Silagem • 29 de outubro de 2026 • 15 min de leitura

Manejo da Silagem de Capiaçu: Idade de Corte, Emurchecimento e Aditivos

Aprenda o manejo da silagem de capim BRS Capiaçu: idade de corte ideal (90-110 dias), técnica de emurchecimento e aditivos para controlar efluentes e pH.

Trator compactando silagem de capim BRS Capiaçu em silo trincheira com aplicação de aditivo secante e inoculante bacteriano

A produção de silagem de capim brs capiaçu consolidou-se como a mais eficiente alternativa volumosa para reduzir o custo da alimentação no confinamento e na pecuária leiteira, alcançando produtividades superiores a 50 toneladas de Matéria Seca por hectare/ano. No entanto, o sucesso da ensilagem exige contornar o seu principal gargalo fisiológico: o baixo teor de Matéria Seca (16% a 20% no corte aos 90 a 110 dias de rebrota), que propicia fermentações indesejáveis por Clostridium e pesadas perdas por efluentes. Para garantir um pH final entre 3,8 e 4,2 e alta digestibilidade, o produtor deve optar entre a técnica de emurchecimento solar no campo por 6 a 12 horas ou a inclusão de 5% a 10% de aditivos sequestrantes de umidade (milho moído, polpa cítrica ou casca de soja), associados a picagem fina (8 a 15 mm) e compactação vigorosa.

Na busca incessante por segurança alimentar e controle dos custos de produção na pecuária de corte e de leite, o capim-elefante (Pennisetum purpureum Schumach) sempre se destacou pela extraordinária capacidade de conversão fotossintética e acúmulo de biomassa. Com o lançamento da cultivar clonal BRS Capiaçu pela Embrapa Gado de Leite, a pecuária brasileira recebeu um marco zootécnico: uma planta de porte ereto, ultrapassando 4,20 metros de altura, com colmos tenros, excelente aceitação pelos animais e potencial produtivo que pode ultrapassar 100 toneladas de massa verde por hectare por corte, permitindo 3 a 4 colheitas anuais sob irrigação e adubação nitrogenada intensiva.

Todavia, ensilar gramíneas tropicais gigantescas não se assemelha em nada à simplicidade microbiológica da cultura do milho. Enquanto o milho chega ao ponto de silagem naturalmente balanceado com 32% a 35% de matéria seca e abundante amido nos grãos (como detalhado em nosso guia sobre o ponto ideal de colheita da silagem de milho), o BRS Capiaçu é uma forrageira com alto teor de umidade (80% a 84% de água), baixo teor de carboidratos solúveis fermentescíveis e alta capacidade tampão, fatores que conspiram contra a rápida queda do pH dentro do silo.

A consequência de ensilar o BRS Capiaçu diretamente da roçadeira, sem correção de umidade ou sem aditivos, é o desenvolvimento de fermentações secundárias desastrosas por bactérias clostridiais, resultando na formação de ácido butírico, queima de açúcares nobres, degradação de proteínas em amônia e geração de rios de efluentes no pé do silo trincheira que carregam os nutrientes mais solúveis e digestíveis da planta.

Neste artigo técnico aprofundado, dissecamos as diretrizes zootécnicas e mecânicas indispensáveis para produzir uma silagem de capim brs capiaçu de alta qualidade: a idade fisiológica ideal de corte, o balanço entre produtividade em toneladas e teor de fibra indigestível (FDA/FDN), o passo a passo do emurchecimento a campo, as formulações recomendadas de aditivos sequestrantes de umidade e a regulagem do maquinário de ensilagem.


1. Fisiologia e Curva de Crescimento do BRS Capiaçu: A Idade Ótima de Corte

O dilema clássico da produção de forragens é a relação inversamente proporcional entre a quantidade de biomassa colhida e a qualidade nutricional da forragem. À medida que a planta envelhece, seu rendimento em toneladas de matéria seca sobe exponencialmente, mas seu valor nutritivo desaba devido ao adensamento das paredes celulares e à lignificação progressiva dos tecidos vasculares.

