Qual a importância da suplementação mineral para bovinos de corte?

Qual a importância da suplementação mineral para bovinos de corte?

Sumário:

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– Importância da suplementação mineral
– Excesso e deficiência do consumo de minerais
– Macrominerais: cálcio, fósforo, cloro, magnésio, potássio, sódio, enxofre
– Microminerais: cromo, cobalto, cobre, ferro, iodo, manganês, molibdênio, níquel, selênio, zinco
– A suplementação mineral
– Como fornecer o suplemento de forma eficiente?

Introdução:

A suplementação mineral é fundamental para garantir o bom desempenho dos animais criados em sistema de pastejo. Neste artigo, iremos explorar a importância da suplementação mineral e a necessidade de ajustá-la aos objetivos produtivos por categoria e época do ano. Veremos como o consumo excessivo ou deficiente de minerais pode afetar os animais e discutiremos os principais macrominerais e microminerais necessários para a saúde e desempenho dos animais. Além disso, abordaremos como garantir uma suplementação eficiente, considerando as condições ambientais e o fornecimento adequado do suplemento mineral.

Gostou das nossas dicas? Possui alguma outra que gostaria de compartilhar com a gente?

A suplementação mineral, ajustada aos objetivos produtivos por categoria e época do ano, é fundamental para a garantia de um bom desempenho dos animais criados em sistema de pastejo.

Além de garantir os níveis mínimos necessários para o perfeito funcionamento fisiológico e metabólico dos animais, existe ainda a expectativa de que o desempenho dos animais seja potencializado quando se utiliza a estratégia suplementar mineral da forma adequada.

 

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Importância da suplementação mineral

Estudos e pesquisas relacionados a importância da suplementação mineral já são realizados há muitos anos e o que se observa de maneira geral, é a necessidade de que os animais sejam suplementados com uma quantidade ótima de minerais onde, nesse caso, é possível observar também o melhor desempenho (avaliando especificamente o quesito disponibilidade de mineral) possível desse animal.

Diferente de carboidratos e proteínas, por exemplo, onde modulamos a quantidade fornecida para os animais visando a potencialização do desempenho nos minerais estabelece-se e devemos fornecer as exigências que garantam um bom desempenho dos animais para cada fase da vida.

Cálcio e Fósforo são os únicos que apresentam exigências para mantença e também exigências para ganho.

Excesso e deficiência do consumo de mineirais

Existem outras possibilidades, além do consumo ótimo, que podem ser observadas quando avaliamos o consumo de minerais.

Por exemplo, a deficiência no consumo, ou seja, quando os animais consomem níveis inferiores à sua exigência que quando discreta, pode levar a uma deficiência subclínica e, quando mais significativa, a uma deficiência clínica. 

O excesso no consumo dos minerais, por outro lado, também pode ser um problema. Pode levar a uma intoxicação subclínica ou até mesmo uma intoxicação clínica quando consumido em maiores quantidades, de acordo com as exigências de cada mineral. Por isso é de extrema importância quando o fornecimento e consequentemente o consumo dos animais, apresenta um ponto ótimo.

Os minerais exigidos hoje para bovinos de corte são 17, divididos em dois grupos, os macro e os microminerais. É importante salientar que essa divisão não está relacionada ao tamanho da molécula de cada mineral, mas sim a quantidade que estes minerais são encontrados nos tecidos corporais e consequentemente a quantidade que são exigidos.

Cada um dos minerais, seja macro ou micro, apresenta um papel importante para os ruminantes, principalmente nos quesitos: imunidade, desempenho, reprodução e produção de leite.

Macrominerais

  • Cálcio (Ca);
  • Fósforo (P);
  • Cloro (Cl);
  • Magnésio (Mg);
  • Potássio (K);
  • Sódio (Na);
  • Enxofre (S).

Esses minerais apresentam funções diversas no organismo, como por exemplo sendo componentes estruturais do esqueleto e outros tecidos corporais, transmissão de impulsos nervosos e pressão osmótica, dentre outras importantes funções.

Cálcio

O cálcio é de grande importância para a atividade muscular, coagulação sanguínea, estimulação da síntese de proteína muscular e, principalmente, exerce um papel fundamental na formação dos ossos e dos dentes.

