As exportações brasileiras do agronegócio começaram 2023 em alta. Em janeiro, os embarques somaram US$ 10,23 bilhões, com aumento de 16,5% em relação ao mesmo período de 2022. Foi o primeiro ano em que as vendas externas do setor ultrapassam US$ 10 bi no mês de janeiro, segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Com isso, o valor embarcado pelo agronegócio representou 44,4% de tudo que foi exportado pelo Brasil nesses primeiros 31 dias de 2023.
De acordo com a SCRI, o valor recorde ocorreu devido ao incremento dos preços médios de exportação (+10,5%) e da quantidade embarcada (+5,5%).
Os produtos que mais se destacaram nas exportações nesse primeiro mês do ano foram milho, carnes (bovina, suína e de frango) e açúcar.
As importações do agronegócio registraram US$ 1,54 bi em janeiro deste ano, elevação de 38,3% na comparação com o mesmo mês de 2022 (US$ 1,12 bi). O valor não compreende insumos usados na produção agropecuária, como fertilizantes, defensivos, peças e equipamentos.
Milho
O maior destaque foi o setor de cereais, farinhas e preparações, com exportações de US$ 2,06 bilhões (+ 124,8%). O milho é o principal produto de exportação do setor, responsável por 86,0% do valor ou US$ 1,77 bilhão (+166,4%) – recorde para janeiro.
O volume exportado de milho também foi histórico para os meses de janeiro, com 6,2 milhões de toneladas (+125,9%), o que representou quase a totalidade do baixo estoque de passagem do cereal no país, de aproximadamente 8 milhões de toneladas, conforme a Conab.
“Janeiro não é um mês tradicional para exportações elevadas de milho pelo Brasil, mas alguns fatores influenciaram o comportamento desse fluxo: o ritmo lento da colheita de soja, que viabilizou a estrutura de transporte para o cereal; a continuidade do conflito entre na Ucrânia, que reduziu a produção de um importante fornecedor mundial de milho, e a demanda da China, a partir da autorização para comercialização em novembro do ano passado”, diz a SCRI.
Carnes
As vendas externas de carnes atingiram quase US$ 2 bilhões, também recorde para os meses de janeiro. A carne bovina correspondeu a US$ 848 milhões e o volume exportado foi de 182 mil toneladas. A China continua como a maior importadora desta proteína, com aquisição de 57% do valor exportado (US$ 483 milhões). Outros importantes mercados foram Estados Unidos, União Europeia, Chile, Hong Kong e Egito.
A carne de frango também obteve desempenho favorável com volume recorde e alto preço médio de exportação: US$ 839 milhões e 409 mil toneladas. Os principais destinos foram China, Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes.
Segundo a SCRI, a oferta de carne de frango no mundo foi afetada pela incidência de gripe aviária em grandes regiões produtoras. Isso possibilitou um forte aumento da quantidade exportada pelo Brasil e influenciou a formação do preço internacional da proteína.
Já a carne suína somou US$ 210 milhões em janeiro deste ano, valor também recorde para os meses de janeiro. A China comprou mais da metade desse valor.
A forte demanda chinesa por proteína animal foi determinada pelo período de celebração do Ano Novo Lunar chinês, que se iniciou no fim de janeiro.
Açúcar
As vendas externas de açúcar totalizaram US$ 870 milhões, alta de 68%. Os destaques foram os seguintes mercados: Argélia, Nigéria, Marrocos, Egito e China.
Soja
O complexo soja (grãos, farelo e óleo) exportou US$ 1,5 bilhão, recuo de 26,6%. O setor foi influenciado pela baixa disponibilidade de soja em virtude do ritmo lento da colheita, devido ao volume de chuvas. Mesmo assim, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção recorde de 152,9 milhões de toneladas do grão, no último levantamento divulgado neste mês de fevereiro.
O volume exportado de soja em grãos ficou em 840 mil toneladas (-66%). Desse total, a China adquiriu 61% ou 509 mil toneladas. Rússia, Tailândia e Vietnã também foram grandes importadores da soja brasileira.
O farelo de soja somou US$ 765 milhões exportados e o óleo de soja, US$ 267 milhões. Ambos resultados recordes para janeiro.
Do Mapa
