Ao longo desta semana, os preços de gado para reposição acumularam severas perdas, sobretudo para categorias mais novas (desmama), informa nesta sexta-feira (20/1) a S&P Global (empresa que foi alvo de uma fusão com a IHS Markit).
“A procura por boiada magra com menos de 1 ano de idade retraiu ainda mais nesta semana, sob efeito das recentes quedas nos preços da boiada gorda, bem como pelas incertezas relacionadas às perspectivas de longo prazo para o setor pecuário”, justiça a S&P Global.
Os altos patamares dos custos com nutrição animal ainda são um enorme gargalo para os pecuaristas, acrescenta a consultoria.
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Paralelamente, o enorme descompasso entre oferta e procura por animais de reposição também colabora para fragilidade nos preços dos animais mais jovens, não-terminados.
“Embora as condições climáticas na faixa Centro-Norte do Brasil tenham colaborado para um desenvolvimento adequado dos pastos, os recriadores e invernistas seguem cautelosos, de olho nos altos custos com ração”. ressaltam os analistas.
Na região Norte do País, segundo apurou a S&P Global, as quedas mais acentuadas nos preços das categorias de reposição foram observadas nos Estados do Pará e Rondônia, regiões onde a demanda por bezerrada de ano é praticamente inexistente.
No Pará, exemplifica a consultoria, houve relatos de machos de 240-250kg sendo ofertados por até R$ 90/kg, enquanto fêmeas de 250/kg são oferecidas por até R$ 7,50/kg. Porém, tais preços não atraíram o interesse de compradores, relata a consultoria.
No Centro-Oeste, foram registradas quedas generalizadas para bezerrada, sobretudo fêmeas produzidas em fazendas de Goiás, relata a S&P Global.
No Sul e Sudeste, a semana também foi marcada por ajustes negativos nos preços e pela baixa liquidez de negócios com gado de reposição.
Dados Scot – Segundo o levantamento da Scot Consultoria, nas praças de São Paulo, as cotações de todas as categorias de machos anelorados de reposição recuaram ao longo desta semana, na comparação com a semana anterior.
No período em questão, o bezerro desmamado paulista sofreu a maior queda, de R$ 170 por cabeça (-7,2%), quando comparado ao valor registrado na semana anterior.
Para as fêmeas, na praça paulista (considerando a mesma base de comparação), houve recuo de R$ 50 por cabeça para duas dentre as quatro categorias existentes – as quedas semanais envolveram a bezerra de ano (-2,6%) e a bezerra desmama (-2,9%), informa a Scot.
Segundo a zootecnista Jayne Costa, analista da Scot Consultoria, em regiões onde as pastagens já recuperaram o vigor, devido aos bons volumes de chuvas, negócios esporádicos estão ocorrendo para as categorias de machos, visando a recria e engorda.
“Também foi registrado uma procura maior por fêmeas, visando a produção de bezerros para a virada de fase do ciclo (2024/25), cuja expectativa é de que as cotações trabalhem acima da média vigente”, declara a analista.
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