureia, água e problemas sanitários.
Conclusão & CTA
A recria de novilhas Nelore na seca exige integração entre pasto, suplemento, água, lotação e medição. A ureia de liberação lenta pode contribuir para sincronizar nitrogênio e carboidratos, mas precisa de adaptação, homogeneidade e acompanhamento.
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Fonte
Embrapa
Ministério da Agricultura e Pecuária
Sobre o Especialista
Dr. Rafael Mendes de Almeida — Zootecnista Sênior, especialista em nutrição de bovinos de corte e leite, recria, eficiência alimentar e gestão de pastagens tropicais.
