Tipo: Evergreen
A doença respiratória bovina em Nelore recém-confinados é uma síndrome multifatorial que exige prevenção antes do embarque, na recepção e durante os primeiros 30 dias de cocho. Mistura de lotes, transporte prolongado, jejum, mudança brusca de dieta, poeira, alta densidade e histórico vacinal desconhecido podem elevar o risco clínico.
Entre os agentes relacionados estão herpesvírus bovino tipo 1, vírus sincicial respiratório bovino, vírus da diarreia viral bovina, vírus parainfluenza-3, *Mannheimia haemolytica*, *Pasteurella multocida*, *Histophilus somni* e *Mycoplasma bovis*. A vacinação pode reduzir a ocorrência e a gravidade dos casos, mas não substitui quarentena, ventilação, hidratação, adaptação alimentar e monitoramento individual.
Na chegada, cada animal deve ser identificado e submetido a triagem clínica. A avaliação inclui temperatura retal, escore de depressão, frequência respiratória, secreção nasal ou ocular, tosse espontânea, esforço respiratório, apetite e locomoção. O registro individual facilita a comparação da evolução e a identificação precoce de animais fora do padrão do lote.
Temperatura retal acima de 39,5 °C associada a depressão, cabeça baixa, orelhas caídas, isolamento, respiração abdominal, extensão do pescoço, ruídos pulmonares anormais ou queda de consumo justifica exame imediato. Animais suspeitos devem ser separados em baia hospitalar, evitando movimentação excessiva e reduzindo a competição pelo alimento e pela água.
A auscultação pulmonar precisa abranger os dois hemitórax, principalmente as regiões cranioventrais. Crepitações, estertores, áreas de silêncio ou sopros bronquiais podem sugerir consolidação, broncopneumonia ou derrame pleural. O diagnóstico deve ser conduzido pelo médico-veterinário, que poderá indicar exames complementares conforme a evolução e o histórico do lote.
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O protocolo vacinal deve respeitar a bula registrada no Ministério da Agricultura e o histórico imunológico dos animais. Em lotes sem comprovação de vacinação, o veterinário pode avaliar uma vacina respiratória polivalente com antígenos compatíveis com os principais agentes de risco regional e indicar o reforço conforme o fabricante.
A metafilaxia não deve ser automática para todo o confinamento. Ela pode ser considerada em lotes de alto risco, com histórico documentado de DRB, transporte prolongado, elevada proporção de recém-desmamados ou alta incidência precoce. A escolha do princípio ativo, a dose, a via, o período de carência e a necessidade de reavaliação dependem da responsabilidade técnica veterinária.
Conclusão: O controle da DRB depende da combinação entre preparação, triagem, imunização, ambiente adequado, adaptação e diagnóstico rápido. O antimicrobiano trata parte da infecção, mas não corrige falhas de manejo, ventilação, hidratação ou imunidade.
Fonte
Material técnico “Saúde Animal — Protocolo clínico para controle da doença respiratória bovina em Nelore recém-confinados”, fornecido na rodada editorial.