Fósforo

O fósforo apresenta um papel importante como componente dos fosfolipídios das membranas celulares, sendo também um componente do ATP (molécula indispensável no processo de utilização de energia nas células), dentre outras funções.

Deficiências de cálcio e fósforo podem causar sérios prejuízos ao desempenho dos animais.

Uma das principais doenças consequentes dessas deficiências, é a hipocalcemia, também conhecida como febre do leite e apetite depravado (ocorrendo principalmente em regiões de solos pobres em P).Estudos relacionados reforçam ainda, grandes prejuízos relacionados à queda nos desempenhos reprodutivos de fêmeas com deficiência de fósforo.

Cálcio e fósforo atuam de forma concomitante na função óssea, por esse motivo a relação entre eles é importante fator de estudos e discussões, relação essa que pode ser de 1:1 até 7:1, desde que a exigência do fósforo seja atingida.

Magnésio

Cerca de 70% do magnésio no organismo dos ruminantes está presente no tecido ósseo. Esse importante mineral representa um papel determinante em mais de 300 enzimas no organismo.

O período de transição secas águas, pode significar um desafio, pensando no aporte de Mg. Isso porque o broto da pastagem nova contém baixo magnésio e alta concentração de potássio e N que diminuem a absorção de Mg no rúmen.

Uma forma prática de contornar esse desafio é a suplementação energética, que potencializa a utilização do N, além é claro da suplementação com o magnésio.

Dentre os efeitos da deficiência está o desenvolvimento da Tetania das pastagens, causadora de incoordenação e convulsões.

Potássio, sódio e cloro

São responsáveis principalmente pelo controle ácido básico no organismo. Esses minerais não apresentam, comumente, deficiências que geram desafios ou doenças como os anteriormente apresentados.

Cloreto de sódio rico em Cl e Na, pode ser utilizado como modulador de consumo e o K apresenta uma condição especial onde a maioria das espécies forrageiras são ricas nesse mineral.

Algumas condições específicas, como animais em estresse causado pela desmama e animais confinados com dietas sem adição de forragem, podem apresentar um aumento na exigência de potássio.

Enxofre

Componente importante de aminoácidos ao contrário dos demais minerais citados, o desafio mais importante com relação ao enxofre está relacionado ao seu excesso, principalmente avaliando a óptica da crescente utilização de coprodutos de destilaria de milho, ricos em enxofre.

É justamente esse excesso que pode causar uma doença que conhecemos como Poliencefalomalácia.

Microminerais

  • Cromo (Cr);
  • Cobalto (Co);
  • Cobre (Cu);
  • Ferro (Fe);
  • Iodo (I);
  • Manganês (Mn);
  • Molibdênio (Mo);
  • Níquel (Ni);
  • Selênio (Se);
  • Zinco (Zn).

Os microminerais são componentes em enzimas e agem também como componentes em hormônios no sistema endócrino. Apresentam grande importância para a manutenção da saúde e, consequentemente, do desempenho dos animais.

Cromo

Existe uma clara necessidade de mais pesquisas relacionadas ao papel do cromo no organismo e principalmente da adequação das doses a serem suplementadas, mesmo já demonstrando sua importância para o sistema imunológico dos animais.

Cobalto

O cobalto apresenta importância relevante, tendo em vista a demanda de Co por parte dos microrganismos do rúmen no momento da síntese de vitamina B12. Não existe uma exigência direta de cobalto por parte dos ruminantes, entretanto, existe uma exigência de vitamina B12, justificando então a importância na exigência do Co.

Cobre

O cobre é um constituinte de diversas enzimas no organismo e está diretamente relacionado ao metabolismo do Fe. A anemia é uma das principais doenças causadas pela deficiência de Cu, apresentando também participação na garantia da integridade do sistema nervoso central e pigmentação dos pelos.

Outros microminerais

São de grande valor na garantia de um bom desempenho dos animais. O ferro, por exemplo, é muito relevante nas funções do organismo e há uma boa disponibilidade desse mineral nas forragens.

O magnésio, essencial para reprodução, normalmente tem sua exigência atingida com consumo da forragem, por isso a avaliação da suplementação desse mineral é de grande valia, principalmente pensando em vacas para reprodução

O iodo controla a taxa metabólica fundamental para o anabolismo. O selênio atua como antioxidante e o zinco também é um mineral importante, sendo que sua deficiência pode levar a problemas de pele dos animais, principalmente dos mais jovens.

