Tipo: Evergreen
Corpo
A cetose bovina está associada ao balanço energético negativo e apresenta maior risco entre as duas semanas anteriores e as seis semanas posteriores ao parto. O período de transição exige acompanhamento individual porque alterações no consumo e no metabolismo podem surgir antes de sinais clínicos evidentes.
Vacas multíparas, animais com escore de condição corporal elevado ao parto e vacas com gestação gemelar formam grupos de maior vigilância. Retenção de placenta, metrite, deslocamento de abomaso e redução do consumo de matéria seca também elevam o risco de desequilíbrio energético.
A forma subclínica pode não produzir sinais claros, mas está associada a menor produção de leite, imunossupressão, pior fertilidade e maior predisposição a enfermidades uterinas e digestivas. Por isso, a observação do rebanho deve ser complementada por registros individuais e avaliação dos animais recém-paridos.
Os sinais clínicos incluem queda seletiva do consumo, redução da produção de leite, perda de escore corporal, fezes mais secas, apatia, menor ruminação e hálito com odor cetônico. Em quadros avançados podem ocorrer salivação, mastigação de objetos, marcha insegura, vocalização incomum e episódios alternados de hiperexcitabilidade e depressão.
O diagnóstico de campo deve combinar histórico, exame físico e dosagem de beta-hidroxibutirato, o BHBA, no sangue. A interpretação precisa considerar o método utilizado pelo equipamento e a validação do laboratório. Um valor elevado sinaliza desequilíbrio energético, mas não deve ser tratado como diagnóstico isolado de uma única causa.
Para vacas em lactação com cetose clínica, o protocolo clássico utiliza propilenoglicol por via oral, em dose aproximada de 300 mL uma vez ao dia durante três a cinco dias, conforme o rótulo do produto e a avaliação veterinária. A administração deve ser lenta, com o animal em estação e com reflexo de deglutição preservado, reduzindo o risco de aspiração.
Em casos de hipoglicemia, depressão intensa ou incapacidade de ingerir alimento, o médico-veterinário pode utilizar dextrose por via intravenosa. A concentração e o volume devem ser definidos pelo exame clínico, pelo estado circulatório e pela legislação aplicável. A repetição indiscriminada de glicose sem corrigir a ingestão de matéria seca favorece recaídas.
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A investigação da causa é obrigatória. O exame deve incluir úbere, útero, cascos, rúmen, fezes, motilidade gastrointestinal e sinais de deslocamento de abomaso. Metrite, mastite, dor locomotora e hipocalcemia reduzem o consumo e podem perpetuar o quadro metabólico.
A dieta precisa ser revisada quanto à densidade energética, fibra fisicamente efetiva, seleção de partículas, excesso de amido e disponibilidade de água. Monensina, niacina protegida e aditivos lipotrópicos podem ser considerados em programas preventivos, mas a escolha depende da formulação total, do sistema de produção e da legislação.
O acompanhamento do lote deve observar consumo, ruminação, produção, escore corporal e ocorrência de doenças no pós-parto. Registros individuais permitem identificar vacas com recaída e avaliar se o protocolo está corrigindo a causa ou apenas reduzindo temporariamente os sinais.
A prevenção também envolve conforto, redução de estresse e acesso adequado ao cocho e à água. Protocolos fixos aplicados sem considerar o agente, o estágio clínico, o período de carência e as condições do animal perdem valor diante das exigências de rastreabilidade e do uso racional de medicamentos.
Conclusão
O controle da cetose depende de diagnóstico precoce, manejo adequado do período de transição e investigação das doenças que reduzem o consumo. Propilenoglicol e outras intervenções devem seguir avaliação veterinária, rótulo e legislação. A medicina de rebanho eficiente mede resultados, acompanha recaídas e corrige fatores de lote, em vez de apenas tratar animais doentes.
Fonte
- Material técnico da rodada sobre controle clínico da cetose no período de transição.
- Material técnico da rodada sobre nutrição e manejo avançado na pecuária leiteira.
