listas de conferências de mastite

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“Check lists” ou listas de conferências podem ser ferramentas extremamente interessantes de gerenciamento em uma fazenda de produção de leite. O objetivo é revisar procedimentos ou itens importantes de processos ou programas que, muitas vezes, passam despercebidos na rotina de atividades.

Infecções da glândula mamária (mastite) são ocorrências bastante comuns em fazendas leiteiras, e os prejuízos podem ser bem grandes quando o problema é exacerbado. Menor produção, maior descarte de leite, menor vida útil das vacas no rebanho, aumento na despesa com medicamentos, pior qualidade do leite produzido e penalizações são exemplos de prejuízos que a mastite pode causar, quando não controlada.

O National Mastitis Council (NMC), instituição global para controle de mastite e qualidade do leite, publicou, recentemente, em seu site www.nmconline.org uma lista completa de conferência ou “check-list” para um programa de controle de mastite. Segue abaixo o programa de controle de mastite recomendado pelo NMC, traduzido e adaptado para as condições brasileiras.

 1. Estabelecimento de metas para saúde do úbere

Estabeleça metas realísticas para contagem de células somáticas (CCS) e taxa de mastite clínica do rebanho.

Reveja as metas periodicamente, com auxílio de pessoas capacitadas (veterinário, gerente, técnicos de ordenha e consultores).

Priorize mudanças de manejo para atingir as metas.

2. Manutenção de um ambiente limpo, seco e confortável

Garanta o adequado uso das camas de free-stall, assegurando o correto dimensionamento e design, e forneça espaço adequado para o número de vacas nos piquetes.

Mantenha baias e piquetes limpos, secos e confortáveis.

Mantenhas as áreas de tráfego das vacas limpas e secas.

Certifique-se de que o sistema de ventilação está funcionando adequadamente.

Certifique-se de que vacas a pasto tenham áreas de descanso sem excesso de contaminação.

Controle influências ambientais prejudiciais (estresse calórico, fuga de corrente elétrica, etc…)

Certifique-se de que as vacas permaneçam em pé depois da ordenha (forneça alimento fresco e água).

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3. Procedimentos adequados de ordenha

Examine os primeiros jatos de leite para a detecção precoce de mastite clínica e a descida apropriada do leite.

Certifique-se de que as tetas estão limpas e secas antes da ordenha.

Aplique um desinfetante pré-ordenha (pré-dipping), cobrindo completamente a pele do teto e deixe que o mesmo permaneça por, pelo menos, 30 segundos.

Seque as tetas utilizando um papel toalha ou um pano adequadamente lavado e desinfetado para uso único e exclusivo de cada vaca.

Use luvas limpas e descartáveis durante a ordenha para limitar a propagação de mastite contagiosa.

Coloque o conjunto de ordenha em até 90 segundos após o início da preparação e nivele o conjunto de ordenha em relação ao úbere.

Ajuste o conjunto durante a ordenha para prevenir entrada de ar e o deslizamento de teteiras.

Na remoção manual do conjunto de ordenha, evite que ocorra gotejamento de leite pela teteira e desligue o vá-cuo do conjunto de ordenha antes de removê-lo.

Aplique o desinfetante de tetos (pós-dipping) imediatamente após a remoção do conjunto de ordenha e garanta a cobertura total dos tetos.

Os desinfetantes de tetos devem ser selecionados com base em dados de eficácia documentada, que podem ser encontrados no site da NMC (www.nmconline.org).

Ordenhe por último vacas com infecções intramamárias contagiosas confirmadas.

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4. Manutenção e uso adequado do equipamento de ordenha

Instale ou atualize o equipamento de ordenha de acordo com as normas ISO 5707

(“Instalações para máquina de ordenha – Construção e desempenho) ou de acordo com as normas do CBQL (Colégio Brasileiro de Qualidade do Leite).

Avalie e faça a manutenção periódica do equipamento de ordenha, de acordo com as recomendações do fabricante e utilizando métodos de avaliação dinâmicos e formulários de registro adequados.

Troque insufladores e outras peças de plástico e borracha regularmente, de acordo com as recomendações do fabricante.

Troque imediatamente insufladores e mangueiras quebradas ou rachadas.

Lave e promova uma sanitização adequada do equipamento depois de cada ordenha.

5. Anotação e análise de dados e eventos

Para cada caso de mastite clínica, anote o número da vaca, a data da detecção, os dias em lactação, o(s) quarto(s) afetado(s), o número e tipo de tratamentos, o resultado dos tratamentos (ex. retorno da secreção normal de leite, tempo para descarte de leite) e o patógeno responsável, caso seja feita a cultura microbiológica de amostras de leite.