No capim BRS Capiaçu, esse comportamento é bastante acentuado:

Idade da Rebrota (Dias)Altura Média da PlantaRendimento de Massa Verde (t/ha)Matéria Seca estimada (%)Proteína Bruta (PB %)NDT estimado (%)FDN (%)Lignina (%)
50 a 60 dias1,80 a 2,20 m40 a 55 t12% a 14%10,5% a 12,0%58% a 62%56% a 60%3,5% a 4,2%
70 a 80 dias2,80 a 3,30 m60 a 80 t14% a 16%8,5% a 9,5%54% a 57%62% a 66%4,5% a 5,2%
90 a 110 dias (Ponto Ótimo)3,80 a 4,50 m90 a 120 t17% a 20%6,0% a 7,5%50% a 53%68% a 72%5,8% a 6,8%
120 a 140 dias> 4,50 m110 a 140 t22% a 26%4,5% a 5,5%45% a 48%74% a 78%7,5% a 9,0%

Por que a janela de 90 a 110 dias é o ponto de equilíbrio?

  1. Eficiência no Uso da Área: Cortar o capim muito jovem (aos 60 dias) entrega um valor nutritivo excelente (PB próxima de 11%), porém o teor de umidade é excessivo (88% de água) e a produtividade por hectare é muito baixa, encarecendo os custos operacionais de corte e compactação por tonelada de matéria seca colhida.
  2. Evitar a “Madeirização” dos Colmos: Cortar o capim tardiamente, com mais de 120 dias, entrega uma matéria seca mais amigável para ensilar (acima de 23%), porém a base dos colmos transforma-se em pura madeira e fibra indigestível. O NDT (Nutrientes Digestíveis Totais) despenca para menos de 48%, a ingestão diária de matéria seca pelo gado no cocho reduz-se drasticamente pela repleção ruminal e o desgaste das lâminas da ensiladeira atinge níveis críticos.
  3. Ponto de Inflexão Zootécnica: Na faixa dos 90 aos 110 dias de rebrota, o BRS Capiaçu atinge o melhor compromisso agronômico: o capim atinge sua plenitude de altura (3,80 a 4,20 m), entrega entre 90 e 110 toneladas de massa verde por hectare, mantém colmos quebradiços e suculentos, apresenta teores de proteína bruta entre 6,5% e 7,5% e NDT em torno de 52%.
O corte aos 90 a 110 dias exige aditivos sequestrantes de umidade ou emurchecimento prévio para evitar a proliferação clostridial e o vazamento de efluentes.

2. O Desafio da Umidade e a Microbiologia da Ensilagem

Para entender por que o produtor não pode simplesmente cortar o Capiaçu aos 90 dias e jogar no silo sem estratégia, é preciso mergulhar na bioquímica do silo.

A ensilagem é um processo de conservação anaeróbica que depende da rápida conversão de açúcares solúveis (sacarose, frutose e glicose) em ácido lático pelas bactérias ácido-láticas (BAL), tais como Lactobacillus plantarum e Pediococcus acidilactici. O ácido lático é um ácido forte (pKa 3,86) que reduz rapidamente o pH da massa vegetal para menos de 4,2, paralisando a respiração celular da planta e inibindo patógenos e fungos deterioradores.

Quando ensilamos uma forragem com menos de 25% de matéria seca (mais de 75% de umidade), ocorrem três problemas graves:

A. Proliferação de Bactérias Clostridiais (Clostridium butyricum e Clostridium tyrobutyricum)

As bactérias do gênero Clostridium necessitam de alta atividade de água ($a_w$) para prosperar. Se a umidade for excessiva e o pH demorar para cair, os clostrídeos fermentam os açúcares e o próprio ácido lático, convertendo-o em ácido butírico.

  • O ácido butírico confere à silagem aquele odor rançoso, azedo e fétido inconfundível.
  • Os clostrídeos realizam a desaminação e descarboxilação de aminoácidos, convertendo proteínas verdadeiras em amônia ($N\text{-}NH_3$), putrescina e cadaverina. Silagens com teores de $N\text{-}NH_3$ superiores a 12% a 15% do nitrogênio total sofrem rejeição imediata pelos animais no cocho, despencando o ganho de peso diário.

B. Produção Desenfreada de Efluente (Chorume do Silo)

Uma forragem ensilada com 18% de matéria seca perde cerca de 150 a 250 litros de efluente líquido por tonelada ensilada.

  • Em uma trincheira de 500 toneladas de silagem de Capiaçu sem aditivo, isso representa até 100.000 litros de chorume escorrendo pela frente e drenos do silo.
  • O efluente não é apenas água suja: ele arrasta consigo carboidratos solúveis, nitrogênio não proteico solúvel, minerais nobres (fósforo e potássio) e ácidos orgânicos benéficos. Perde-se até 8% a 12% da matéria seca original puramente por lavagem, além do terrível impacto ambiental de contaminação de lençóis freáticos.

