- Resumo Rápido
- Introdução
- Colostragem começa com planejamento da maternidade
- Cura do umbigo exige produto e aplicação corretos
- Instalações influenciam diarreia e pneumonia
- Leite, água e dieta definem o crescimento
- Monitoramento transforma rotina em indicador
- Biossegurança reduz a pressão de infecção
- Visão do Especialista Sênior
- Perguntas Frequentes (FAQ)
- Conclusão & CTA
- Sobre o Especialista
Tipo: Evergreen
Resumo Rápido
- A ingestão adequada de colostro é decisiva nas primeiras horas de vida.
- Higiene reduz a exposição a agentes infecciosos.
- Cura do umbigo deve ocorrer logo após o nascimento.
- Instalações secas diminuem o estresse e a contaminação.
- Registros ajudam a identificar falhas no manejo.
As primeiras 24 horas de vida definem parte importante da sobrevivência e do desempenho futuro do bezerro. O manejo de bezerros na Safra 2026/27 deve priorizar colostragem, cura do umbigo, higiene, conforto térmico, identificação e monitoramento de consumo. Falhas nessas etapas aumentam o risco de diarreia, pneumonia, atraso no crescimento e mortalidade. O protocolo precisa ser simples o suficiente para ser executado em dias de parição intensa e rigoroso o bastante para que nenhuma cria fique sem atendimento. A organização da equipe, a qualidade das instalações e o registro de cada nascimento transformam cuidados básicos em indicadores de eficiência do sistema pecuário.
Colostragem começa com planejamento da maternidade
O colostro é a primeira fonte de imunoglobulinas, energia e nutrientes para o recém-nascido. A absorção intestinal dessas moléculas é mais eficiente nas primeiras horas de vida e diminui com o passar do tempo. Por isso, identificar rapidamente a vaca parida e conduzir o bezerro ao consumo é uma prioridade operacional.
O protocolo deve estabelecer quem fará a observação, como o colostro será avaliado, onde ficará armazenado e qual volume será fornecido quando a mamada natural não for suficiente. A equipe precisa ter mamadeira, sonda apropriada, recipiente limpo e fonte de colostro de reserva.
A qualidade do colostro pode variar entre vacas, ordem de parto, nutrição e condições sanitárias. O uso de refratômetro Brix auxilia a classificar o material disponível, desde que o equipamento esteja limpo e utilizado conforme orientação técnica.
O colostro excedente de vacas saudáveis pode ser congelado em porções identificadas, com data e origem. O descongelamento deve evitar temperaturas elevadas que prejudiquem as imunoglobulinas. O material não deve ser tratado como substituto automático do acompanhamento veterinário.
A Embrapa Gado de Corte apresenta informações sobre sistemas de produção bovina. O produtor também pode consultar a tag manejo de bezerros e outras orientações no Jornal Campo Soberano.
Cura do umbigo exige produto e aplicação corretos
O umbigo é uma porta de entrada para microrganismos. A cura deve ser realizada logo após o nascimento, com produto recomendado pelo médico-veterinário e em concentração adequada. A solução precisa alcançar toda a estrutura umbilical externa, sem reutilização contaminada entre animais.
Recipientes de aplicação devem ser higienizados e trocados conforme o protocolo da propriedade. A imersão pode ser mais eficiente do que uma aplicação superficial, mas o método deve considerar o produto autorizado e as condições do local.
O bezerro deve ser observado nos dias seguintes. Aumento de volume, calor, dor, secreção, mau cheiro, apatia ou dificuldade para mamar são sinais de alerta. Infecções umbilicais podem evoluir para problemas articulares ou sistêmicos e exigem avaliação profissional.
A maternidade deve permanecer limpa e seca. Lama, fezes acumuladas e alta densidade aumentam a contaminação. A separação entre área de parto, abrigo e locais de tratamento facilita a rotina de higiene.
Instalações influenciam diarreia e pneumonia
O ambiente interfere na saúde respiratória e intestinal. Bezerros precisam de local seco, protegido de vento excessivo, com ventilação suficiente para reduzir gases e umidade. A proteção não deve transformar o abrigo em espaço fechado e abafado.
A cama deve ser trocada ou manejada conforme a umidade e a contaminação. A drenagem evita acúmulo de água e reduz a sobrevivência de agentes infecciosos. Cochos e bebedouros devem ser posicionados para impedir mistura entre água limpa, ração e fezes.
A densidade animal precisa respeitar o tamanho da instalação e a capacidade de limpeza. Lotes muito grandes dificultam a observação individual e favorecem a disseminação de doenças.
A limpeza deve seguir uma sequência: remoção de matéria orgânica, lavagem, aplicação de desinfetante compatível, respeito ao tempo de contato e secagem. Desinfetar uma superfície suja não produz o mesmo resultado que higienizar corretamente.
Leite, água e dieta definem o crescimento
Após a colostragem, o fornecimento de leite deve seguir horários, volume e concentração estáveis. Oscilações na temperatura ou na composição podem favorecer distúrbios digestivos. O equipamento precisa ser lavado após o uso e armazenado seco.
A água limpa deve estar disponível conforme a idade e o sistema de criação. O consumo de água estimula a ingestão de concentrado e influencia o desenvolvimento ruminal. Bebedouros sujos reduzem a ingestão e podem ampliar a exposição a agentes causadores de diarreia.