A suplementação mineral

A suplementação mineral, como já demonstrado acima, é muito valorosa e de grande impacto para os sistemas de produção. Sua deficiência é comumente identificada em propriedades de gado de corte.

Para cada categoria e fase da vida animal, as exigências e necessidades por esses macro e microminerais vão variar e devem ser atentamente atendidas.

Além das características específicas do indivíduo que será suplementado por determinado mineral, outros fatores podem influenciar na estratégia de suplementação. Entre eles, estão as condições ambientais, (mais especificamente as condições do solo e consequentemente das pastagens) e a espécie forrageira utilizada, onde os animais são criados.

Devido ao difícil controle e monitoramento dessas características e condições, apenas a realização das análises não nos garantem o fornecimento dos minerais, mesmo que apresentados nas amostras.

Assim como as condições das pastagens, a qualidade e a composição da água disponibilizada aos animais, também representa um fator ambiental que irá impactar nos cuidados no momento de definir a suplementação dos animais.

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Como fornecer o suplemento de forma eficiênte?

Outro ponto que impacta na qualidade da suplementação mineral e representa uma grande parcela na eficiência de um programa de suplementação, é o fornecimento do suplemento.

Para se garantir uma suplementação mineral de sucesso é imprescindível que o fornecimento seja realizado de forma constante, ou seja, que não falte mineral no cocho dos animais.

O suplemento empedrado inibe e dificulta o consumo, sendo assim, sempre que possível é recomendado a utilização de cochos cobertos em bom estado de conservação e com um bom dimensionamento, como altura de:

  • 50 – 60 cm do solo para fêmeas com bezerro ao pé;
  • 70 – 80 cm para animais em recria e um metro para animais em terminação, sempre com espaçamento adequado, mínimo 4 cm por cabeça.

A localização do cocho nos piquetes também vai impactar no consumo do mineral, sendo recomendado que o cocho fique localizado próximo a fonte de água dos animais (não é um fator limitante para o consumo), principalmente em terrenos acidentados, propiciando então, condição para que todos os animais possam consumir o produto disponibilizado.

Até chegar ao cocho o suplemento passa por um grande processo desde sua fabricação, transporte, armazenamento dentro da propriedade e distribuição. Por isso, devemos inicialmente, adquirir um mineral de empresa idôneas, capazes de garantir a qualidade dos insumos utilizados na confecção do suplemento, bem como seu balanceamento correto, finalizando com transporte propício até a propriedade.

A partir do momento em que o suplemento se encontra na propriedade, a responsabilidade do armazenamento das sacarias deve ser muito bem estabelecida, garantindo assim os cuidados para que sejam armazenados em local fresco, abrigados de umidade e sol.

Muita atenção para a utilização de suplementos mais antigos, que normalmente ficam embaixo da pilha de sacaria, antes da utilização dos novos produtos recém-chegados à propriedade. De preferência, o ideal é não deixar os sacos com suplemento mineral em contato direto com solo e paredes.

Por fim, após a avaliação dos níveis de garantia e consequente, a escolha do produto de uma empresa idônea e reconhecida pela seriedade na produção dos suplementos, é recomendado um minucioso acompanhamento do consumo e do desempenho dos animais tratados com determinado suplemento.

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A importância da suplementação mineral para os animais criados em sistema de pastejo

A suplementação mineral é um aspecto fundamental para garantir um bom desempenho dos animais criados em sistema de pastejo. É necessário ajustar a suplementação aos objetivos produtivos por categoria e época do ano. Além de fornecer os níveis mínimos necessários para o funcionamento fisiológico e metabólico adequado, a estratégia suplementar mineral pode potencializar o desempenho dos animais.

Estudos e pesquisas sobre a importância da suplementação mineral vêm sendo realizados há muitos anos. Observa-se que os animais devem ser suplementados com a quantidade ótima de minerais para alcançar o melhor desempenho possível. Diferentemente dos carboidratos e proteínas, a quantidade de minerais fornecida deve atender às exigências específicas de cada fase da vida animal para garantir um bom desempenho.

Existem diferentes possibilidades ao avaliar o consumo de minerais. A deficiência de consumo pode levar a uma deficiência subclínica ou clínica dos minerais, enquanto o excesso pode causar intoxicação. É importante fornecer os minerais na quantidade adequada para cada animal, buscando atingir um ponto ótimo de consumo.