C. Dificuldade de Compactação e Expulsão do Oxigênio

Massas forrageiras com excesso de água comportam-se como esponjas hidrostáticas. Ao passar o trator pesado sobre a massa, a água resiste à compressão mecânica, dificultando a expulsão completa do ar intersticial. Assim que o trator sai, a forragem “respira” novamente, prolongando a fase aeróbica inicial e consumindo os escassos açúcares solúveis da planta.


3. Emurchecimento a Campo vs. Aditivos Absorventes de Umidade

Para elevar o teor de matéria seca do capim BRS Capiaçu da faixa perigosa de 18% para a faixa ideal de 28% a 32% de matéria seca, o pecuarista possui duas grandes rotas tecnológicas:

                          COLHEITA DO BRS CAPIAÇU (90-110 DIAS)
                                  [Teor de MS: 17% a 20%]
                                             │
             ┌───────────────────────────────┴───────────────────────────────┐
             ▼                                                               ▼
   ESTRATÉGIA 1: EMURCHECIMENTO                                  ESTRATÉGIA 2: ADITIVOS ABSORVENTES
   - Corte com segadora/ensiladeira                               - Corte e recolhimento direto
   - Secagem solar por 6 a 12h                                    - Inclusão de 5% a 10% de secantes
   - Recolhimento e picagem                                       - Mistura uniforme no vagão ou silo
             │                                                               │
             ▼                                                               ▼
   MS Final: 25% a 28%                                            MS Final: 28% a 32%
   Zero custo de insumos                                          Alto aporte de NDT e amido
   Dependência climática crítica                                  Independência total do tempo

Rota 1: A Técnica do Emurchecimento Solar a Campo

O emurchecimento consiste em cortar o capim BRS Capiaçu e deixá-lo estendido sobre a restolho ou enleirado para perder água por transpiração e evaporação solar antes da picagem e ensilagem:

  • Duração da Secagem: Dependendo da radiação solar e da umidade relativa do ar, o capim colhido pela manhã (8h às 10h) deve permanecer exposto ao sol durante 6 a 10 horas, podendo ser recolhido no final da tarde ou no início da manhã seguinte.
  • Taxa de Ganho de MS: A massa perde de 6 a 10 pontos percentuais de água, subindo de 18% para 25% a 28% de matéria seca.
  • Desafios Operacionais da Rota: O BRS Capiaçu atinge 4 metros de altura e produz mais de 80 toneladas verdes por hectare. Cortar essa gigantesca montanha de capim com uma segadora convencional e depois recolher com plataforma recolhedora (pick-up) exige maquinário de grande porte e causa perdas mecânicas no solo. Além disso, se cair uma chuva imprevista sobre o capim enleirado, a proliferação fúngica e a perda de açúcares por lixiviação comprometem a safra.

Por essas limitações práticas, o emurchecimento do Capiaçu é viável principalmente em pequenas propriedades com recolhimento manual ou em regiões com clima de inverno extremamente seco e ensolarado.


4. O Uso Estratégico de Aditivos Absorventes e Nutricionais

A técnica mais adotada em sistemas intensivos de pecuária de corte e confinamento é o corte e picagem direta a campo com inclusão de aditivos sequestrantes de umidade no momento do descarregamento no silo.

Os aditivos absorventes atuam por uma dupla via: absorvem fisicamente a umidade livre do capim (eliminando a produção de efluentes) e enriquecem o valor energético da silagem final com amido e pectina altamente fermentescíveis.

Comparativo dos Principais Aditivos Sequestrantes

Aditivo SecanteMatéria Seca do Aditivo (%)Poder de Absorção de ÁguaNDT do Aditivo (%)Proteína Bruta (%)Nível de Inclusão Recomendado (% da Massa Verde)
Milho Moído Fino (Fubá)88% a 90%Médio (1 kg absorve ~1,2 kg de água)82% a 85%8,5% a 9,5%6% a 10% (60 a 100 kg/tonelada)
Polpa Cítrica Peletizada88% a 90%Excepcional (1 kg absorve ~2,5 kg de água)76% a 78%6,5% a 7,5%4% a 7% (40 a 70 kg/tonelada)
Casca de Soja Peletizada88% a 90%Muito Alto (1 kg absorve ~2,0 kg de água)70% a 74%12,0% a 14,0%5% a 8% (50 a 80 kg/tonelada)
Farelo de Trigo87% a 89%Alto (1 kg absorve ~1,8 kg de água)68% a 72%15,0% a 16,5%5% a 8% (50 a 80 kg/tonelada)
Cama de Frango (Atenção às vedações legais do MAPA para ruminantes)Uso proibido na alimentação de bovinos–––PROIBIDO PELO MAPA

Cálculo Prático: Como calcular a inclusão do aditivo?

