PRODUTORES REVOLTADOS CORTAM ENTREGA DO LEITE PARA LATICÍNIOS

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O produtor Gerôncio Antônio de Souza lamenta o valor que recebeu da indústria pela entrega feita em abril. Foto: Divulgação

A paralisação do fornecimento foi feita porque o setor produtivo cobra reajuste dos atuais R$ 0,82 centavos pagos pelo litro, assim como um diálogo entre a indústria e os fornecedores.

Revoltados com o baixo preço pago pelo leite, pecuaristas do oeste de Mato Grosso paralisaram o fornecimento do produto para pelo menos seis laticínios da região. O setor produtivo cobra um reajuste nos atuais R$ 0,82 centavos pagos pelo litro, assim como um diálogo entre a indústria e o fornecedor. Um dos pecuaristas que resolveram não entregar mais o leite aos laticínios, Leandro Boselli, afirma que com o valor oferecido pelo litro do leite é um absurdo e vale mais a pena optar por por outras fontes de renda.

“Já que a indústria hoje não está dando valor, está compensando mais tratar os suínos, no qual o quilo está em torno de R$ 10 a R$ 12. Só a porca, já deve me dar por baixo uma duas latas e meia de banha, que valem cada uma R$ 250. Eu não queria fazer isso, queria levar o leite para cidade para doar, mas como moro a 100 quilômetros de lá, não consigo”, diz Boselli. Produtor de leite há mais de 40 anos, Boselli se diz indignado com o atual cenário da atividade na região, já que os laticínios estão pagando R$ 0,17 centavos a menos que o praticado em outros locais de Mato Grosso. Há 3 anos ele recebia pelo menos 30% a mais pelo litro do que atualmente. Com a rentabilidade comprometida, o pecuarista resolveu diminuir o rebanho e a captação diária, de 550 para 300 litros. Com isso, o pequeno sítio de 43 hectares já acumula um prejuízo de pelo menos R$ 50 mil. “Enquanto lá no Paraná, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina o litro do leite pago varia entre R$ 1,50 a R$ 1,70, o nosso está em 0,80 centavos. A cadeia vai acabar desse jeito. O pessoal da cidade está pagando muito caro no mercado pelo leite, de R$ 3 a R$ 4,50 por litro, e acham que nós produtores estamos ganhando demais. A gente também não consegue entender”, afirma Boselli. Outro produtor da região, Gerôncio Antônio, confirma o problema e também está inconformado com o valor que recebeu da indústria pela entrega feita em abril. Rei do Leite: Conheça o maior produtor do Brasil Leite: Quanto produzir para ter retorno financeiro? Vaca Girolando quebra recorde mundial de produção de leite Quais são as melhores raças para pecuária leiteira? A vaca do futuro virá da genética girolando As principais raças de gado leiteiro utilizadas no Brasil Leandro diz que não vale a pena vender o produto por esse preço. Foto: Divulgação “Com esse preço não temos condições de tocar a propriedade. Esses R$ 0,89 centavos por litro de leite não são suficientes para fechar a conta. Quando fizeram a paralisação por causa do coronavírus, ficaram com medo que a gente iria para e colocaram mais R$ 0,5 centavos em cima desse pagamento. É uma vergonha que os donos de laticínios estão fazendo com nós produtores. Não estamos querendo ficar rico, não, estamos apenas querendo suprir as nossas despesas”, afirma. A pequena propriedade de cinco hectares é o retrato da aposta na atividade leiteira. Por lá o criador mantém 60 vacas em lactação, um resfriador novo, ordenha própria e muita genética. Os investimentos para tudo isso passaram dos R$ 200 mil nos últimos anos. A expectativa era garantir a renda da família. Mas com essa desvalorização do leite na região, as dívidas acumularam e as dificuldades aumentaram. Para garantir pelo menos o sustento da casa, o pecuarista deve vender vacas para um dos frigorífico da região. “A gente não consegue cobrir as despesas mais. O nosso produto não tem valor. Há quarenta anos nesta atividade do leite e sempre tentando sobreviver. Não tenho condições de tocar o negócio com esse valor do leite”, afirma  Em forma de protesto contra os preços pagos por seu leite, Gerôncio Antônio soltou as vacas no pasto e decidiu suspender a captação e a entrega para as indústrias da região por tempo indeterminado.  Em forma de protesto contra os preços pagos por seu leite, Gerôncio Antônio soltou as vacas no pasto. Foto: Divulgação “Não vamos tirar mais leite enquanto as coisas não tomarem um rumo melhor. Peço encarecidamente uma decisão o mais rápido possível, pois já estamos há quarenta anos sofrendo com essa defasagem do leite”, reafirma ele. Segundo a Associação dos Produtores de Leite do Oeste de Mato Grosso, há muitos outros pecuaristas da região que estão tomando a mesma medida. “Se continuarmos do jeito que está, nossas propriedades terão muitos prejuízos. Também estou soltando as minhas vacas no pasto. Amanhã já não entrego mais leite para os laticínios. Seja por causa do preço do leite e também por falta de diálogo. Todos os produtores tem que entrar na paralisação em busca de melhora para o nosso leite”, diz o pecuarista Luciano Rodrigues, que também é presidente da Associação. A estimativa da associação é que no oeste de Mato Grosso existam cerca de 7 mil produtores de leite. Juntos, são responsáveis por uma captação de 800 mil litros por dia. Produtores vão invadir Brasília em apoio a Bolsonaro Circuito Nelore está com inscrições abertas no Mato Grosso Greve: Produtores não entregam leite há quase 15 dias China avança na vacina contra peste suína africana JBS em Trindade do Sul é paralisada pela MPT  Já o Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso (Sindilat-MT) afirma que os preços mais baixos agora são um reflexo da queda nas vendas de lácteos durante a quarentena. Para o presidente da entidade o cenário aos poucos está sendo retomado e reforça a importância da união da cadeia produtiva nesse momento de crise. “As indústrias, quando o coronavírus chegou, estava com as câmaras frias abarrotadas e não tinha onde mais botar queijo, chegando ao ponto de ter caminhão cheio no pátio, sem ter pra onde mandar. Isso se arrastou até abril, quando as empresas, em pleno início de entre safra, reduziu o preço do leite para tentar sobreviver. Porém, na região oeste, onde os produtores já estavam com desgaste com as indústrias, isso foi a gota d’água. Acredito que vai haver o entendimento entre a indústria e os produtores. Mas é preciso ter bom senso para dialogar e se acertar”, afirma o presidente do Sidlat, Leonir Chaves. Custo subindo de foguete e preço descendo a ribanceira Recorde: Vaca produz mais de 76 litro de leite em único dia Produtores fazem greve contra baixo preço do leite Por Pedro Silvestre, de Vila Bela Da Santíssima Trindade (MT)