Use um sistema manual ou informatizado de análise para gerenciar dados referentes a CCS individual, prevalência e incidência de mastite subclínica.

6. Manejo adequado de mastite clínica durante a lactação

Desenvolva e programe protocolos de tratamento de mastite clínica com a ajuda de consultores.

Considere, de maneira cuidadosa, as ramificações econômicas de decisões relacionadas a tratamentos.

Colete uma amostra de leite, assepticamente e pré-tratamento, para cultura microbiológica.

Aplique um programa te-rapêutico apropriado: use medicamentos de acordo com o protocolo ou de acordo com a recomendação de um veterinário.

Antes da infusão de medicamentos na glândula mamária, desinfete o teto com germicida e esfregue a extremidade com algodão e álcool.

Utilize antibióticos de dose única para infusão intramamária, com inserção parcial da cânula.

Não trate infecções crônicas que não respondem a tratamentos.

Observe o correto período de descarte de leite para o antibiótico usado, de acordo com a bula.

Siga as recomendações de armazenagem de medicamentos e observe a data de vencimento dos mesmos.

Identifique, de maneira bem visível, todas as vacas tratadas, e anote todos os tratamentos.

Quando necessário, faça testes do leite para substâncias inibitórias antes da comercialização.

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7. Manejo adequado de vacas secas

Seque as vacas abruptamente e aplique o tratamento de vaca seca imediatamente após a última ordenha.

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Antes da aplicação da infusão intramamária, desinfete os tetos e esfregue a extremidade dos mesmos com algodão e álcool.

Trate todos os quartos de todas as vacas com um antibiótico comercial (longa duração) específico para o período seco e/ou um selante interno.

Use o método de inserção parcial da cânula nos tratamentos de vacas secas.

Desinfete os tetos imediatamente após a infusão usando um produto para pós-dipping efetivo.

Promova alimentação adequada das vacas secas e fortaleça o seu sistema imune.

Mantenha um ambiente limpo, seco e confortável para vacas secas. O manejo do ambiente é importante para minimizar a exposição a patógenos.

Em situações de exposição muito acentuada a patógenos, use um selante de tetos, interno ou externo, para vacas secas, além do tratamento com antibióticos no momento da secagem.

Em rebanhos com problemas de mastite por coliformes, utilize vacinas com antígeno “core”, seguindo as recomendações do fabricante.

Apare o excesso de pelos do úbere e flancos. O chamuscamento do úbere pode ser útil para garantir a retirada dos pelos.

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8. Manutenção da biosegurança para patógenos contagiosos e descarte de vacas com infecções crônicas

Avalie dados de CCS indivi-duais e de tanque. Antes da compra de vacas deve ser realizado um exame completo para identificar casos de mastite subclínica.

Se possível, antes da compra de animais, colete assepticamente amostras de leite para cultura microbiológica.

Separe vacas com CCS alta, persistente por muitos meses, e observe a resposta ao tratamento de vaca seca ou outra terapia recomendada.

Descarte ou segregue de maneira permanente vacas infectadas por Stahylococcus aureus ou outros agentes que não respondem a tratamentos (Mycoplasma, Nocardia, Pseudomonas ou Arcanobacterum pyogenes).

Avalie a saúde do úbere de primíparas ou novilhas pre-nhes, pois as mesmas podem afetar a biosegurança do rebanho.

9. Monitoramento periódico da saúde do úbere.

Participe de um programa de avaliação individual de CCS de vacas ou use outra ferramenta de monitoramento de infecções subclínicas.

Utilize um monitor de inflamação, como o CMT ou WMT, em vacas suspeitas ou em períodos de alto risco (ex. início de lactação).

Monitore a distribuição de vacas com alta CCS e as taxas de mudança para alta CCS (incidência de novos casos).

Faça regularmente a cultura microbiológica de casos clínicos e de vacas com alta CCS.

Monitore a saúde de úbere do rebanho utilizando relatórios de softwares ou de centros de qualidade do leite.

Calcule periodicamente as taxas de mastite clínica e distribuição, com atenção especial às infecções em primíparas.

Use os dados de CCS e mastite clínica para avaliar protocolos e para a tomada de  decisões em relação a tratamentos e descartes.

10 . Revisão Periódica do Programa de Controle de Mastite

Busque avaliações objetivas de consultores em relação ao seu programa de controle de mastite.

Utilize todo o time de consultores de saúde de úbere disponível (veterinário, produtor, gerente, ordenhadores), para avaliar e monitorar o programa de controle. •

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