Pecuária 24 de julho de 2026 3 min de leitura

Doença respiratória bovina em Nelore: protocolo de prevenção e triagem no confinamento

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Tipo: Evergreen
A entrada no confinamento é uma fase de alto risco para a doença respiratória bovina, especialmente quando os animais chegam após transporte prolongado, mistura de lotes, jejum, calor, poeira e adaptação abrupta à dieta. Em Nelore recém-confinados, os primeiros sinais podem ser depressão discreta, redução do consumo, isolamento, cabeça baixa e menor resposta ao manejo.

A progressão do quadro pode incluir febre, secreção nasal serosa ou mucopurulenta, tosse espontânea ou provocada, aumento da frequência respiratória, esforço abdominal e ruídos pulmonares anormais. A ausência de febre não exclui pneumonia, sobretudo em animais debilitados ou examinados tardiamente.

A triagem deve ser realizada na chegada e repetida nas primeiras semanas. A temperatura retal precisa ser interpretada junto do comportamento e do escore respiratório. Temperaturas persistentemente acima de 39,5 °C, associadas a tosse, corrimento nasal, frequência respiratória elevada ou queda de apetite, justificam exame individual.

A auscultação deve abranger os dois hemitórax, da região cranial à caudal. O exame procura crepitações, sibilos, áreas de silêncio pulmonar e aumento dos sons bronquiais. Quando disponível, a ultrassonografia torácica pode auxiliar na identificação de consolidação, hepatização, abscessos e irregularidade pleural, sem substituir a avaliação clínica completa.

Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

O tratamento deve ser decidido pelo veterinário responsável, considerando a gravidade, o histórico do lote, a legislação brasileira, o período de carência e a bula do produto. Entre os princípios ativos utilizados em protocolos de bovinos estão florfenicol, tulatromicina, gamitromicina, tildipirosina, ceftiofur e oxitetraciclina de longa ação, mas doses e vias variam conforme a concentração comercial e o registro.

Animais com dispneia intensa, cianose, incapacidade de acompanhar o lote, desidratação, decúbito ou suspeita de pleuropneumonia precisam ser isolados e atendidos com prioridade. A reavaliação deve ocorrer em 48 a 72 horas, e febre persistente, piora respiratória, falha clínica ou recidiva exigem revisão diagnóstica e possível coleta de amostras, sempre que viável.

A prevenção combina vacinação planejada, redução do estresse, ventilação, controle de poeira, lotação adequada, água limpa, adaptação gradual à dieta e observação diária. Quando vários animais adoecem após a entrada, é necessário revisar transporte, ambiente, vacinação e agentes envolvidos, pois o tratamento coletivo sem diagnóstico pode mascarar a origem do problema e favorecer resistência.

Conclusão: o controle da doença respiratória bovina depende de diagnóstico precoce e manejo integrado, não apenas do uso de medicamentos. Para lotes Nelore, registros de temperatura, consumo, sinais clínicos, tratamentos, recidivas e mortalidade ajudam o veterinário a corrigir falhas e reduzir perdas no confinamento.

Fonte

Material técnico da rodada sobre protocolo clínico e prevenção da doença respiratória bovina em Nelore recém-confinados.

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