Produtor de leite há mais de 40 anos, Boselli se diz indignado com o atual cenário da atividade na região, já que os laticínios estão pagando R$ 0,17 centavos a menos que o praticado em outros locais de Mato Grosso. Há 3 anos ele recebia pelo menos 30% a mais pelo litro do que atualmente. Com a rentabilidade comprometida, o pecuarista resolveu diminuir o rebanho e a captação diária, de 550 para 300 litros. Com isso, o pequeno sítio de 43 hectares já acumula um prejuízo de pelo menos R$ 50 mil. “Enquanto lá no Paraná, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina o litro do leite pago varia entre R$ 1,50 a R$ 1,70, o nosso está em 0,80 centavos. A cadeia vai acabar desse jeito. O pessoal da cidade está pagando muito caro no mercado pelo leite, de R$ 3 a R$ 4,50 por litro, e acham que nós produtores estamos ganhando demais. A gente também não consegue entender”, afirma Boselli. Outro produtor da região, Gerôncio Antônio, confirma o problema e também está inconformado com o valor que recebeu da indústria pela entrega feita em abril.

Leandro diz que não vale a pena vender o produto por esse preço. Foto: Divulgação

“Com esse preço não temos condições de tocar a propriedade. Esses R$ 0,89 centavos por litro de leite não são suficientes para fechar a conta. Quando fizeram a paralisação por causa do coronavírus, ficaram com medo que a gente iria para e colocaram mais R$ 0,5 centavos em cima desse pagamento. É uma vergonha que os donos de laticínios estão fazendo com nós produtores. Não estamos querendo ficar rico, não, estamos apenas querendo suprir as nossas despesas”, afirma.