O concentrado deve apresentar qualidade, palatabilidade e armazenamento adequado. Mofo, aquecimento e contaminação comprometem o consumo. A oferta precisa ser ajustada para evitar sobras deterioradas.
A introdução de forragem deve seguir orientação nutricional e o objetivo do sistema. O desmame não deve ser baseado apenas em idade; consumo de concentrado, saúde, peso e adaptação precisam ser avaliados.
A nutrição da vaca gestante e lactante também influencia a qualidade do colostro e a produção de leite. O programa deve ser planejado para a categoria e para as condições da fazenda.
Monitoramento transforma rotina em indicador
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Todo nascimento deve ser registrado com data, identificação da mãe, sexo, peso quando possível, horário da colostragem, cura do umbigo, tratamentos e ocorrências. O registro permite localizar padrões e comparar lotes.
A observação diária deve incluir comportamento, postura, apetite, consistência das fezes, frequência respiratória, secreções, temperatura quando indicada e evolução do umbigo. O objetivo é reconhecer alterações antes que o quadro se agrave.
Casos de diarreia exigem avaliação de hidratação e orientação veterinária. Antibióticos não devem ser utilizados de forma automática, pois a causa pode ser viral, bacteriana, parasitária ou nutricional. A reidratação e o isolamento podem fazer parte da conduta, conforme diagnóstico.
Sinais respiratórios, como tosse, secreção nasal, febre e respiração alterada, devem ser comunicados à assistência técnica. A movimentação de animais doentes precisa ser controlada para reduzir transmissão.
A taxa de mortalidade, a ocorrência de diarreia, a idade ao desmame e o ganho médio diário são indicadores úteis. A propriedade pode estabelecer metas internas e revisar o protocolo quando os resultados se afastarem do padrão.
Biossegurança reduz a pressão de infecção
A entrada de visitantes, veículos e animais deve seguir regras de biossegurança. Botas, roupas, equipamentos e utensílios podem transportar agentes entre lotes. O fluxo deve começar pelos animais mais jovens ou saudáveis e terminar nos grupos sob tratamento, quando possível.
Equipamentos de alimentação não devem ser compartilhados sem higienização. Mamadeiras, sondas, baldes e termômetros precisam de limpeza regular e armazenamento protegido.
A vacinação do rebanho deve seguir o calendário sanitário oficial e a orientação do médico-veterinário. A resposta imunológica depende da condição dos animais, do armazenamento das vacinas, da dose e da aplicação correta.
A identificação de agentes não deve ser feita por tentativa. Em surtos, a coleta de material e a investigação epidemiológica podem indicar a causa e orientar medidas específicas.
Visão do Especialista Sênior
Eu trato a maternidade como uma unidade de produção que precisa de protocolo, materiais e responsável definido. Em mais de 20 anos acompanhando rebanhos, observei que muitos problemas começam na falha de colostragem ou na demora para reconhecer um umbigo infectado. Eu verifico o horário do nascimento, confirmo o consumo, registro a cura e retorno para observar o animal. Também avalio cama, ventilação, água e higiene dos utensílios. Quando os registros mostram aumento de diarreia ou baixo ganho, procuro a causa no sistema inteiro antes de alterar medicamentos.
A eficiência na criação de bezerros influencia a oferta futura de carne e leite, a reposição de matrizes e a produtividade por área. Cadeias internacionais valorizam sanidade, rastreabilidade e bem-estar, tornando os registros de manejo relevantes para acesso a mercados e para a gestão de riscos.
No Brasil, protocolos simples e bem executados podem reduzir perdas sem exigir estruturas sofisticadas. A prioridade deve ser garantir colostro, higiene, conforto e diagnóstico rápido. O ganho aparece na menor mortalidade, na melhor idade ao desmame e na formação de animais mais preparados para a fase seguinte.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Pergunta: Quando o bezerro deve receber colostro?
Resposta: O fornecimento deve ocorrer o mais cedo possível após o nascimento, conforme protocolo definido pelo médico-veterinário.
Pergunta: Como avaliar a qualidade do colostro?
Resposta: O refratômetro Brix pode auxiliar a classificação, desde que seja utilizado corretamente e associado à avaliação do manejo.
Pergunta: Por que a cura do umbigo é necessária?
Resposta: Porque o umbigo pode permitir a entrada de microrganismos e originar infecções locais ou sistêmicas.
Pergunta: Como reduzir diarreia em bezerros?
Resposta: É necessário combinar colostragem adequada, higiene, água limpa, leite bem preparado, instalações secas e investigação das causas.
Pergunta: Quando procurar o médico-veterinário?
Resposta: Em casos de apatia, febre, desidratação, dificuldade respiratória, secreção, umbigo aumentado ou ausência de ingestão.
Conclusão & CTA
O manejo de bezerros exige atenção às primeiras horas de vida e continuidade nos dias seguintes. Colostragem, cura do umbigo, higiene, conforto, nutrição e registros formam a base de um protocolo eficiente para a Safra 2026/27. 👉 Entre no nosso Grupo de Notícias do Agro: Clique Aqui para Participar
Fonte
Fonte: Embrapa Gado de Corte; MAPA — Saúde Animal; Universidade de Wisconsin-Madison — Dairy Calf Management.
Sobre o Especialista
Dr. Rafael Augusto Nogueira — médico-veterinário e zootecnista sênior, especialista em cria, sanidade preventiva e manejo de bovinos, com mais de 20 anos de experiência em fazendas de corte e leite.