Utiliza-se a equação do Balanço de Matéria Seca:

$$\text{Inclusão (\%) } = \frac{\text{MS Desejada} – \text{MS do Capiaçu}}{\text{MS do Aditivo} – \text{MS Desejada}} \times 100$$

Exemplo Prático:

  • Matéria Seca do Capiaçu no corte = 18%
  • Matéria Seca desejada no silo = 28%
  • Matéria Seca do Milho Moído = 88%

$$\text{Inclusão } = \frac{28 – 18}{88 – 28} \times 100 = \frac{10}{60} \times 100 = 16,6\% \text{ (na base da matéria seca)}$$

Convertido para peso na balança da massa verde, isso equivale a 7% a 8% de milho moído na forragem úmida (ou seja, 70 a 80 kg de fubá de milho para cada 1.000 kg de Capiaçu picado).

A Inoculação Bacteriana É Necessária no Capiaçu?

Como discutimos detalhadamente em nosso artigo técnico sobre quando vale a pena usar inoculante enzimático-bacteriano na silagem, o uso de inoculantes contendo Lactobacillus plantarum e Lactobacillus buchneri é altamente recomendado na ensilagem do BRS Capiaçu:

  • O L. plantarum acelera o declínio do pH nas primeiras 48 horas, competindo diretamente com clostrídeos e enterobactérias.
  • O L. buchneri converte ácido lático em pequenas concentrações de ácido acético (potente fungicida natural), garantindo que a silagem não esquente no cocho após a abertura do silo (estabilidade aeróbica prolongada).

5. Regulagem Mecânica: Tamanho de Partícula e Compactação

A arquitetura do capim BRS Capiaçu é peculiar: colmos de grande diâmetro com casca fibrosa e folhas longas e flexíveis. Se a ensiladeira não estiver devidamente calibrada, a máquina apenas “desfia” as folhas e deixa toletes compridos de colmo (superiores a 40 mm), inviabilizando a compactação do silo.

1. Regulagem do Tamanho de Partícula (8 a 15 mm)

  • Tamanho Teórico de Corte: O picador deve ser ajustado para produzir partículas com tamanho teórico entre 8 e 15 milímetros.
  • Facas e Contrafaca Afiadas: A cada 20 a 30 cargas de carreta basculante, o operador deve acionar o rebolo de afiação das facas e verificar o espaçamento entre a contrafaca e os gumes (geralmente entre 0,5 e 1,0 mm). Facas cegas esmagam o capim sem cortar, aumentando em até 35% o consumo de diesel do trator e produzindo partículas desuniformes.
  • Fibra Fisicamente Efetiva: Partículas menores que 8 mm facilitam a expulsão do oxigênio e a ação das bactérias, mas não devem ser moídas em purê. A presença de partículas de 10 a 15 mm assegura a fibra fisicamente efetiva ($feFDN$) indispensável para estimular a ruminação em bovinos de corte e leite, prevenindo a acidose ruminal subaguda abordada em nosso estudo sobre acidose ruminal subaguda (SARA) em bovinos.

2. A Regra do Peso do Trator na Compactação

A compactação é o passo determinante para expulsar o ar e criar anaerobiose imediata. No Capiaçu, devido à sua densidade natural, o erro mais comum é colocar um trator leve para espalhar camadas grossas de forragem:

  • Espessura das Camadas: A massa deve ser espalhada na trincheira em camadas finas de no máximo 15 a 20 centímetros. Camadas espessas (superiores a 30 cm) formam “pontes” de ar que o pneu do trator não consegue expulsar.
  • Relação Peso do Trator / Taxa de Chegada: Aplica-se a regra de ouro da engenharia de forragens: o peso do trator compactador em toneladas deve ser de no mínimo 40% a 50% da taxa de forragem que entra no silo por hora. Se chegam 20 toneladas de capim por hora ao silo, o trator compactando sobre a massa deve pesar no mínimo 8 a 10 toneladas (trator com lastro completo de água nos pneus e contrapesos de ferro).
  • Densidade Alvo: O objetivo mínimo no silo trincheira é atingir densidade de 600 a 650 kg de massa verde por metro cúbico (ou > 180 kg de Matéria Seca por $m^3$).

