Agricultura 20 de fevereiro de 2024 11 min de leitura

Brasil tem 28 milhões de hectares para expandir agricultura.

Brasil possui 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para expansão agrícola • Portal DBO

O Potencial de Conversão de Pastagens Degradadas para a Agricultura no Brasil

O Brasil é um dos principais países produtores de alimentos do mundo, mas a crescente demanda por produtos agrícolas tem pressionado as áreas de cultivo. Nesse contexto, o estudo realizado pela Embrapa, publicado na revista internacional Land, traz dados importantes sobre o potencial de conversão de pastagens degradadas para a agricultura. Esse material visa a orientar as decisões tomadas pelos setores das cadeias produtivas agrícolas e a elaboração de políticas para o desenvolvimento sustentável.

Análise dos Dados e Potencial Agrícola

O estudo fez um cruzamento de informações sobre a qualidade das pastagens com dados sobre a potencialidade agrícola natural das terras. Esse cruzamento resultou na identificação de cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para a implantação de culturas agrícolas, representando um aumento significativo na área plantada em relação à safra anterior.

Importância da Recuperação e Sustentabilidade

O trabalho conduzido pela Embrapa também destaca a importância da recuperação das pastagens já utilizadas para a pecuária e ressalta a necessidade de que os processos de substituição da pastagem degradada por culturas agrícolas ocorram em conformidade com a legislação ambiental e com práticas que favoreçam a produtividade e a sustentabilidade.

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Expansão da Agricultura em Áreas Degradadas

O estudo realizado pela Embrapa analisou a qualidade das pastagens e sua potencialidade agrícola, destacando a existência de 28 milhões de hectares de pastagens plantadas no Brasil com níveis de degradação intermediário e severo. Segundo o artigo, esse montante representa um aumento de 35% da área total plantada em relação à safra 2022/2023, considerando apenas o cultivo de grãos.

Benefícios da Conversão para Agricultura

O estudo identificou aproximadamente 10,5 milhões de hectares de pastagens com condição severa de degradação e 17,5 milhões de hectares com condição intermediária que apresentam potencial bom ou muito bom para a conversão para agricultura. Além disso, identificou áreas em diferentes estados que apresentaram alto potencial para a expansão agrícola. O artigo ressalta também a importância de substituir pastagens degradadas por culturas agrícolas em conformidade com a legislação ambiental e técnicas sustentáveis.

Aspectos de Infraestrutura e Risco Climático

O estudo integrou dados da infraestrutura rural já existente, como a presença de armazéns e o acesso a rodovias estaduais e federais, e considerou as informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que permite identificar as janelas de plantio em que há menor chance de frustração de safra devido a eventos climáticos adversos. A análise incluiu também exemplos de municípios onde o Zarc possibilitou a substituição da pastagem degradada por culturas anuais, evidenciando possibilidades concretas para a expansão agrícola.

Expansão da Agricultura: Desafios e Possibilidades

O estudo da Embrapa apresenta uma análise detalhada que indica áreas para a expansão agrícola a partir da substituição de pastagens degradadas por culturas agrícolas, fornecendo dados concretos e possibilidades para o desenvolvimento sustentável. No entanto, ressalta a importância de considerar a legislação ambiental, técnicas sustentáveis e condições infraestruturais para que a expansão ocorra de forma equilibrada e sustentável. As informações apresentadas no artigo abrem espaço para diversos questionamentos e reflexões sobre o potencial econômico e ambiental da expansão agrícola em áreas de pastagens degradadas no Brasil.
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Conclusão do Estudo da Embrapa sobre Pastagens Degradadas

O estudo da Embrapa é fundamental para orientar a tomada de decisão de setores das cadeias produtivas agrícolas e a elaboração de políticas para o desenvolvimento sustentável. Além disso, a pesquisa aponta para a possibilidade de expansão agrícola a partir da conversão de pastagens degradadas para culturas agrícolas, desde que realizada dentro da legislação ambiental e com práticas que favoreçam a produtividade e a sustentabilidade. A integração de dados sobre infraestrutura e risco climático também contribui para identificar as condições necessárias para dar suporte a essa possível expansão. Portanto, o trabalho da Embrapa oferece subsídios importantes para promover o desenvolvimento sustentável e aumentar a produtividade agrícola no Brasil.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