A pequena propriedade de cinco hectares é o retrato da aposta na atividade leiteira. Por lá o criador mantém 60 vacas em lactação, um resfriador novo, ordenha própria e muita genética. Os investimentos para tudo isso passaram dos R$ 200 mil nos últimos anos. A expectativa era garantir a renda da família. Mas com essa desvalorização do leite na região, as dívidas acumularam e as dificuldades aumentaram. Para garantir pelo menos o sustento da casa, o pecuarista deve vender vacas para um dos frigorífico da região. “A gente não consegue cobrir as despesas mais. O nosso produto não tem valor. Há quarenta anos nesta atividade do leite e sempre tentando sobreviver. Não tenho condições de tocar o negócio com esse valor do leite”, afirma  Em forma de protesto contra os preços pagos por seu leite, Gerôncio Antônio soltou as vacas no pasto e decidiu suspender a captação e a entrega para as indústrias da região por tempo indeterminado. 

Em forma de protesto contra os preços pagos por seu leite, Gerôncio Antônio soltou as vacas no pasto. Foto: Divulgação

“Não vamos tirar mais leite enquanto as coisas não tomarem um rumo melhor. Peço encarecidamente uma decisão o mais rápido possível, pois já estamos há quarenta anos sofrendo com essa defasagem do leite”, reafirma ele.

Segundo a Associação dos Produtores de Leite do Oeste de Mato Grosso, há muitos outros pecuaristas da região que estão tomando a mesma medida. “Se continuarmos do jeito que está, nossas propriedades terão muitos prejuízos. Também estou soltando as minhas vacas no pasto. Amanhã já não entrego mais leite para os laticínios. Seja por causa do preço do leite e também por falta de diálogo. Todos os produtores tem que entrar na paralisação em busca de melhora para o nosso leite”, diz o pecuarista Luciano Rodrigues, que também é presidente da Associação.

A estimativa da associação é que no oeste de Mato Grosso existam cerca de 7 mil produtores de leite. Juntos, são responsáveis por uma captação de 800 mil litros por dia.

 Já o Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso (Sindilat-MT) afirma que os preços mais baixos agora são um reflexo da queda nas vendas de lácteos durante a quarentena. Para o presidente da entidade o cenário aos poucos está sendo retomado e reforça a importância da união da cadeia produtiva nesse momento de crise.

“As indústrias, quando o coronavírus chegou, estava com as câmaras frias abarrotadas e não tinha onde mais botar queijo, chegando ao ponto de ter caminhão cheio no pátio, sem ter pra onde mandar. Isso se arrastou até abril, quando as empresas, em pleno início de entre safra, reduziu o preço do leite para tentar sobreviver. Porém, na região oeste, onde os produtores já estavam com desgaste com as indústrias, isso foi a gota d’água. Acredito que vai haver o entendimento entre a indústria e os produtores. Mas é preciso ter bom senso para dialogar e se acertar”, afirma o presidente do Sidlat, Leonir Chaves.

Por Pedro Silvestre, de Vila Bela Da Santíssima Trindade (MT)

Fonte:Compre Rural

4 thoughts on “PRODUTORES REVOLTADOS CORTAM ENTREGA DO LEITE PARA LATICÍNIOS

  1. Eu Adriano Sodré fico diguinado com essas empresas que só pensa neles, tudo que vc vai comprar e um abisurdo de caro eu não vendo sou reprodutor de leite aqui em Nerópolis Goiás …esses laticínios tem que ter vergonha de querer pagar 85,00 sentavos sendo que um litro de leite de saquinho e 3.00 o litros dou pro soutros mais não vendo

    1. hoje no Brasil se predomina muito esta questão de cada um por si
      sendo que todos depende de todos
      se os produtores pararem de entregar o leite o laticínio para
      e a população da cidade tambem fica sem e toda a cadeia fica sem produção
      o produtor de leite não sabe a força que tem em relação ao efeito de produtos e empresas que depende deles

  2. Temos que unir as forças manda esses laticínios com ração pra leite, manda eles curar um animal pra ver quanto que ficakkk e muito engraçado mais infelizmente tem produtor que não mantém a palavra em firmar o pé.

    1. e verdade Adriano infelizmente o que nos prejudica mais e a questão de falta de união se os produtores se unissem teríamos mais força

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