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O planejamento sanitário da Safra 2026/27 deve tratar o período de transição das vacas leiteiras e a entrada dos bovinos de corte no confinamento como momentos de alto risco. Na vaca, a cetose subclínica pode reduzir consumo, fertilidade e produção antes de sinais evidentes. No Nelore recém-confinado, transporte, mistura de lotes, poeira, mudança alimentar e agentes virais favorecem a doença respiratória bovina.
A triagem das vacas deve incluir escore de condição corporal, apetite, ruminação, temperatura retal, motilidade ruminal, odor cetônico e avaliação de corpos cetônicos no sangue ou no leite. Beta-hidroxibutirato sanguíneo elevado, associado à queda de consumo e à ausência de outra causa primária, indica balanço energético negativo que requer intervenção.
Nos casos clínicos de cetose, a correção da ingestão de matéria seca deve ocorrer junto com a investigação de metrite, retenção de placenta, deslocamento de abomaso, mastite e hipocalcemia. O propilenoglicol é utilizado por via oral geralmente na faixa de 250 a 400 mL por animal ao dia, durante três a cinco dias, com ajuste pelo médico-veterinário e pela bula.
Em depressão intensa, desidratação ou cetose acompanhada de hipoglicemia, pode ser indicada dextrose intravenosa, como solução de glicose a 50%, aplicada lentamente e sob monitoramento. A administração rápida ou sem avaliação clínica pode provocar flebite, hiperglicemia rebote e agravamento metabólico.
A resposta ao tratamento deve ser reavaliada por consumo, ruminação, produção, motilidade ruminal e corpos cetônicos. Vacas que não respondem precisam de exame abdominal, avaliação uterina, investigação de mastite e checagem de cálcio, eletrólitos e função hepática quando esses recursos estiverem disponíveis.
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Nos Nelore recém-confinados, febre, depressão, queda de consumo, secreção nasal, tosse persistente, respiração acelerada ou dificuldade respiratória aumentam a suspeita de doença respiratória bovina. A auscultação ajuda na avaliação, mas tosse isolada também pode resultar de poeira, irritação ambiental ou aspiração.
Animais com sinais relevantes devem ser separados para reduzir a exposição dos companheiros e permitir monitoramento individual. A decisão sobre metafilaxia depende do risco do lote, histórico de doença, origem, transporte, mistura de animais e avaliação veterinária; o uso indiscriminado de antibióticos aumenta custos e a pressão de resistência antimicrobiana.
A prevenção combina vacinação compatível, quarentena, ventilação, água de qualidade, controle de poeira, transporte bem conduzido, adaptação alimentar e protocolos escritos para triagem, isolamento, tratamentos e carências. A vacinação reduz risco e gravidade, mas não elimina a necessidade de manejo e acompanhamento contínuo.
Conclusão: O resultado sanitário depende menos de um produto isolado do que da integração entre diagnóstico precoce, nutrição, ambiência, manejo de transição, adaptação ao confinamento e supervisão do médico-veterinário.
Fonte: Protocolo clínico integrado para cetose em vacas leiteiras e doença respiratória em Nelore recém-confinados — Safra 2026/27, material da rodada.