Análise do Potencial de Expansão Agrícola a Partir de Pastagens Degradadas

Um estudo recente realizado pela Embrapa revelou que o Brasil possui aproximadamente 28 milhões de hectares de pastagens plantadas com níveis de degradação intermediário e severo, que apresentam grande potencial para a implantação de culturas agrícolas. Isso representa um aumento significativo na área total plantada.

O trabalho envolveu a integração de diferentes bases de dados públicas e pode contribuir para a tomada de decisão de setores das cadeias produtivas agrícolas e a elaboração de políticas para o desenvolvimento sustentável, tais como o Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (ABC+) e o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas.

FAQs: Perguntas Frequentes

O que o estudo revelou sobre as pastagens brasileiras?

O estudo revelou que aproximadamente 40% das pastagens brasileiras apresentam médio vigor vegetativo e sinais de degradação, enquanto 20% apresentam baixo vigor vegetativo, considerado como degradação severa. Essas áreas sofrem redução na capacidade de suporte à produção e na produtividade.

Quais estados apresentaram as maiores áreas de pastagens degradadas?

Entre os estados com as maiores áreas de pastagens degradadas estão o Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e o Pará.

Como o estudo mapeou o potencial de conversão das pastagens para agricultura?

O estudo fez o cruzamento de informações sobre a qualidade das pastagens com dados sobre a potencialidade agrícola natural das terras, produzidos pelo IBGE. Foram considerados dois níveis de degradação das pastagens, severa e intermediária, e duas classes de potencialidade agrícola, boa e muito boa.

Quais práticas sustentáveis são recomendadas para substituir pastagens degradadas por culturas agrícolas?

O processo de substituição da pastagem degradada por culturas agrícolas deve ocorrer em conformidade com a legislação ambiental e a partir da aplicação de técnicas e práticas que favoreçam a produtividade e a sustentabilidade, como por exemplo o plantio direto, sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e agroflorestas.

Além da análise do potencial para conversão das pastagens para a agricultura, o que mais o estudo considerou?

O estudo também considerou dados sobre a infraestrutura rural já existente, como a presença de armazéns e o acesso a rodovias estaduais e federais num raio de 20 até 100 km, além de informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Do Campo

Estudo realizado pela Embrapa, publicado neste mês na revista internacional Land, indica a existência de aproximadamente 28 milhões de hectares de pastagens plantadas no Brasil com níveis de degradação intermediário e severo que apresentam potencial para a implantação de culturas agrícolas.

De acordo com o artigo, se considerar somente o cultivo de grãos, esse montante representaria um aumento de cerca de 35% da área total plantada em relação à safra 2022/2023.

A iniciativa representa um esforço para integração de diferentes bases de dados públicas e pode contribuir, com análises detalhadas e qualificadas, para orientar a tomada de decisão de setores das cadeias produtivas agrícolas e a elaboração de políticas para desenvolvimento sustentável, como o Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (ABC+) e o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, do Ministério da Agricultura e Pecuária.

De acordo com dados do Atlas das Pastagens, publicado pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) da Universidade Federal de Goiás (UFG), uma das bases de dados utilizadas, as pastagens brasileiras cobrem aproximadamente 177 milhões de hectares, dos quais aproximadamente 40% apresentam médio vigor vegetativo e sinais de degradação, enquanto 20% apresentam baixo vigor vegetativo, entendida como degradação severa. São áreas que apresentam uma redução na capacidade de suporte à produção e na produtividade.

O trabalho conduzido pela Embrapa fez o cruzamento destas informações a respeito da qualidade das pastagens com dados sobre a potencialidade agrícola natural das terras, produzidos pelo IBGE.

Foram considerados dois níveis de degradação das pastagens, severa e intermediária, e duas classes de potencialidade agrícola, boa e muito boa.

