Por Roberto Samora e Gabriel Araújo
SÃO PAULO (Reuters) – A Petrobras vai reduzir 5,3% do preço médio da gasolina em suas refinarias a partir de sábado, para o menor valor nominal desde o início de 2021, ou que consiga compensar os consumidores, até certo ponto , uma renovação de impostos federais sobre combustíveis do Brasil.
A redução do valor também deve manter a competitividade da gasolina frente ao etanol hidratado no momento de plena tensão do PIS/Cofins. O consumo do biocombustível, que tem carga tributária menor, pode ganhar um leve impulso com a movimentação da Petrobras, segundo especialista.
A gasolina da empresa vai custar em média 2,52 reais o litro a partir de sábado, informou o comunicado do Estado nesta sexta feira, lembrando que o preço para a distribuidora não considera impostos, mistura de biocombustíveis e margens de lucro até das revendas.
Após três reduções na gasolina da Petrobras desde meados de maio, o valor de venda do produto da empresa será ou menos, em termos nominais (sem considerar a inflação), dos 2,48 reais registrados em fevereiro de 2021, quando o mercado vinha se recuperando da Covid -19, segundo dados da empresa compilados pela Reuters.
As ações da petroleira se mantiveram acentuadas em quase 5% nesta sexta feira, após a notícia do reajuste de nossos preços, mas o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, reiterou que a decisão foi baseada em variáveis econômicas e comerciais de dois derivados e de petróleo bruto nos mercados brasileiro e internacional.
Em mensagem no Twitter, ele destacou que a redução da gasolina seguiu “nossos próprios critérios de negócios que nos garantem uma vida inteira de lucros com as participações no mercado regional”.
Com a redução do preço, ou valor do combustível da Petrobras ficou “muito próximo” registrado no mercado internacional, afirmou o Head da área de Petróleo, Gás e Renováveis da consultoria Stonex, Smyllei Curcio.
Segundo ele, a devolução de dois impostos federais sobre a gasolina e o etanol “caso isso só melhoraria um pouco significativamente para a competitividade do etanol”.
Mas, segundo análise da StoneX, com a redução de preço da Petrobras, a competitividade do etanol cai ainda mais.
O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, concordou que a redução da gasolina “comprime a competitividade do etanol”, o que já vimos nas vendas não acumuladas no ano pelo fato de os combustíveis fósseis serem mais vantajosa para os motoristas na maior parte do país.
Araújo disse que essa redução anunciada pela Petrobras “não faz sentido do ponto de vista técnico”, já que o preço médio da empresa não ficou abaixo da paridade internacional.
“Com essa nova política, a Petrobras não tem mais compromisso de acompanhar a paridade, mas o que se espera de uma companhia aberta é acompanhar os preços das commodities”, disse Araujo.
Ele avaliou que o objetivo da redução é muito mais reduzir “algum pouco ou o impacto da devolução de dois tributos federais”.
A Argus, empresa de consultoria que realiza pesquisas de preços e outros serviços, lembra que a nova política de preços da Petrobras dá uma fase no cronograma de abastecimento, com o objetivo de manter a competitividade dos preços da empresa frente às principais alternativas de dois suplementos de seus clientes .
“Esse fato explica a decisão da Petrobras de reduzir os preços para evitar picos de consumo e aumento da inflação”, diz Amance Boutin, especialista em combustíveis da Argus.
Para o advogado Eduardo Barreto, do escritório Buttini Moraes, o tribunal de preços da Petrobras tenta se opor a essa declaração de imposto federal, “que vai ser pesada”.
A cidade ainda tomou a decisão desta sexta feira do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de aumentar a alíquota do ICMS sobre o etanol de 9,57% para 12% a partir de sábado.
“Como o Estado de São Paulo é um grande consumidor de etanol, essa medida certamente terá um impacto inflacionário relevante”, ressaltou.
GÁS DE COZINHA
A Petrobras ainda anunciou nesta sexta feira que o valor da venda do GLP (gás de cozinha) cairá 0,10 real por quilo, ficando em 3,9%.
O produto passará de R$ 2,5356 para R$ 2,4356 o quilo, o equivalente a R$ 31,66 a garrafa de 13 quilos, disse ele à empresa, lembrando que o valor efetivamente cobrado do consumidor final no ponto de venda também depende de outros dois fatores. .
