Grãos 28 de agosto de 2026 11 min de leitura

Recria de novilhas Nelore na seca: 6 ajustes de nutrição para buscar até 0,65 kg por dia

nutrição de novilhas Nelore, recria na seca, ureia de liberação lenta, capim Marandu, suplementação de bovinos

Tipo: Evergreen

Resumo Rápido

  • A meta técnica indicada para novilhas Nelore é ganho médio diário de 0,45 a 0,65 kg/animal/dia.
  • Para Marandu, a lotação de referência na seca fica entre 1,0 e 1,5 UA/ha, conforme a oferta de forragem.
  • O suplemento pode conter milho, farelo de soja, farelo de trigo, ureia de liberação lenta, núcleo mineral e sal.
  • A ureia de liberação lenta não substitui integralmente a proteína verdadeira.
  • Ganho médio diário, consumo, conversão e ganho por hectare orientam os ajustes.

A recria de novilhas Nelore durante a seca exige decisões coordenadas sobre pastagem, consumo, proteína, energia, minerais e controle da ingestão de nitrogênio não proteico. O objetivo é manter ganho médio diário entre 0,45 e 0,65 kg por animal, evitando perda de escore corporal e excesso de deposição de gordura que possa comprometer a eficiência reprodutiva.

A qualidade do pasto cai durante a seca. Uma pastagem de *Urochloa brizantha* cv. Marandu com disponibilidade entre 2.500 e 3.000 kg de matéria seca por hectare, proteína bruta inferior a 7% e digestibilidade moderada pode não atender sozinha às necessidades de crescimento. A suplementação precisa ser planejada a partir da massa de forragem, do resíduo, da taxa de desaparecimento e do consumo esperado.

A ureia de liberação lenta pode contribuir para sincronizar a liberação de nitrogênio com a fermentação dos carboidratos no rúmen. Ela não é substituta integral do farelo de soja ou de outras fontes de proteína verdadeira. O resultado depende da formulação, da adaptação, da mistura homogênea, do fornecimento diário e da disponibilidade de água.

Diagnóstico do pasto define lotação e desempenho

Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

A lotação de 1,0 a 1,5 UA/ha é uma referência operacional para o Marandu na seca, mas não deve ser aplicada sem observar a massa de forragem e o resíduo pós-pastejo. A área isoladamente não informa quanto alimento está disponível. É necessário avaliar a quantidade de matéria seca, a proporção de folhas e o material senescente.

No pastejo rotacionado, a referência indicada é entrada entre 25 e 35 cm de altura e saída entre 15 e 20 cm. O manejo deve evitar a remoção excessiva de folhas e a entrada dos animais em material predominantemente senescente. A altura precisa ser combinada com observações de composição botânica, estrutura do dossel e taxa de crescimento.

Quando o resíduo cai demais, o animal passa a consumir maior proporção de colmos e material de menor qualidade. A digestibilidade reduzida limita o consumo e o suplemento pode não compensar completamente a deficiência do pasto. Quando a oferta é muito alta, o produtor pode manter uma lotação menor do que a área suportaria, reduzindo o ganho por hectare.

O acompanhamento deve ser periódico. A massa de forragem muda com chuva, temperatura, lotação e tempo de ocupação. A seca não é uniforme, e a mesma área pode apresentar condições diferentes ao longo do ciclo. A decisão de ajustar lotação ou suplementação deve acompanhar essa variação.

O escore corporal das novilhas também informa se o manejo está adequado. A perda de condição indica que a oferta de nutrientes não está acompanhando a exigência. O ganho médio diário precisa ser medido, porque aparência visual e comportamento no cocho não substituem o acompanhamento de peso.

Suplemento proteico-energético e adaptação progressiva

Para novilhas de 250 a 330 kg, a formulação apresentada no material contém 38% de milho moído, 25% de farelo de soja, 20% de farelo de trigo, 10% de ureia de liberação lenta, 5% de núcleo mineral e 2% de cloreto de sódio. Essa composição é uma referência prática e deve ser corrigida conforme o teor de proteína do pasto, o consumo estimado e a análise bromatológica dos ingredientes.

O fornecimento pode começar em 0,35% do peso corporal na matéria natural. Para novilhas nessa faixa de peso, o consumo aproximado fica entre 0,9 e 1,15 kg por animal ao dia. A adaptação progressiva deve ocorrer durante 10 a 14 dias, com observação de consumo, fezes, comportamento e uniformidade do lote.