Anuário DBO | Áreas de pastagens degradadas aumentam quase meio milhão de hectares

Como resultado, foram mapeados aproximadamente 10,5 milhões de hectares de pastagens com condição severa de degradação e 17,5 milhões de hectares com condição intermediária que apresentam potencial bom ou muito bom para a conversão para agricultura.

Entre os estados que apresentaram as maiores áreas, dentro destes parâmetros, estão o Mato Grosso (5,1 milhões de ha), Goiás (4,7 milhões de ha), Mato Grosso do Sul (4,3 milhões de ha), Minas Gerais (4,0 milhões de ha) e o Pará (2,1 milhões de ha).

Nesta análise do potencial de expansão agrícola foram excluídas áreas consideradas especiais, como terras indígenas, unidades de conservação, assentamentos rurais e comunidades quilombolas, e também aquelas áreas indicadas pelo Ministério do Meio Ambiente como de alta prioridade para conservação da biodiversidade.

“Buscamos mapear as possibilidades de expansão agrícola a partir de análises geoespaciais indicando áreas que minimizem a pressão sobre os recursos naturais e sejam implantadas sob bases sustentáveis”, explica um dos autores do artigo, o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Édson Bolfe.

O trabalho também contemplou dados sobre o acesso à infraestrutura rural e sobre clima, com informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

Os autores ressaltam que processos de substituição da pastagem degradada por culturas agrícolas devem ocorrer em consonância com a legislação ambiental e a partir da aplicação de técnicas e práticas que favoreçam a produtividade e a sustentabilidade, como por exemplo o plantio direto, sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e agroflorestas.

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“A metodologia e as bases de informações geradas também podem orientar projetos para a própria recuperação e melhoria do vigor das pastagens já utilizadas para a pecuária”, destaca Edson Sano, pesquisador da Embrapa Cerrados que também assina o artigo.

Infraestrutura e risco climático – Além de identificar e quantificar o potencial para conversão das pastagens para a agricultura, o estudo integrou dados da infraestrutura rural já existente, como a presença de armazéns e o acesso a rodovias estaduais e federais num raio de 20 até 100 km.

As análises mostram, por exemplo, que cerca de 54% das áreas de pastagem encontram-se a uma distância de até 20 km de armazéns e 89% delas de até 20 km de rodovias.

“São informações adicionais que indicam as condições de infraestrutura necessárias para dar suporte à possível expansão agrícola e podem ajudar, por exemplo, a priorizar ações e a direcionar investimentos por parte de agentes públicos e privados”, avalia Édson Bolfe.

O estudo da Embrapa também considerou as informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que tem escala municipal e utiliza parâmetros de clima, solo e ciclos de cultivares para indicar qual cultura plantar, onde e quando.

Adotado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para orientar as políticas de crédito e seguro rural, o Zarc permite identificar as janelas de plantio em que há menor chance de frustração de safra devido a eventos climáticos adversos, cobrindo mais de 40 culturas agrícolas.

O artigo selecionou como exemplo três municípios: Guia Lopes da Laguna (MS), São Miguel Arcanjo (SP) e Ingaí (MG). Neles, o Zarc possibilitou identificar possibilidades de substituição da pastagem degradada por culturas anuais como feijão, arroz, sorgo, girassol, algodão, milho, soja, aveia, trigo, sistema integrado com milho e pasto, além de algumas culturas perenes.

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Os três municípios fazem parte do projeto Semear Digital, financiado pela Fapesp, que visa ao desenvolvimento de ações para promover a agricultura digital entre pequenos e médios produtores rurais.

Segundo Bolfe, há espaço para evoluir na análise do potencial de expansão agrícola a partir das bases já organizadas, integrando bancos de dados regionais, validações de campo e informações sociais e de viabilidade econômica e financeira. “Em termos metodológicos, também é possível seguir aprimorando o mapeamento da qualidade das pastagens, integrando imagens de diferentes satélites e considerando as características das pastagens e sua capacidade de suporte, que variam em cada região do País”.

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