6. Manejo de Painel, Abertura e Desempenho no Cocho

Após o fechamento e vedação hermética com lona dupla face (branca e preta) de polietileno de alta densidade (mínimo de 150 a 200 micras) protegida com terra, areia ou pneus velhos nas bordas, o silo de BRS Capiaçu deve permanecer selado por no mínimo 30 a 40 dias antes do início do desensilamento, permitindo que a fermentação atinja o equilíbrio biológico.

Boas Práticas no Desensilamento:

  1. Avanço Mínimo Diário de 20 a 30 cm: Ao abrir a trincheira, retire diariamente uma fatia contínua de no mínimo 20 a 30 centímetros em toda a largura e altura do painel. Fatias menores expõem a face do silo ao oxigênio por tempo prolongado, deflagrando o crescimento de fungos filamentosos e leveduras que consomem ácido lático e elevam o pH.
  2. Uso de Desensilador ou Fresa Mecânica: Evite “escavar” a base do silo com a concha do trator, o que desmorona o painel e cria fendas profundas por onde o oxigênio penetra dezenas de metros para dentro da massa. O corte limpo com desensilador rotativo preserva a integridade anaeróbica do bloco residual.
  3. Inclusão na Dieta: A silagem de capim BRS Capiaçu aditivada com 8% de milho atinge NDT entre 58% e 62% e PB entre 7% e 8%, equivalendo a uma silagem de milho de qualidade média a um custo por tonelada de matéria seca até 40% a 55% menor. Em dietas de recria e terminação, ela combina perfeitamente com os programas de desafio nutricional precoce, como detalhamos nas estratégias nutricionais para desafiar novilhas aos 14 meses, e na terminação intensiva a pasto (TIP).

Perguntas Frequentes sobre Silagem de BRS Capiaçu (FAQ)

Posso ensilar o BRS Capiaçu sem nenhum tipo de aditivo?

Sim, é biologicamente possível ensilar sem aditivos, desde que o produtor utilize a técnica do emurchecimento solar no campo por 8 a 12 horas até a forragem atingir pelo menos 25% a 26% de matéria seca, associada a um inoculante bacteriano de qualidade. Ensilar o Capiaçu colhido direto aos 90 dias com 17%-18% de matéria seca sem aditivo secante resulta quase invariavelmente em produção torrencial de efluente, perdas por lixiviação de até 12% da matéria seca e risco severo de fermentação butírica clostridial, gerando uma silagem escura e fétida com baixa aceitação no cocho.

Qual o melhor aditivo: milho moído ou polpa cítrica?

Ambos são excelentes absorventes de umidade, mas possuem vocações distintas. A polpa cítrica peletizada possui um poder de retenção de água muito superior: 1 kg de polpa cítrica absorve até 2,5 kg de água livre, permitindo uma taxa de inclusão menor (4% a 6% da massa verde) para secar o silo. Já o milho moído fino (fubá) exige uma inclusão um pouco maior (7% a 10%), mas em compensação injeta amido puro de alta densidade energética no volumoso, transformando a silagem de Capiaçu em um alimento altamente energético para animais de alta produção ou novilhas em recria intensiva. A escolha deve se basear na relação de custo por tonelada de MS e no frete do insumo até a fazenda.

A silagem de BRS Capiaçu substitui a silagem de milho de planta inteira?

Zootecnicamente, a silagem de milho de alta qualidade (com 35% de amido e NDT > 68%) é superior em densidade energética. No entanto, em termos de produção de nutrientes por hectare e custo por tonelada de matéria seca, o BRS Capiaçu é imbatível: ele produz de 45 a 55 toneladas de MS/ha/ano contra 15 a 18 toneladas do milho safrinha. Para vacas em lactação de altíssima produção (> 35 litros/dia), a silagem de milho ou o sorgo forrageiro de alta digestibilidade BMR continuam insubstituíveis no lote de ponta. Mas para vacas de média e baixa produção, novilhas de recria, animais em confinamento e vacas secas, a silagem de Capiaçu bem manejada e aditivada substitui o milho com enorme economia e alta rentabilidade.


Sobre o Especialista

Dr. João Silva (Engenheiro Agrônomo e Doutor em Nutrição e Produção de Ruminantes) é pesquisador e consultor técnico com mais de 20 anos de experiência na implantação e manejo de capineiras intensivas de BRS Capiaçu, conservação de forragens tropicais e formulação de dietas de alto desempenho para confinamentos e rebanhos leiteiros no Brasil. Assina a coluna técnica de Forragicultura do Jornal Campo Soberano.

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