Após reunião com representantes do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), o deputado federal gaúcho Heitor Schuch (PSB) encaminhou ao vice-presidente Geraldo Alckmin duas importantes diretrizes para a indústria de laticínios (PSB), Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Os pedidos tratam da necessidade de revisão da redução de 14% para 4% na alíquota de importação de Suplemento Proteico à base de Whey Protein Concentrado (WPC 80) e Whey Protein Isolado (WPI), ambos concentrados de whey protein, para aquisições de países fora do Mercosul , bem como os prejuízos causados aos produtores e principalmente às indústrias de leite em pó e queijos, em razão dos subsídios em espécie que têm sido concedidos à cadeia do leite na Argentina e no Uruguai.
“As demandas são muito justas e já estão nas mãos do ministro Alckmin. Acredito que existe um caminho para soluções rápidas e definitivas. o governo passado [de Jair Bolsonaro] errou ao reduzir a alíquota do Whey, pois inviabiliza a produção nacional, que perde mercado para o produto importado. Pedi ao ministro para revogar a medida e salvar a indústria brasileira. Os decretos dos governos argentino e uruguaio são puro protecionismo para o produtor local, mas liquidam o setor lácteo no Brasil”, diz Heitor Schuch ao indicar que também levará as orientações à Comissão de Indústria e Comércio da Câmara, da qual ele é presidente.
Cláudio Hausen de Souza, diretor Comercial e de Marketing da Sooro Renner Nutrição S/A, empresa com fábricas em Marechal Cândido Rondon (PR) e Estação (RS), destaca que o setor industrial detectou no mercado de Whey que favorece a compra de a matéria-prima no exterior cresceu, causando prejuízos à indústria brasileira: “Essa redução de impostos está fazendo com que grandes volumes desses ingredientes sejam importados, a preços muito baixos, se comparados a 2022. O prejuízo é claro para as empresas nacionais, dedicadas ao produção desses e de outros produtos lácteos”.
pequenas fábricas de queijo
As pequenas queijarias também foram impactadas negativamente, já que grande parte do soro absorvido pela indústria brasileira é fornecido por essas fábricas. “Além disso, o preço dessa matéria-prima já caiu no mercado interno, agravando ainda mais os efeitos negativos da desoneração”, acrescenta o secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini.
Ao reforçar no encontro, ocorrido nesta terça-feira (4), a necessidade da adoção de políticas públicas pelo governo federal que resguardem o setor lácteo frente aos subsídios que vêm sendo concedidos na Argentina e no Uruguai, Palharini destacou que governos vizinhos abriram precedentes contra as regras do Mercosul e da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao estabelecer suas políticas de ajuda, provocando a urgência de uma resposta do Brasil, a fim de conter o avanço da entrada de derivados no mercado nacional.
“Precisamos encontrar uma forma de equalizar esse cenário. Percebemos, em 2023, um aumento muito grande nas importações, principalmente de leite em pó e queijo parmesão, que chegam desses países com preços mais baratos do que os produzidos no Brasil. A desigualdade existe e atinge principalmente produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná”, alerta Palharini.