Os minerais exigidos para bovinos de corte são divididos em dois grupos: macro e microminerais. Essa divisão não está relacionada ao tamanho da molécula, mas sim à quantidade encontrada nos tecidos e às necessidades dos animais. Cada mineral, seja macro ou micro, desempenha um papel importante na imunidade, desempenho, reprodução e produção de leite dos ruminantes.

Os macrominerais, como cálcio, fósforo, cloro, magnésio, potássio, sódio e enxofre, têm funções diversas no organismo, como componentes estruturais, transmissão de impulsos nervosos e pressão osmótica. O cálcio é fundamental para a formação dos ossos e dentes, enquanto o fósforo é importante para os fosfolipídios das membranas celulares e o ATP, responsável pelo processo de utilização de energia nas células. A deficiência desses minerais pode causar hipocalcemia, anemia e prejuízos reprodutivos.

O magnésio é importante para mais de 300 enzimas no organismo e pode ser desafiador durante a transição de períodos secos para chuvosos. O potássio, sódio e cloro são responsáveis pelo controle ácido básico no organismo. O enxofre é um componente importante de aminoácidos.

Os microminerais, como cromo, cobalto, cobre, ferro, iodo, manganês, molibdênio, níquel, selênio e zinco, atuam como componentes em enzimas e hormônios no organismo. São essenciais para a manutenção da saúde e do desempenho dos animais. Cada um desses minerais desempenha uma função específica e a deficiência pode causar problemas de saúde.

A suplementação mineral é extremamente valiosa e impacta positivamente nos sistemas de produção. É importante atender às exigências e necessidades de cada animal, considerando as condições ambientais, como solo e pastagens, e a qualidade da água disponibilizada. Além disso, o fornecimento do suplemento deve ser constante e realizado de forma adequada, evitando o empedramento e garantindo o consumo pelos animais.

A suplementação mineral é uma estratégia essencial para garantir o bom desempenho dos animais criados em sistema de pastejo. Ajustar a quantidade e o tipo de minerais de acordo com as necessidades de cada fase da vida animal é fundamental para alcançar resultados satisfatórios. Além disso, é importante considerar as condições ambientais e fornecer o suplemento de forma eficiente para garantir o consumo pelos animais.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

Conclusão

A suplementação mineral é crucial para garantir o bom desempenho dos animais criados em sistema de pastejo. Além de suprir as necessidades fisiológicas e metabólicas dos animais, a suplementação adequada pode potencializar seu desempenho. No entanto, é importante ajustar a suplementação de acordo com os objetivos produtivos por categoria e época do ano.

Perguntas e respostas sobre suplementação mineral

1. Quais são os minerais mais importantes para os animais criados em sistema de pastejo?

Os minerais mais importantes para esses animais são cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, cloro, enxofre, cromo, cobalto, cobre, ferro, iodo, manganês, molibdênio, níquel, selênio e zinco.

2. Quais são as consequências da deficiência de cálcio e fósforo?

A deficiência desses minerais pode causar sérios prejuízos ao desempenho dos animais, como a hipocalcemia (febre do leite), apetite depravado e queda nos desempenhos reprodutivos das fêmeas.

3. Qual o papel do magnésio na suplementação mineral?

O magnésio é essencial para a reprodução e também atua em mais de 300 enzimas no organismo dos animais. Durante o período de transição de pastagens secas para pastagens verdes, a suplementação de magnésio pode ser necessária devido à baixa concentração desse mineral nas pastagens novas.

4. Quais são os microminerais mais importantes?

Os microminerais mais importantes são cromo, cobalto, cobre, ferro, iodo, manganês, molibdênio, níquel, selênio e zinco. Esses minerais são componentes de enzimas e hormônios e desempenham um papel fundamental na saúde e no desempenho dos animais.

5. Como garantir uma suplementação mineral eficiente?

Para garantir uma suplementação mineral eficiente, é importante ajustar a suplementação de acordo com as necessidades específicas de cada animal e fase da vida. Além disso, é fundamental garantir o fornecimento constante do suplemento e utilizar cochos adequados em bom estado de conservação. A localização do cocho nos piquetes também pode influenciar no consumo do mineral.

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