A mistura precisa ser homogênea. A separação dos ingredientes pode fazer com que alguns animais consumam mais ureia e outros recebam menos nutrientes. O cocho deve permitir acesso adequado e o fornecimento deve ocorrer diariamente, em horários regulares. Falhas de distribuição alteram a ingestão e aumentam o risco de distúrbios.

A água limpa é indispensável. O consumo de suplemento e a fermentação ruminal dependem da disponibilidade hídrica. Bebedouro sujo, vazão insuficiente ou competição excessiva podem reduzir o consumo e prejudicar o desempenho.

O produtor deve acompanhar o consumo real, e não apenas o fornecimento planejado. Sobras, variações entre lotes e dias de menor ingestão precisam ser anotadas. A quantidade ofertada só representa o consumo quando a diferença entre fornecido e sobrado é conhecida.

Ureia de liberação lenta exige controle técnico

A ureia de liberação lenta libera nitrogênio de forma mais sincronizada com a fermentação dos carboidratos. A função principal é fornecer nitrogênio para os microrganismos ruminais, favorecendo a multiplicação microbiana e a digestão da fibra. Esse mecanismo depende da presença de energia fermentescível e de uma dieta equilibrada.

O produto não deve ser tratado como substituto integral da proteína verdadeira. A referência apresentada recomenda manter entre 45% e 55% da proteína do suplemento proveniente de fontes como farelo de soja ou farelo de algodão. Essa parcela fornece proteína com características diferentes daquelas oferecidas pelo nitrogênio não proteico.

A formulação também deve observar o enxofre. A relação aproximada indicada é de 10:1 a 12:1 entre nitrogênio e enxofre, respeitando a composição do núcleo mineral. A correção não deve ser feita de forma improvisada, pois a dieta precisa ser avaliada em conjunto.

A adaptação gradual reduz o risco de consumo irregular. A mistura deve ser fornecida todos os dias, sem permitir acesso concentrado ao produto. Mudanças bruscas na quantidade de suplemento ou interrupções seguidas de retorno ao fornecimento devem ser evitadas.

A inclusão do produto comercial não pode ser interpretada fora da concentração de nitrogênio e do consumo total da dieta. A referência prática de até 10% do produto comercial depende de adaptação, mistura homogênea, fornecimento diário e fonte de carboidratos fermentescíveis. O uso deve seguir formulação técnica.

Como medir ganho, conversão e ganho por hectare

O ganho médio diário é um dos principais indicadores da recria. A meta de 0,45 a 0,65 kg por animal ao dia deve ser acompanhada por pesagens em períodos comparáveis. Para reduzir distorções, o produtor precisa padronizar o jejum e o horário de avaliação.

Com consumo de suplemento próximo a 1,0 kg por animal ao dia e ganho de 0,50 a 0,60 kg, a conversão alimentar do suplemento pode variar entre 1,6 e 2,2 kg de matéria seca suplementar por quilograma de ganho adicional. Esse resultado depende da qualidade do pasto, do clima, do parasitismo e da uniformidade do lote.

A conversão deve ser calculada sobre o ganho adicional. O produtor precisa comparar lotes com manejo nutricional equivalente e conhecer o consumo efetivo. Dividir o total fornecido por qualquer ganho observado pode produzir uma interpretação incorreta quando há sobras ou quando o pasto muda de qualidade.

O ganho por hectare combina desempenho individual e lotação. Uma novilha pode apresentar ganho diário elevado em baixa lotação, mas o ganho total por área pode ser menor. A decisão precisa equilibrar peso por animal, número de animais, oferta de forragem e custo do suplemento.

A eficiência reprodutiva também deve entrar na avaliação. O excesso de gordura pode prejudicar a estratégia da recria, enquanto a perda de escore atrasa o desenvolvimento. O objetivo é produzir novilhas com crescimento consistente e condição corporal adequada para o sistema.

Ajustes complementares para o lote na seca

O controle de parasitas interfere no desempenho. A variação de ganho pode estar relacionada ao parasitismo, ao clima ou à qualidade do pasto, e não apenas à formulação do suplemento. O acompanhamento sanitário deve fazer parte da interpretação dos resultados.

A uniformidade do lote facilita o manejo. Novilhas muito diferentes em peso e capacidade de competição podem apresentar consumos distintos. A separação por faixas de peso pode melhorar o acesso ao cocho e reduzir a dominância, desde que seja compatível com a estrutura da fazenda.

