Pecuária 23 de julho de 2026 3 min de leitura

Cetose bovina: prevenção e diagnóstico no período de transição

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Tipo: Evergreen
A prevenção da cetose bovina começa antes do parto, com acompanhamento do escore de condição corporal, do consumo de matéria seca, do conforto no cocho e das doenças concomitantes. Vacas com escore excessivo ao secar ou ao parto podem apresentar mobilização intensa de gordura e maior formação de corpos cetônicos no início da lactação.

A doença também pode ocorrer de forma subclínica, sem sinais evidentes no comportamento do animal. Mesmo assim, a alteração pode estar associada à queda de produção, menor fertilidade, deslocamento de abomaso e maior suscetibilidade à metrite e à mastite. Por isso, a observação visual deve ser complementada por um protocolo de triagem.

A medição do beta-hidroxibutirato, conhecido como BHB, pode ser realizada no sangue, no leite ou na urina. O período entre o terceiro e o décimo dia pós-parto é especialmente importante para o acompanhamento, mas os resultados precisam ser interpretados pelo médico-veterinário dentro do histórico e do protocolo do rebanho.

Na cetose clínica, os sinais podem incluir redução seletiva do consumo, queda abrupta da produção de leite, perda de escore, fezes ressecadas, hálito com odor adocicado, apatia e hipomotilidade ruminal. Em casos nervosos, podem aparecer salivação, pressão da cabeça contra objetos, marcha irregular, vocalização incomum ou comportamento compulsivo.

Manejo e desenvolvimento técnico no campo.

A glicemia não deve ser o único critério de decisão, porque pode estar baixa, normal ou elevada. É necessário investigar deslocamento de abomaso, metrite, mastite, retenção de placenta, hipocalcemia e dor podal. Essas condições reduzem o consumo e podem manter o balanço energético negativo.

Em vacas alertas, capazes de comer e sem sinais neurológicos, o propilenoglicol por via oral pode ser utilizado como suporte metabólico conforme dose, concentração comercial e gravidade definidas pelo veterinário. O acompanhamento deve considerar BHB, ingestão e produção, evitando administração excessiva, que pode provocar depressão do sistema nervoso central, acidose e recusa alimentar.

Casos com anorexia intensa, desidratação, decúbito ou comprometimento sistêmico podem exigir fluidoterapia intravenosa, glicose intravenosa e tratamento da causa primária em ambiente supervisionado. Corticosteroides não devem ser aplicados automaticamente, especialmente quando há infecção, imunossupressão ou risco de complicações.

A dieta do período de transição deve preservar fibra fisicamente efetiva, reduzir a seleção no cocho, manter uniformidade da mistura e evitar mudanças bruscas na oferta de amido. Leveduras, tamponantes, colina protegida e niacina podem ser considerados como auxiliares, mas não substituem densidade energética adequada, água limpa, conforto e controle de enfermidades.

Conclusão: A prevenção da cetose depende de manejo pré-parto, ingestão adequada, monitoramento de BHB e diagnóstico das doenças associadas. A conduta terapêutica deve ser individualizada e conduzida pelo médico-veterinário responsável pelo rebanho.

Fonte: Material técnico da rodada sobre saúde animal; Embrapa; Ministério da Agricultura e Pecuária

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