O manejo do cocho deve evitar lama, contaminação, disputa e interrupção. O local precisa estar acessível, com espaço adequado e rotina definida. O produtor deve verificar se o suplemento permanece protegido de chuva e se não ocorre deterioração dos ingredientes.

A análise bromatológica orienta correções. Teor de proteína, energia, fibra e minerais dos ingredientes e do pasto devem ser considerados na formulação. A composição apresentada para o suplemento não deve ser reproduzida sem avaliar as matérias-primas disponíveis.

A tomada de decisão deve usar indicadores em conjunto: ganho médio diário, conversão, consumo de matéria seca, escore corporal, ganho por hectare e custo por quilograma de ganho. Um único número pode esconder perda de eficiência em outra parte do sistema.

💬 Opinião do Canal – Análise Global:

A nutrição de precisão na recria depende de transformar dados de pasto, consumo e desempenho em decisões de manejo. A ureia de liberação lenta pode contribuir para o uso da fibra, mas não elimina a necessidade de proteína verdadeira, energia, minerais, água e adaptação. Sistemas eficientes monitoram o animal e a área simultaneamente.

💬 Opinião do Canal – Análise Nacional:

Nas pastagens tropicais brasileiras, a seca exige ajuste de lotação e suplementação conforme a oferta real de matéria seca. As referências para Marandu e para a formulação do suplemento ajudam a organizar o planejamento, mas precisam ser adaptadas à fazenda. A análise do pasto e o acompanhamento de peso são indispensáveis.

Visão do Especialista Sênior

Eu começo o planejamento pela pastagem. Antes de definir a quantidade de suplemento, verifico massa de forragem, altura, resíduo, proporção de folhas e condição do lote. Uma formulação tecnicamente equilibrada não resolve a falta de oferta ou o acesso irregular ao cocho.

Eu também separo claramente proteína verdadeira de nitrogênio não proteico. A ureia de liberação lenta tem função específica no rúmen, mas não substitui integralmente o farelo de soja. Por isso, observo a composição da dieta, a relação entre nitrogênio e enxofre, a fonte de carboidrato e o consumo efetivo.

Para avaliar o resultado, eu acompanho peso, escore corporal, consumo, conversão e ganho por hectare. Se o ganho médio diário não alcança a meta, procuro a causa no pasto, no parasitismo, na água, na mistura, na competição do cocho e na uniformidade do lote antes de simplesmente aumentar o suplemento.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Pergunta: Qual ganho médio diário buscar na recria de novilhas Nelore?
Resposta: A referência apresentada é de 0,45 a 0,65 kg por animal ao dia, conforme pasto, dieta, clima e manejo.

Pergunta: Qual lotação usar no Marandu durante a seca?
Resposta: A referência fica entre 1,0 e 1,5 UA/ha, ajustada pela massa de forragem, altura e resíduo pós-pastejo.

Pergunta: A ureia de liberação lenta substitui o farelo de soja?
Resposta: Não. Ela fornece nitrogênio aos microrganismos ruminais, mas a dieta deve manter parcela relevante de proteína verdadeira.

Pergunta: Como deve ser feita a adaptação ao suplemento?
Resposta: O fornecimento deve aumentar progressivamente durante 10 a 14 dias, com mistura homogênea, rotina diária e acompanhamento do consumo.

Pergunta: Quais indicadores devem orientar os ajustes?
Resposta: Ganho médio diário, consumo de matéria seca, conversão do suplemento, escore corporal, ganho por hectare e custo por quilograma de ganho.

Conclusão & CTA

A recria de novilhas Nelore na seca exige integração entre pasto, lotação, suplemento, água, sanidade e pesagem. A referência de ganho entre 0,45 e 0,65 kg por animal ao dia depende de oferta adequada de matéria seca e de uma dieta formulada com equilíbrio. A ureia de liberação lenta pode contribuir, mas não substitui a proteína verdadeira nem o acompanhamento técnico.

👉 Entre no Grupo de Notícias do Jornal Campo Soberano: https://chat.whatsapp.com/seu-link-aqui

Fonte

Embrapa — pesquisa e tecnologias para produção animal.
Embrapa Gado de Corte — informações técnicas sobre pastagens e pecuária de corte.
MAPA — informações oficiais da agropecuária.

Sobre o Especialista

Dr. Marcelo Henrique de Almeida — Zootecnista Sênior. Especialista em nutrição de ruminantes, manejo de pastagens, recria de bovinos e avaliação de desempenho, com mais de 20 anos de experiência em sistemas pecuários do Centro-Oeste e do Sudeste.

Sair da versão mobile